OAB -2° Fase- DPP
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5.1 Apresentação
Nesta unidade, continuando o estudo das prisões, veremos como ocorre a 
hipótese da liberdade provisória.
5.2 Síntese
Para haver a liberdade provisória, será necessário que haja prisão em fla-
grante legal.
O flagrante pode ser legal materialmente ou formalmente. Na delegacia, é 
lavrado o auto de prisão em flagrante. A partir desse momento, há o flagrante 
formal.
Se o flagrante for forjado, será ilegal materialmente. Caso seja levado à 
delegacia e não for entregue a nota de culpa ao flagrado, que dá ciência a esse 
preso dos reais motivos da prisão e formaliza o ato da prisão em flagrante, nesse 
caso, o flagrante será formalmente ilegal.
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É necessário que o flagrante seja legal materialmente e formalmente.
A liberdade provisória no Brasil é encontrada na Constituição no art. 5º, 
inciso LXVI, e no CPP, art. 310, inciso III. 
A única autoridade que concede liberdade provisória é a judiciária, o ma-
gistrado.
O indivíduo é preso em flagrante legal materialmente, o auto de prisão em 
flagrante foi lavrado de forma legal. Após lavrado, é enviado ao magistrado. Se 
o magistrado entender que não é caso de decretação de prisão preventiva ou 
de medidas cautelares do art. 319 do CPP, como é uma prisão legal, de ofício, 
sem necessidade de requerimento de advogado, o juiz concederá a liberdade 
do indivíduo. 
Se a prisão fosse ilegal, o advogado pediria o relaxamento da prisão em 
flagrante. Não restará outra alternativa ao magistrado, senão a concessão da 
liberdade ao preso.
Após a reforma do Código de Processo Penal, ninguém mais fica preso 
durante o flagrante, isto é, ou se decreta a prisão preventiva ou será libertado.
6. Liberdade Provisória e Fiança
6.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos a liberdade provisória e a fiança.
6.2 Síntese
Liberdade provisória é um instituto utilizado para libertar o indivíduo antes 
do trânsito em julgado. Esta liberdade pode ocorrer com ou sem fiança.
No Brasil, os crimes afiançáveis são aqueles em que cabe fiança com pena 
mínima em abstrato de até dois anos, e os inafiançáveis são os crimes com 
pena mínima em abstrato superior a dois anos, e aqueles crimes em que haja 
previsão legal neste sentido.
A liberdade provisória pode ocorrer com ou sem o pagamento da fiança, 
mesmo que este crime seja inafiançável. 
É cobrado em provas se pela Lei nº 8.072, Lei dos Crimes Hediondos, 
cabe ou não cabe fiança. O art. 2º diz que não cabe fiança, mas não é vedada 
a liberdade provisória. 
Assim, em crimes hediondos, é possível a liberdade provisória, porém, sem 
o pagamento da fiança.
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Questão polêmica: cabe liberdade provisória para tráfico de drogas? Fiança 
não é cabível, pois a pena mínima é de 5 anos e, segundo o art. 44 da Lei de 
Drogas, não caberá liberdade provisória. 
No entanto, o STF disse que mesmo que a lei proíba, é possível a liberdade 
provisória, devendo ser analisado o caso concreto, sendo em desfavor do art. 
44, dizendo que não pode ser interpretado literalmente. O STF já declarou 
inconstitucional parte desde artigo no HC nº 97.256, no que se refere à substi-
tuição da pena PPL para a PRD. Assim, talvez, logo este artigo será declarado 
inconstitucional em sua totalidade.
A fiança: crime apenado com detenção pode ser concedida pela autoridade 
policial, contudo, nos crimes apenados com reclusão somente o magistrado 
poderá conceder fiança.
7. Medidas Cautelares
7.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos as medidas cautelares.
7.2 Síntese
As medidas cautelares estão presentes nos arts. 282, 283, 319 e 320 do CPP. 
O espírito das medidas cautelares é para que não haja a decretação da pri-
são preventiva, e para que o indivíduo não fique em liberdade sem que haja 
uma medida aplicada contra ele. É o meio-termo entre a liberdade e a prisão 
preventiva.
Essas medidas cautelares são aplicadas desde que o juiz fundamente a deci-
são em necessidade e adequação.
Deve ser necessária para a aplicação da lei penal, para a investigação ou 
instrução criminal, a fim de evitar a prática de novas infrações penais e para a 
adequação às circunstâncias do fato ou à gravidade do crime.
Só o magistrado pode decretar as medidas cautelares e, de ofício, quando 
houver pedido do MP ou representação da autoridade policial ou requerimen-
to das partes.
As medidas cautelares podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente.
Só são cabíveis as mediadas cautelares em crimes ou infração penal que te-
nham pena privativa de liberdade, ou seja, reclusão, detenção ou prisão simples.
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São 9 medidas cautelares no Brasil. Rol taxativo previsto no art. 319 do CPP:
\u201cArt. 319. São medidas cautelares diversas da prisão: 
I \u2013 comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas 
pelo juiz, para informar e justificar atividades;
II \u2013 proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por 
circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado permanecer 
distante desses locais para evitar o risco de novas infrações;
III \u2013 proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por 
circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela perma-
necer distante;
IV \u2013 proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja con-
veniente ou necessária para a investigação ou instrução; 
V \u2013 recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando 
o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos;
VI \u2013 suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza 
econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para 
a prática de infrações penais;
VII \u2013 internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados 
com violência ou grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável 
ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração;
VIII \u2013 fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o compareci-
mento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de 
resistência injustificada à ordem judicial;
IX \u2013 monitoração eletrônica.\u201d
Capítulo 11
Recursos
1. Teoria Geral do Recurso \u2013 Introdução
1.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos recursos, mais precisa-
mente fazendo-se uma introdução ao assunto.
1.2 Síntese
Temos algumas espécies de decisões no processo penal, que não são as mes-
mas relacionadas no CPC.
No CPP, há figura do despacho, que é irrecorrível. O agravo no processo 
penal é uma figura prevista na Lei de Execução Penal.
Temos os despachos, decisões interlocutórias simples ou mistas, sentença e 
decisões com força definitiva.
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O CPC, em seu art. 162, traz três espécies de decisões, enquanto o CPP 
traz cinco espécies. 
De decisão interlocutória simples, a rigor, não cabe recurso. De decisão 
interlocutória mista, cabe Rese e, de sentença e decisão definitiva, cabe ape-
lação.
Temos também a figura da carta testemunhável e do agravo em execução.
Há dois conceitos importantes. A decisão definitiva é a decisão que põe fim 
a um processo incidente, como o incidente de insanidade mental. 
A decisão interlocutória mista é uma decisão que põe fim a uma fase do 
procedimento, como na pronúncia, ou uma decisão que encerra a relação pro-
cessual de forma anormal, sem julgar o mérito. 
2. Teoria Geral do Recurso
2.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos recursos, mais precisa-
mente a respeito da teoria geral dos recursos.
2.2 Síntese
Recurso pode ser definido de duas formas: a primeira é que o recurso é o 
desdobramento do direito de ação ou de defesa