OAB -2° Fase- DPP
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no plenário do júri, ninguém pode apresentar 
documento caso não tenha juntado aos autos anteriormente, com no mínimo 
três dias úteis de antecedência, isto fere o art. 479 do CPP.
Outro exemplo: pessoas impedidas de depor, disposto no CPP. 
4. Provas Ilícitas por Derivação
4.1 Apresentação
Nesta unidade, continuando com o estudo das provas, veremos como 
ocorre a prova ilícita por derivação e casos onde a prova inicialmente 
ilícita pode ser aplicada.
4.2 Síntese
A prova ilícita por derivação (art. 157, § 1º, do CPP) é aquela que por si 
só é licita, porém, decorreu da produção de uma prova ilícita. Exemplo: hou-
ve uma interceptação clandestina, proibida; é ouvido nesta interceptação que 
existe uma única testemunha do crime, e assim chega-se a este que presta teste-
munho por meio ilícito, com intuito de produzir prova ilícita. Esta não poderá 
ser utilizada, sendo considerada também como prova ilícita. Isto é chamado de 
frutos da árvore envenenada, derivada da suprema corte americana. 
A teoria da fonte independente ou teoria da descoberta inevitável (art. 157, 
§§ 1º, segunda parte, e 2º do CPP):
No mesmo exemplo anterior, a prova testemunhal é ilícita por derivação, 
porém, antes de realizar esta interceptação, já havia sido ouvida outra teste-
munha que disse a respeito da testemunha que também foi observada na in-
terceptação clandestina. Isto é chamado de fonte independente ou descoberta 
inevitável. Exemplo: caso alguém seja torturado e confesse a prática de um 
fato, dizendo, por exemplo, onde está a arma do crime; assim, antes de verificar 
esta alegação, outra equipe de polícia encontra esta arma. 
Capítulo 10
Prisões
1. Prisão em Flagrante
1.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos as formas de prisão e iniciaremos a análise 
da prisão em flagrante.
1.2 Síntese
Prisão em flagrante, arts. 301 a 310 do CPP:
No Brasil, qualquer pessoa pode prender outra em flagrante: o povo tem a 
faculdade de fazê-lo (exercício regular de direito) e as autoridades têm o dever 
(estrito cumprimento de dever legal \u2013 art. 301 do CPP). 
Qualquer pessoa que esteja em situação de flagrância pode ser presa em 
flagrante, com algumas ressalvas, juízes, membros do MP, senadores, deputa-
dos federais e estaduais, e políticos em geral deste gabarito, em geral, não serão 
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presos em flagrante delito, salvo no caso de cometer crimes inafiançáveis. As es-
pécies de flagrante são as elencadas no art. 302 do CPP, nos seus quatro incisos:
I \u2013 está cometendo a infração penal: verbo estar, flagrante ao vivo. Segundo 
a doutrina, é conhecido como flagrante próprio, real ou perfeito;
II \u2013 acaba de cometer a infração penal: verbo acabar, aqui o indivíduo não 
executa o crime, mas acabou a execução. Esta espécie é chamada também de 
flagrante próprio, segundo a doutrina;
III \u2013 é perseguido logo após a infração penal e preso: aqui, há duas conjun-
ções, perseguir e logo após, devendo ser esta perseguição ininterrupta, mesmo 
que quem persegue tenha perdido de vista aquele que está perseguindo, deven-
do ocorrer imediatamente após a prática do crime. Pela doutrina, é conhecido 
como flagrante impróprio, imperfeito ou quase flagrante;
IV \u2013 é encontrado logo depois: novamente, há uma conjunção, encontrado 
e logo depois, com instrumentos, objetos, papéis, armas, etc. que faça presumir 
que este tenha cometido o crime. Chamado de flagrante ficto ou presumido.
2. Flagrante em Crime Permanente, Crime 
Habitual \u2013 Auto de Prisão em Flagrante e 
Entrega de Nota de Culpa
2.1 Apresentação
Nesta unidade, continuando com as prisões, veremos como ocorre o 
flagrante em crime permanente e em crime habitual.
2.2 Síntese
O flagrante em crime permanente é aquele em que sua consumação se 
prolonga através do tempo. Exemplo: sequestro, é possível a qualquer tempo 
até que cesse esta permanência \u2013 art. 303 do CPP.
Tem-se a discussão acerca da prisão em flagrante no crime habitual, já que 
não há previsão legal para tanto.
Crime habitual é aquele que para que seja formado é necessária a reitera-
ção de vários atos. Exemplo: manutenção de casa de prostituição.
Segundo a doutrina majoritária, não pode ocorrer esta prisão, pois que o 
que se flagra é o momento e não a habitualidade, este fundamento é o que 
prevalece. Existem outros doutrinadores que entendem que de maneira excep-
cional poderia haver esta prisão, porém, esta corrente é minoritária.
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O preso em flagrante deve ser levado para a delegacia de polícia, a fim de 
que seja lavrado o auto de prisão em flagrante, que é o ato que formaliza ou 
documenta esta prisão; é lavrado exclusivamente pelo delegado de polícia.
Todo flagrado tem direito que lhe seja entregue a chamada nota de culpa. 
Este documento dá ciência ao flagrado dos reais motivos de sua prisão, e deve 
ser entregue no prazo de 24 horas ao flagrado, contados da captura. A falta des-
te documento gera ilegalidade na prisão, devendo esta ser relaxada. Também 
no prazo de 24 horas deve haver a comunicação do flagrante para a autoridade 
judiciária, magistrado, e, caso o flagrado não possua advogado, também deve 
ser enviada cópia do auto de prisão em flagrante para a defensória pública.
Costuma cair na OAB o chamado flagrante preparado ou provocado, que 
é entendido como flagrante ilegal; segundo a Súmula nº 145 do STF e art. 5º, 
LXV, da CF, a preparação do flagrante torna-se impossível sua consumação.
Também é ilegal o chamado flagrante forjado, fabricado ou maquinado, 
que ocorre quando quem é preso não pratica conduta alguma, sendo vítima de 
abuso de autoridade.
O flagrante esperado é legal, e ocorre quando já se sabe que alguém irá 
cometer o crime, e assim espera-se que este comece para que se efetue a prisão.
3. Prisão Preventiva
3.1 Apresentação
Nesta unidade, continuando com o estudo das prisões, veremos como 
ocorre a prisão preventiva.
3.2 Síntese
Pontos relevantes: só pode ser decretada pela autoridade judiciária (com-
petência); esta pode ser decretada de ofício, mediante requerimento do MP, 
mediante requerimento do querelante ou mediante representação da autori-
dade policial.
Momento: desde a fase de investigação e pode durar até antes do trânsito 
em julgado. 
Esta prisão não será decretada quando estivermos tratando de uma hipótese 
de excludente de ilicitude (legítima defesa, estado de necessidade, etc.) \u2013 art. 
314 do CPP.
Também não será decretada esta prisão para os crimes culposos e contra-
venções penais.
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Veremos agora os requisitos para a fundamentação de uma prisão preventiva:
Indícios de autoria ou de participação do crime e prova de materialidade 
delitiva: em regra, só será decretada para crimes apenados com reclusão. Mas, 
excepcionalmente, poderá ser decretada prisão preventiva em crimes apenados 
com detenção quando o investigado se tratar de pessoa vadia ou quando não 
fornecer elementos de sua identificação.
Para ser decretada, é necessário, ainda, estar fundamentada em garantia 
da ordem pública (manutenção da paz e tranquilidade social), garantia da or-
dem econômica (lei antitruste de 1994, indivíduo que reiteradamente comete 
crimes contra a ordem econômica), por conveniência da instrução criminal 
(ameaça testemunhas, tenta subornar testemunhas, ameaça o RMP, etc.) e para 
assegurar a aplicação da lei penal (ex.: risco de fuga do indivíduo, demonstrado 
por circunstâncias inerentes a este, como tirar passaporte, etc.).
A prisão preventiva só pode ser decretada quando esta for devidamente fun-
damentada (art. 315 do CPP).
Estes requisitos são encontrados nos arts. 312 e 313 do CPP. 
Exercício
17. Uma prisão preventiva uma vez decretada pode ser revogada? 
5. Liberdade Provisória