OAB -2° Fase- DPP
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por ser letra de lei.
É preciso que se faça associação entre sequestro e produto ou proventos do 
crime, o que não é o mesmo que objeto do crime.
O art. 129 traz: \u201cO sequestro autuar-se-á em apartado e admitirá embargos 
de terceiro.\u201d Pode ser questionado pelo próprio acusado nos embargos.
Lembra-se aqui que o CPP traz alguns prazos para o oferecimento da de-
núncia e se o MP não oferecer no prazo, caberá relaxamento de prisão. 
O sequestro traz também uma limitação temporal, de acordo com o art. 
131, I: \u201cO sequestro será levantado: I \u2013 se a ação penal não for intentada no pra-
zo de sessenta dias, contado da data em que ficar concluída a diligência;\u201d (...)
O art. 128 do CPP confere publicidade a esta medida, ao sequestro.
Outra medida assecuratória é a especialização de hipoteca. Relaciona-se 
com a ação civil ex delicto, pois a especialização de hipoteca visa assegurar a 
viabilidade da responsabilidade civil do acusado.
Pode ser requerida em qualquer fase do processo.
O art. 142 dispõe: \u201cCaberá ao Ministério Público promover as medidas 
estabelecidas nos arts. 134 e 137, se houver interesse da Fazenda Pública, ou se 
o ofendido for pobre e o requerer.\u201d
6. Considerações Iniciais sobre Exceções
6.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos processos incidentes, 
sendo feita uma abordagem sobre as exceções.
6.2 Síntese
Exceção nada mais é do que uma defesa processual. A exceção pode ser 
peremptória ou dilatória. 
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A exceção peremptória traz relação processual que será encerrada com o 
acolhimento da exceção. Exemplo: litispendência.
A exceção dilatória traz uma relação processual que não será encerrada, 
mas ocorrerá algum trâmite, algum problema. Exemplo: exceção de incompe-
tência territorial.
O art. 111 do CPP dispõe: \u201cAs exceções serão processadas em autos aparta-
dos e não suspenderão, em regra, o andamento da ação penal.\u201d
Temos diversas modalidades de exceção: suspeição, incompetência, litis-
pendência, ilegitimidade da parte, coisa julgada e impedimento e incompati-
bilidade.
Ainda, o art. 396-A, § 1º dispõe: \u201cA exceção será processada em apartado, 
nos termos dos arts. 95 a 112 deste Código.\u201d 
O art. 406, § 3º traz que: \u201cNa resposta, o acusado poderá arguir prelimi-
nares e alegar tudo que interesse a sua defesa, oferecer documentos e justifi-
cações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, até o máximo 
de 8 (oito), qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário.\u201d
Nos crimes contra a honra, temos a figura da exceção da verdade e deve ser 
observada a Súmula nº 396 do STF.
As exceções podem ser conhecidas de ofício. No processo civil, a incom-
petência depende de provocação. No CPP, a incompetência relativa, se não 
arguida, permite a prorrogação, ou seja, quem não era competente passa a ser. 
Contudo, ao contrário do CPC, o juiz pode reconhecer independentemen-
te de provocação a sua incompetência. 
Fala-se em competência de atos decisórios, mas competência nada mais é 
do que a medida da jurisdição e é uma maneira de se garantir o processo justo. 
Assim, todo e qualquer ato de juiz incompetente deve ser anulado.
Exercício
12. A questão prejudicial heterogênea obrigatória se submete a prazo de 
apreciação no juízo cível? Há algum reflexo dessa remessa de deci-
são nas esferas processual e penal?
7. Exceção de Ilegitimidade de Parte
7.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos processos incidentes, 
sendo feita uma abordagem sobre a exceção de ilegitimidade de parte.
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7.2 Síntese
O CPP é omisso em relação à exceção de ilegitimidade de parte. Primeira-
mente, deve ser lembrado o fato de que advogado não é parte.
A exceção de ilegitimidade de parte discute a ilegitimidade da parte ativa. 
Assim, devem ser lembradas quais são as espécies de ação penal.
Não há exceção de ilegitimidade de parte passiva, pois envolveria mérito 
ou então seria caso de inimputabilidade pelo critério biológico (adolescente).
A ação penal pode ser pública ou privada. A exceção de ilegitimidade de 
parte ativa ocorre na ação penal pública, por exemplo, e não sendo hipótese de 
inércia, o particular deduz pretensão punitiva em juízo.
Caso tenhamos ação personalíssima, não pode o MP ajuizar a ação, pois 
caberá ao réu opor exceção de ilegitimidade e, nesse caso, é peremptória, uma 
vez que encerrará aquela relação processual.
A ação penal, a doutrina e jurisprudência entendem que é matéria de direi-
to material e, assim, deve ser observada a proibição da retroatividade maléfica.
8. Exceção de Litispendência e Exceção de 
Coisa Julgada
8.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos processos incidentes, 
sendo feita aqui abordagem sobre a exceção de litispendência e de coisa 
julgada.
8.2 Síntese
Existe a proibição, a reformatio in pejus, quando se fala em recurso, haven-
do uma ligação com a exceção de litispendência e de coisa julgada. 
A Convenção Americana de Direitos Humanos trabalha com a proibição 
do bis in idem.
Em um processo, que ocorreu no Rio de Janeiro, aconteceu a seguinte 
situação: traficante foi preso e o MP o denunciou, denunciando também poli-
ciais militares por associação.
O processo correu e foram os policiais absolvidos em primeira instância, 
bem como no TJ. Ocorreu o trânsito em julgado, ou seja, o Estado afirmou que 
os policiais não estavam associados para o tráfico.
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A coisa julgada é do fato histórico e não da tipificação. 
Após o trânsito em julgado, não mais em Volta Redonda, mas na auditoria 
de Justiça Militar, os policiais foram denunciados pelo art. 305 do CPM.
Ocorreu a primeira denúncia justamente porque os traficantes encontra-
vam-se em liberdade. Em alegações finais, o MP pediu a condenação e a De-
fensoria Pública Militar alegou exceção de coisa julgada. Assim, a auditoria 
militar decidiu pela coisa julgada.
A LICC define legalmente os conceitos de coisa julgada e de litispendência. 
A exceção de litispendência visa impedir que o processo da segunda relação 
processual persista, mas o primeiro processo continuará. 
Exercício
13. Sob o argumento de que a Promotora de Justiça que havia atuado na 
ação penal era esposa do juiz criminal, a defesa técnica de João opôs 
exceção de impedimento. Ao apreciar a petição, o magistrado sequer 
conheceu da petição, justificando a ausência de previsão legal. Ana-
lise a situação descrita.
9. Exceção de Suspeição, Impedimento e 
Incompatibilidade
9.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos processos incidentes, sen-
do feita uma abordagem sobre a exceção de suspeição, impedimento e 
incompatibilidade.
9.2 Síntese
As exceções de suspeição, impedimento e incompatibilidade têm em co-
mum que a imparcialidade do órgão jurisdicional está afetada.
A suspeição e impedimento se diferenciam dependendo se a imparcialida-
de se origina dentro ou fora do processo.
Imparcialidade é diferente de neutralidade, pois ninguém é neutro.
A exceção de suspeição encontra-se no art. 95, I. Ressalta-se que não há 
previsão para o Rese quando se trata do assunto.
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O defensor pode alegar suspeição, impedimento e incompatibilidade, sen-
do matéria observada pela Corregedoria e não pelo Poder Judiciário.
O CPC exige poderes especiais e no caso de assistido pela Defensoria Pú-
blica basta a assinatura do assistido na petição.
Suspeição é algo fora do processo e o art. 254 do CPP traz as possibilidades: 
\u201cO juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer 
das partes: I \u2013 se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles;