OAB -2° Fase- DPP
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ex delicto, 
sendo feita uma abordagem sobre as repercussões das decisões criminais 
no âmbito da ação civil ex delicto.
4.2 Síntese
Para completar a unidade anterior, o art. 63, caput do CPP, aponta os legi-
timados para ajuizar ação civil ex delicto: ofendido (vítima), representante legal 
e os herdeiros.
Quanto às repercussões das decisões criminais no âmbito cível, o art. 66 
do CPP traz: \u201cNão obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação 
civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida 
a inexistência material do fato.\u201d
O réu possui interesse recursal em apelar sentenças absolutórias, com intui-
to de modificar o inciso de sua absolvição.
Ainda, o art. 67 dispõe: \u201cNão impedirão igualmente a propositura da ação 
civil: I \u2013 o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação; 
II \u2013 a decisão que julgar extinta a punibilidade; III \u2013 a sentença absolutória que 
decidir que o fato imputado não constitui crime.\u201d
Nota-se que o inciso III traz que nem todo ilícito civil corresponde a ilícito 
penal.
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Uma questão nova na doutrina é o art. 397 que traz absolvição sumária, 
hipótese de antecipação de tutela penal. O que se discute é se a decisão que 
absolve sumariamente o réu obsta a ação civil ex delicto.
Eugênio Pacelli entende que na absolvição sumária não há profunda ins-
trução, e assim não impede a ação civil ex delicto.
Outra questão envolve os tipos de justificação ou causas de exclusão da 
ilicitude. O art. 65 do CPP traz que: \u201cFaz coisa julgada no cível a sentença 
penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em 
legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular 
de direito.\u201d
Uma questão que a doutrina ainda não é pacífica é como entender o art. 
65 do CPP combinado com o art. 386, VI, parte final. O art. 386, VI, aponta 
para a possibilidade de absolvição quando houver dúvida a respeito de causa 
de justificação. 
Exercício
16. Raimundo Nonato foi vítima de extorsão mediante sequestro, tendo, 
inclusive pago o resgate. Ao tomar conhecimento do autor do ilícito, 
ajuizou a ação de indenização. O juiz decidiu indeferir a sua petição 
inicial sob o argumento de que não seria possível reconhecer o ilícito 
antes da apreciação da matéria pelo juízo criminal. O que deveria 
então fazer o autor?
Capítulo 9
Provas
1. Fatos que Não Dependem de Prova
9.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos a questão dos fatos que não dependem de prova, 
bem como o sistema de apreciação da prova.
9.2 Síntese
Veremos o sistema de apreciação de provas e os fatos que não dependem 
de provas.
No processo penal, a base é a da busca da verdade real, sendo que se bus-
ca a verdade dos fatos que foram praticados, contrário ao processo civil que 
busca uma realidade formal. Mesmo assim, no âmbito penal, existem alguns 
fatos que não necessitam de prova. São eles: fatos notórios ou evidentes (isto 
porque é um fato de amplo conhecimento público, assim, a convicção já está 
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formada); os fatos que contêm a chamada presunção absoluta também não ne-
cessitam ser objetos de provas, sendo que estes decorrem de lei (ex.: menor de 
18 anos é plenamente inimputável); fatos inúteis (fatos irrelevantes ou imperti-
nentes); fatos impossíveis, não necessitam ser provados, pois por si sós causam 
aversão ao espírito de uma pessoa comum, com o mínimo de esclarecimento. 
Os fatos que necessitam de provas no processo penal são todos os outros que 
não os quatro anteriormente mencionados. 
Sempre cai em provas da OAB a questão do fato incontroverso, ou seja, 
admitido pela acusação e defesa como verdadeiro, ainda assim deverá ser pro-
vado, pois o magistrado não está vinculado à ideia das partes e, dessa forma, 
deve buscar a verdade real.
Para apreciar as provas, existem os sistemas de apreciação de prova; o siste-
ma regra é o sistema do livre convencimento motivado ou sistema de persuasão 
racional; neste sistema, o magistrado aprecia a prova de maneira livre, sem estar 
vinculado a qualquer outra coisa, necessitando somente que fundamente esta 
decisão (art. 155 do CPP).
Existem outros sistemas excepcionais de apreciação: temos o chamado 
sistema da íntima convicção do julgador (aplicado ao júri, relativo que sua 
decisão não necessita motivação) e da prova legal, também conhecido como 
tarifado, ocorre porque a lei define como a prova tem que ser feita em deter-
minada citação. Exemplo: prova da morte, que tem que ser feita por meio de 
certidão de óbito (art. 62 do CPP). 
2. Ônus da Prova e Prova Emprestada
2.1 Apresentação
Nesta unidade, continuando o estudo das provas, veremos como ocorrem 
o ônus da prova e a prova emprestada.
2.2 Síntese
O ônus da prova está previsto no CPP, mas a prova emprestada não.
Em relação ao ônus da prova, segundo a melhor doutrina, a parte terá a 
faculdade de provar o que alegou.
Pelo próprio procedimento do CPP, quem alega primeiro é a acusação e 
após a defesa, em regra, quem alega deve provar, mas isto não vincula que o 
ônus da prova é da alegação.
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Em geral, a acusação deve provar a autoria e a materialidade delitiva, algo 
básico; já a defesa terá o ônus da prova somente se alegar fato impeditivo, modi-
ficativo ou extintivo do direito do autor. Ex.: o defensor e o acusado deverão pro-
var, quando alegam, uma excludente de ilicitude como a legítima defesa, uma 
excludente de culpabilidade ou mesmo uma causa extintiva de punibilidade.
O plano de fundo do ônus da prova ainda é o princípio da verdade real, e 
assim o magistrado poderá de ofício realizar prova antes mesmo de iniciada a 
ação penal, segundo o art. 156 do CPP.
Se a defesa não conseguir provar o que alegou, mesmo assim o réu poderá 
ser absolvido; por exemplo, no caso em que a acusação não prova a autoria do 
crime, pelo princípio da presunção de inocência.
A prova em regra é realizada para gerar efeitos em um determinado proces-
so quanto ao empréstimo desta a um outro processo; existem duas correntes. 
A corrente majoritária entende possível este empréstimo, desde que o processo 
onde ela foi promovida e no processo em que ela será emprestada tenha as 
mesmas partes, e que a parte que acusa tem que ter participado, respeitando 
o contraditório; assim, por exemplo, não se pode emprestar prova de inquérito 
policial. A corrente minoritária entende também ser possível, desde que haja as 
mesmas partes e que os processos tramitem perante o mesmo juiz.
3. Provas Inadmissíveis
3.1 Apresentação
Nesta unidade, continuando com estudo das provas, veremos as conse-
quências das provas ilícitas, proibidas ou inadmissíveis.
3.2 Síntese
Prova proibida ou inadmissível é gênero, que tem por espécies: prova ilícita 
e prova ilegítima.
Ilícita é aquela que afronta norma de direito material.
Ilegítima é aquela que afronta norma de direito processual.
Esta classificação é doutrinária; na lei, não temos esta classificação, temos 
somente a seguinte determinação: são inadmissíveis no processo as provas pro-
duzidas por meios ilícitos (art. 5º, LVI, da CF e art. 157 do CPP).
\u201cArt. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as 
provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucio-
nais ou legais.\u201d Exemplo: imagine que alguém pratique tortura no investigado 
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e este confesse a prática do fato. A Lei nº 4.898, de 1965, diz que tortura é 
crime e, em razão desta, houve uma confissão, assim esta prova é ilícita. Outro 
exemplo: grampo telefônico sem autorização judicial (crime do art. 10 da Lei 
nº 9.296/1996).
Exemplo de prova ilegítima: