Nutrição aplicada ao esporte
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Nutrição aplicada ao esporte


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corporal e aprimoramento do
desempenho desportivo de atletas decorrentes do manejo dietético. Os
estudos têm sido convergentes em conclusões que estabelecem que, de
um modo geral, basta o manejo dietético para a obtenção dos efeitos
acima explicitados. A suplementação alimentar deve, portanto, ficar
restrita aos casos especiais, que serão apresentados nesta diretriz, nos
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quais a eventual utilização deve sempre decorrer da prescrição dos
profissionais qualificados para tal, que são os nutricionistas e os médi-
cos especialistas.
A indústria de alimentos e suplementos nutricionais tem
desenvolvido alimentos modificados com a promessa de melhorar a
performance. De uma forma geral, eles utilizam apenas nutrientes cu-
jas fontes são os alimentos consumidos na alimentação normal. Pode-
se afirmar que o atleta que deseja otimizar sua performance, antes de
qualquer manipulação nutricional, precisa adotar um comportamento
alimentar adequado ao seu esforço, em termos de quantidade e var-
iedade, levando em consideração o que está estabelecido como ali-
mentação saudável. As orientações que constam nesta seção destinam-
se a atletas saudáveis, adultos e adolescentes em fase de maturação
sexual final.
Assim, esportistas profissionais devem seguir um plano ali-
mentar minucioso, de modo a influenciar não somente a saúde e o
bom desempenho do atleta, mas também em sua recuperação
metabólica no decorrer da realização dos treinos. Vale ressaltar que
muito cuidado deve ser tomado caso seja necessário suplementar.
Desportistas profissionais e atletas de elite:
\u2022 Necessário - alimentação especial é parte do programa de
condicionamento físico;
\u2022 Sem necessidade - alimentação balanceada (semelhante a da
população saudável).
A nutrição constitui o alicerce para o desempenho físico: pro-
porciona o combustível para o trabalho biológico e as substâncias
químicas para extrair e utilizar a energia potencial dos alimentos.
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4 Como a dieta pode influenciar a
atividade física?
A oferta de nutrientes em quantidade suficiente à realização
da prática esportiva é o ponto crítico da nutrição aplicada ao esporte.
Vejamos o porquê!
Como exemplo, consideraremos a energia, item absoluta-
mente necessário à realização dos movimentos durante o exercício.
Em condições de repouso, as células precisam de energia para fun-
cionar: as bombas iônicas nas membranas precisam de energia para
transportar íons através das membranas celulares, enquanto que as
fibras musculares do coração necessitam de energia para contraírem.
No decorrer da realização do exercício, o gasto energético
pode aumentar consideravelmente, principalmente porque a muscu-
latura esquelética precisa de energia para se contrair. Em alguns
casos, o fornecimento de energia pode tornar-se crítico e a continu-
ação do exercício depende da disponibilidade das reservas de energia.
A maioria dessas reservas precisa ser obtida através da nutrição (via
ingestão de carboidratos, lipídeos e, em última instância, proteínas).
Nos atletas de resistência, por exemplo, a depleção de energia (ex-
austão de carboidratos) é uma das causas mais comuns de fadiga.
Assim, a ingestão de carboidratos é essencial para evitar fadiga pre-
coce resultante da depleção de carboidratos.
Então, podemos inferir que o fornecimento adequado de nu-
trientes promove:
\u2022 Prevenção de lesões;
\u2022 Alcance dos resultados esperados;
\u2022 Melhora do rendimento.
É importante salientar que a oferta de energia não aumenta o
rendimento do atleta, mas prolonga sua capacidade de realização,
sendo que, quanto maior o tempo da atividade, maior o impacto posit-
ivo dessa estratégia.
Premissas da nutrição saudável voltada ao
desempenho físico
Para que o atleta tenha um bom desempenho físico é
necessário:
\u2022 Permitir que o estômago esteja relativamente vazio no início
da competição. Isso porque estudos demonstram que exercí-
cios moderados a intensos podem comprometer o esvazia-
mento gástrico (Capítulo 1).Adicionalmente, fisiologistas
concordam que exercícios com intensidade moderada a in-
tensa reduzem o fluxo sanguíneo intestinal, o que, con-
sequentemente, retarda a absorção dos nutrientes tão ne-
cessários à prática esportiva;
\u2022 Ajudar a evitar ou minimizar distúrbios gastrointestinais
(diarreias, vômitos, gases, etc);
\u2022 Ajudar a prevenir a hipoglicemia e seus sintomas, que po-
dem prejudicar o desempenho;
\u2022 Fornecer substrato suficiente, sobretudo de carboidrato, ao
sangue e aos músculos;
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\u2022 Fornecer quantidade adequada de água e eletrólitos ao
corpo (hidratar).
Desconfortos pré-competição e durante a
competição
O desconforto pré-competição e durante a competição geral-
mente aparece como:
\u2022 Problemas de estômago e gastrointestinais superiores (azia,
vômito, inchaço, peso da comida e dores de estômago);
\u2022 Problemas gastrointestinais inferiores (gases, câimbras in-
testinais, urgência em defecar, bolos fecais soltos e diarreia).
Fatores que são associados ao desconforto
Tipo de esporte
Ciclistas e nadadores têm menos desconforto do que atletas
corredores que geram impacto direto sobre o intestino pelo
movimento.
Estado de treinamento
Atletas que já se acostumaram com a rotina dos treinos e com-
petições desenvolvem tolerância e percebem que gradativamente o
desconforto diminui ou até desaparece.
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Idade
Atletas jovens encontram maiores dificuldades, provavel-
mente porque ainda não conhecem bem as questões relacionadas à ali-
mentação. Já os veteranos que experimentaram diversas receitas
aprendem a conhecer o metabolismo e mantêm uma relação harmôn-
ica com ele.
Gênero
Normalmente, as mulheres têm maior tendência a terem com-
plicações por causa das constantes alterações hormonais e também
devido ao período menstrual.
Tensão emocional e mental
Pessoas tensas ou nervosas têm esvaziamento gástrico mais
lento e com isso ficam com a sensação de estômago cheio ou com peso.
Intensidade do exercício
Treinos leves não comprometem a digestão, mas, durante ex-
ercícios que exigem mais esforço, a mudança do fluxo sanguíneo da
parte central para os músculos em funcionamento pode causar algum
desconforto.
Tipo de alimento utilizado pré-competição
A ingestão de alimentos muito ricos em proteínas e gorduras
algumas horas antes da prova podem comprometer o resultado. Já ali-
mentos que fazem parte do dia a dia do atleta e que são utilizados dur-
ante os treinamentos seriam a melhor escolha para garantir um mel-
hor rendimento.
Ingestão de comida durante as atividades
A maioria dos atletas suporta pequenas quantidades de ali-
mento em seu estômago, de forma a não comprometer a função
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digestiva. Se a atividade tiver um tempo de duração maior que 45
minutos e a intensidade não for alta, pode ser necessário algum aporte
energético. Entretanto, se a intensidade for alta, o alimento pode so-
frer refluxo, o que oferece risco ao desempenho.
Cafeína
Estimula o sistema nervoso, pode causar diarreia e um desem-
penho inferior ao esperado.
Soluções concentradas em açúcar
Geram desconforto gástrico. As bebidas repositoras de fluidos
possuem, em média, 200 kcal por 225 mL e contam com baixa con-
centração de carboidratos, sendo consideradas boas alternativas.
Nível de hidratação
A desidratação aumenta o risco dos problemas intestinais.
Deve-se manter a ingestão hídrica bebendo-se fluidos diferentes, em
horários regulares, para aprender como o corpo reage à água, aos su-
cos, ou a qualquer fluido que possa vir a ser utilizado. Alguns itens da
dieta sofrem alteração dependendo do clima onde acontecerá uma
competição. O clima é outro fator a ser considerado. Exemplo disso é
que uma prova ou torneio em locais de clima quente exige maior
atenção na hidratação, já que o consumo adequado de água impede a
desidratação e a redução do desempenho. As exigências