Nutrição aplicada ao esporte
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Nutrição aplicada ao esporte


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\u2022 São carreadores de vitaminas e supressores da fome.
Dinâmica das gorduras no exercício
As gorduras intracelular e extracelular suprem entre 30 e 80%
da energia necessária para a atividade física, dependendo do estado
nutricional, da aptidão e da intensidade e duração do exercício. O
aumento do fluxo sanguíneo através do tecido adiposo observado com
o exercício acelera a liberação de ácidos graxos livres para serem
fornecidos e utilizados pelo músculo. A utilização de gordura para ob-
tenção de energia no exercício leve e moderado é três vezes maior do
que nas condições de repouso. Com um exercício mais intenso (maior
percentual de capacidade aeróbia), a liberação de ácidos graxos livres
pelo tecido adiposo não aumenta muito acima dos níveis de repouso, o
que resulta em uma queda nos níveis plasmáticos de ácidos graxos
livres. Por outro lado, isso estimula uma maior utilização do glicogênio
muscular e, simultaneamente, uma maior oxidação dos triglicerídeos
intramusculares. A contribuição em termos de energia por parte dos
triglicerídeos intramusculares varia provavelmente entre 15 e 35%,
com os atletas treinados em endurance catabolizando a maior quan-
tidade de gordura intramuscular. O consumo crônico de dietas ricas
em gordura induz adaptações enzimáticas que aceleram a oxidação
das gorduras durante o exercício submáximo.
A disponibilidade de carboidratos também influencia a utiliza-
ção das gorduras para a obtenção de energia. Com reservas adequadas,
o carboidrato torna-se o combustível preferido durante o exercício
aeróbio de alta intensidade, em comparação com o ritmo de 30-50%
mais lento para o fracionamento das gorduras. No fim do exercício
prolongado, quando as reservas de glicogênio são depletadas, a
gordura supre quase 80% da energia total necessária.
O maior metabolismo das gorduras durante o exercício pro-
longado é resultante provavelmente, de uma pequena queda no açúcar
sanguíneo e de reduções na insulina (um poderoso inibidor da lipól-
ise), com aumentos correspondentes na produção de glucagon pelo
pâncreas. Essas respostas acabam reduzindo o catabolismo da glicose
(e seu possível efeito inibidor e controlador sobre o fracionamento dos
ácidos graxos de cadeia longa) de forma a estimular ainda mais a liber-
ação de ácidos graxos livres para a obtenção de energia.
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As recomendações para a ingestão de lipídios alimentares por
parte dos atletas em geral obedece a recomendações prudentes rela-
cionadas à saúde para a população geral, ou seja, entre 25 e 30% do
valor energético total.
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14 Nutrientes energéticos III:
proteínas e exercício
Um suprimento apropriado de proteína com a dieta diária é
essencial para o crescimento e o desenvolvimento de órgãos e tecidos.
A hipertrofia muscular depende dos aminoácidos. Logo, um
suprimento insuficiente de proteína, em geral, ou de aminoácidos es-
senciais (aqueles que não podem ser sintetizados pelo corpo humano),
em particular, está associado sabidamente com um crescimento al-
terado. Nos parágrafos seguintes, descreveremos resumidamente
como as funções biológicas essenciais dependem de um suprimento
apropriado de proteína e como essas funções são influenciadas pelo
exercício.
Reservas de proteínas
O corpo humano não possui uma reserva de proteína com-
parável à grande reserva de energia existente no tecido adiposo e no
glicogênio. Toda a proteína no corpo é representada por proteína fun-
cional, isto é, faz parte das estruturas teciduais ou faz parte do meta-
bolismo, como sistema de transporte, hormônios, etc.
Você sabia?
Qualquer quantidade abundante de proteína não
poderá ser armazenada na forma de proteína. Con-
sequentemente, o corpo degradará a proteína que
não foi utilizada, oxidará os aminoácidos liberados e
excretará seu nitrogênio juntamente com a urina.
Como alternativa, os aminoácidos podem ser conver-
tidos metabolicamente em glicose ou ácidos graxos
que poderão ser armazenados nos respectivos reser-
vatórios. Em condições em que há déficits de energia,
os aminoácidos podem ser utilizados preferencial-
mente como combustível energético para a ressíntese
de ATP.
O corpo humano possui três reservatórios principais de pro-
teína funcional:
\u2022 As proteínas plasmáticas e os aminoácidos plasmáticos;
\u2022 Proteína muscular;
\u2022 Proteína visceral (órgãos abdominais)
Vamos discutir um pouco melhor sobre cada um desses três
reservatórios.
Proteínas/aminoácidos plasmáticos
A albumina e a hemoglobina são proteínas plasmáticas im-
portantes. Ambas participam dos processos de transporte
(carreadoras) e sua quantidade pode estar reduzida como resultado de
uma insuficiência prolongada na ingestão de proteína (nitrogênio), na
ingestão de energia ou de uma combinação de ambas.
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Os aminoácidos plasmáticos circulantes perfazem o reser-
vatório central de substâncias proteicas metabolicamente disponíveis.
Qualquer proteína consumida irá participar, após a digestão e a ab-
sorção, do reservatório plasmático de aminoácidos. Todos os aminoá-
cidos necessários para a síntese da proteína funcional serão retirados
desse reservatório de aminoácidos.
A composição do reservatório plasmático de aminoácidos é
mantida dentro de uma variação estreita. A escassez de aminoácidos
não essenciais induzirá a produção desses aminoácidos pelo organ-
ismo. Já a escassez de aminoácidos considerados essenciais, não
poderá ser compensada por essa síntese. Existem apenas duas maneir-
as de compensar esse tipo de escassez: maior consumo de proteínas
fontes desses aminoácidos essenciais ou fracionamento da proteína
funcional dentro do corpo. O último processo resultará na liberação de
aminoácidos para o interior do reservatório plasmático. Além de ser-
em os blocos estruturais de todos os tecidos, os aminoácidos circu-
lantes desempenham também inúmeras funções importantes no meta-
bolismo energético e no sistema nervoso central. Qualquer modi-
ficação acentuada na composição dos aminoácidos plasmáticos pode,
portanto, afetar o ritmo da síntese proteica, o estado de alerta, a
sensação de fadiga, o humor, etc. Qualquer modificação prolongada
também pode ter consequências para a saúde.
Influência do exercício
Sabe-se que o exercício está associado a modificações na com-
posição de aminoácidos plasmáticos. Foi mostrado que os aminoá-
cidos de cadeia ramificada (leucina, valina, isoleucina), ao serem oxid-
ados, contribuem para a produção de energia durante o exercício.
Como resultado, sua concentração no plasma se reduz. Isso tem duas
consequências importantes:
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\u2022 A oxidação dos aminoácidos de cadeia ramificada resulta na
formação de amônia, um produto terminal metabólico con-
hecido, em princípio, por ser tóxico e estar associado com à
fadiga; e
\u2022 A relação dos aminoácidos de cadeia ramificada para outros
aminoácidos se modifica. Essa modificação acarreta um
aumento do transporte de alguns aminoácidos par ao interi-
or do cérebro, como é o caso do triptofano, que é sabida-
mente precursor de hormônios e de peptídeos no sistema
nervoso central. Admite-se que essa captação modificada
dos aminoácidos influencia a neurotransmissão e a fadiga.
A escassez de carboidratos (glicogênio, glicose sanguínea)
acarreta um aumento dramático na utilização das proteínas para a
produção de energia.
O esforço atlético exaustivo impõe ao corpo um estresse ener-
gético e, portanto, resulta em maior utilização de aminoácidos, in-
cluindo os essenciais. Em qualquer evento de endurance, essa utiliza-
ção é aumentada quando ocorre depleção dos reservatórios de
carboidratos endógenos. Consequentemente, os atletas devem saber
que o fracionamento da proteína e a oxidação dos aminoácidos poderi-
am ser limitados pelo suprimento de carboidratos durante e imediata-
mente após o exercício.
Proteína muscular
A massa muscular forma o maior reservatório de proteína