OAB -2° Fase- DPP
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habilitado como assistente, 
e quiser recorrer para aumentar a pena, poderá.
Outro requisito é a figura da inexistência de fato impeditivo. Se um defen-
sor renuncia ou desiste de recurso, este recurso não pode ser admitido. 
Exercício
19. (MPU \u2013 Analista \u2013 2007) A respeito dos recursos em geral no proces-
so penal é correto afirmar:
a) O Ministério Público pode desistir do recurso que haja interpos-
to, desde que o faça de forma fundamentada;
b) O recurso não pode ser interposto pelo réu pessoalmente, por 
falta de capacidade postulatória;
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c) Pode interpor recurso a parte que não tiver interesse na reforma 
ou modificação da decisão;
d) A parte, salvo hipóteses de má-fé, não será prejudicada pela in-
terposição de um recurso por outro;
e) No caso de concurso de agentes, em nenhuma hipótese, o re-
curso interposto por um dos réus pode aproveitar aos outros.
7. Apelação \u2013 Parte I
7.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos recursos, mais precisa-
mente a respeito da apelação.
7.2 Síntese
O requisito da fundamentação traz que todos os recursos devem trazer seus 
fundamentos.
De acordo com o art. 593, I, II e III do CPP: 
\u201cCaberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: I \u2013 das sentenças definitivas 
de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular; II \u2013 das decisões de-
finitivas, ou com força de definitivas, proferidas por juiz singular nos casos não 
previstos no Capítulo anterior; III \u2013 das decisões do Tribunal do Júri, quando: 
a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia; b) for a sentença do juiz-presidente 
contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados; c) houver erro ou injustiça no 
tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança; d) for a decisão dos 
jurados manifestamente contrária à prova dos autos.\u201d
O inciso III trabalha com decisões do Tribunal do Júri. A alínea \u201ca\u201d traz 
que, feito o pregão no Tribunal, deverá ser alegada a nulidade. 
A alínea \u201cb\u201d traz, por exemplo, um fato de que ou o juiz \u201crasgou\u201d a lei ou 
\u201crasgou\u201d a decisão dos jurados. 
De acordo com o § 1º: \u201cSe a sentença do juiz-presidente for contrária à lei 
expressa ou divergir das respostas dos jurados aos quesitos, o tribunal ad quem 
fará a devida retificação.\u201d
A alínea \u201cd\u201d tem um problema sério, pois hoje só se pergunta aos jurados 
se absolvem ou condenam o réu, sem que haja quaisquer fundamentos. Assim, 
não há como saber o motivo de os jurados ter adotado determinada postura.
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Em relação à apelação no processo civil, se as razões não forem apresenta-
das de imediato, o juízo de admissibilidade será negativo. O CPP traz o proce-
dimento em duas fases, se interpõe primeiro e depois se apresentam as razões, 
existem prazos distintos.
A Lei nº 9.099/1995 trata do Juizado Especial Criminal e prevê a figura da 
apelação, mas foge à lógica do CPP.
O prazo para interpor é de cinco dias e para apresentar razões é de oito dias. 
Lembrando que defensor público possui prazo em dobro.
8. Apelação \u2013 Parte II
8.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos recursos, mais precisamen-
te a respeito da apelação, recurso em sentido estrito e agravo em execução.
8.2 Síntese
A apelação é um procedimento bifásico, pois há período para interpor e 
período para apresentar as razões, com exceção da Lei nº 9.099.
O art. 600, § 4º, diz que: \u201cSe o apelante declarar, na petição ou no termo, 
ao interpor a apelação, que deseja arrazoar na superior instância serão os autos 
remetidos ao tribunal ad quem onde será aberta vista às partes, observados os 
prazos legais, notificadas as partes pela publicação oficial.\u201d
Ressalta-se que, no Tribunal, quem tem atribuição não é o Promotor de 
Justiça, mas sim o Procurador.
Se a parte se valer do artigo, o Judiciário terá que baixar os autos para que o 
Promotor apresente as contrarrazões. 
Ainda, o CPP traz a figura do julgamento monocrático da apelação. Ocorre 
que o STJ entende válido acórdão em decisões monocráticas, em apelação ou 
habeas corpus.
O recurso em sentido estrito (Rese) tem o instrumento formado pelo juiz. 
O mais importante é que o rol é taxativo.
De acordo com o art. 581, V, temos o indeferimento de prisão preventiva. 
Para deferimento, cabe HC.
O inciso I e a Súmula nº 707 envolvem o contraditório. Se o juiz não rece-
be a denúncia, cabe Rese. Contudo, de acordo com a Súmula, primeiro deve-
-se dar ciência ao réu para que ele se manifeste e possa influenciar o Tribunal, 
a fim de que seja mantida a decisão que não aceitou a denúncia. 
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9. Rese
9.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos recursos, mais precisa-
mente a respeito do recurso em sentido estrito e agravo em execução.
9.2 Síntese
Conforme já dito anteriormente, a Súmula nº 707 consagra o contraditório, 
bem como a ampla defesa. Não pode o juiz usurpar o direito do réu de escolher 
seu defensor. 
O inciso VIII do art. 581 traz uma sentença, porém, impugnada via Rese. 
O inciso X também traz uma sentença, uma vez que dispõe que cabe Rese de 
decisão que conceder ou negar a ordem de habeas corpus. Tal decisão é de juiz 
de direito.
Também quanto ao Rese, há procedimento bifásico e não possui efeito sus-
pensivo, a não ser nos termos do art. 584. 
A Lei de Execução Penal, no art. 197 traz: \u201cDas decisões proferidas pelo 
Juiz caberá recurso de agravo, sem efeito suspensivo.\u201d
O STF entende que o agravo em execução parece um agravo, mas não 
é. Inclusive, o prazo para interposição é de cinco dias. Seu procedimento é o 
mesmo do Rese.
Os incisos XVII, XIX, XX, XXI, XXII, XXIII do art. 581 foram derrogados.
Da pronúncia do réu, cabe Rese, mas atenção ao art. 416, que traz que de 
sentença de impronúncia e absolvição sumária cabem recurso de apelação.
Se a denúncia for recebida e o réu citado, em sede de resposta, a acusação 
consegue convencer o juiz, que o absolve sumariamente; da decisão, cabe re-
curso de apelação. 
Se o réu for pronunciado, caberá Rese. Se o recurso for conhecido e provi-
do, ocorrerá a despronúncia.
10. Carta Testemunhável e Embargos
10.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos recursos, mais precisa-
mente a respeito da carta testemunhável e embargos.
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10.2 Síntese
Os embargos de declaração estão previstos no art. 619 do CPP, em relação 
aos acórdãos. O art. 382 do CPP prescreve os embargos de declaração de 
sentença. 
Ressalta-se que os embargos de declaração cabem de qualquer decisão que 
tenha conteúdo decisório. 
Embargos de declaração com efeitos infringentes ou modificativos, apesar 
de existir resistência dos Tribunais Superiores (STJ e STF), em situações como 
um juiz que não reconheceu prescrição, por exemplo, admite-se tais efeitos.
De qualquer forma, deve ser assegurado o contraditório, deve o embargante 
pedir intimação do embargado.
Temos os embargos infringentes e de nulidade, de acordo com o parágrafo 
único do art. 609 do CPP: \u201cQuando não for unânime a decisão de segunda 
instância, desfavorável ao réu, admitem-se embargos infringentes e de nulida-
de, que poderão ser opostos dentro de 10 (dez) dias, a contar da publicação de 
acórdão, na forma do art. 613. Se o desacordo for parcial, os embargos serão 
restritos à matéria objeto de divergência.\u201d
Na carta testemunhável, há duas hipóteses de cabimento: para que o recur-
so suba e quando há decisão que denega o recurso. 
De acordo com o art. 639: \u201cDar-se-á carta testemunhável: I \u2013 da decisão 
que denegar o recurso; II \u2013 da que, admitindo embora o recurso, obstar a sua 
expedição e seguimento para o juízo ad quem.\u201d
Ocorre que, de decisão que impede, por exemplo,