OAB -2° Fase- DPP
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deve se admitir ponderações, 
desde que a admita como princípio. Como regra, não admitirá ponderação: ou 
se aplica, ou não se aplica.
Os princípios são normas jurídicas coativas, muitas vezes, com alto grau de 
abstração, mas que permitem a ponderação jurídica.
As regras não admitem a ponderação. Podem ou não ser aplicadas. Se não 
se aplicam, haverá sempre outra regra que a excepcionará.
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O processo penal não pode ser pautado apenas por regras; ele precisa de 
elasticidade. Exemplo: a regra de proibição das provas ilícitas incriminadoras. 
Não há regra de proibição para provas ilícitas que beneficiem o réu. Em razão 
do Princípio do Estado de Inocência, este limite ético de processo transigirá, per-
mitindo que o inocente seja absolvido, mesmo se valendo de uma prova ilícita.
Um sistema pautado só por regras é rígido; já o fundado em princípios é 
flexível.
Não existe um sistema puro só de regras ou só de princípios.
Não se entende a legalidade como princípio, pois não se pode permitir 
ponderação com a legalidade.
A legalidade dita que é permitido fazer tudo aquilo que não estiver proibido 
em lei. Esta é uma regra; se não houver cumprimento da legalidade, não ha-
verá segurança jurídica.
2. Persecução Penal
2.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos a persecução penal.
2.2 Síntese
A persecução penal pode ser inquisitiva ou obrigatória.
No modelo inquisitivo, o réu não é visto como sujeito de direitos, e sim 
como objeto de onde se deve extrair a prova; por esse motivo, a confissão era a 
rainha das provas.
No modelo acusatório, temos a premissa de que o processo é composto por 
autor, réu e juiz. No momento em que o réu é visto como sujeito de direitos 
terá tratamento condizente, não podendo ser torturado, por exemplo. 
A CF traz o princípio da dignidade da pessoa humana: é o lugar de onde se 
irradiam os princípios constitucionais.
O art. 129, I, aponta que a figura do julgador não deve acusar, sendo este 
papel destinado a outro ente, o Ministério Público.
Alguns doutrinadores entendem que temos modelo misto, mas tal posicio-
namento é equivocado.
Conforme já mencionado, a primeira característica do modelo acusatório 
é a separação da figura do juiz e do acusador. A segunda é que não pode o juiz 
caçar prova a todo custo; cabe ao titular da ação penal provar o alegado. 
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A terceira característica traz a sentença, pois se o Ministério Público pede 
absolvição, não pode o juiz condenar o réu. Nota-se que a CF prevalece sobre 
o CPP.
Assim, temos que o modelo constitucional é o modelo acusatório de per-
secução penal, pois há separação das funções, gestão da prova e a figura da 
sentença.
3. Da Ampla Defesa
3.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos princípios, mais precisa-
mente a respeito da ampla defesa. 
3.2 Síntese
O primeiro direito do réu é de se defender; não pode o Estado de direito 
permitir que o juiz vire um justiceiro (art. 5º da CF).
A ampla defesa comporta três subdivisões: autodefesa, defesa técnica e de-
fesa efetiva.
A autodefesa é aquela exercida pelo próprio réu, no direito de audiência (di-
reito do réu ser ouvido pelo juiz), por exemplo. Ressalta-se que interrogatório é 
meio de defesa e não de prova.
Ainda, há o direto de presença, pois assegura ao réu presenciar todos os atos, 
onde quer que ocorram.
A terceira manifestação da autodefesa é o direito de confronto. A oitiva da 
vítima é um dado interessante, uma vez que quando esta possui algum temor, 
é preciso que se prove e que a decisão do juiz seja fundamentada. 
Ainda, o fato de retirar a vítima da sala de audiência significa ferir o direito 
de confronto, existe prejuízo.
O Pacto de São José da Costa Rica traz o direito de confronto em seu art. 
8º, item 2. 
A quarta manifestação é a capacidade postulatória excepcional. Temos a 
figura do recurso, que é diferente do processo civil. No processo penal, na inter-
posição, pode o réu interpor independentemente da vontade de seu advogado.
A revisão criminal também é um exemplo de capacidade postulatória ex-
cepcional, pois pode o réu encaminhar carta ao Tribunal de Justiça, por exem-
plo, cabendo ao defensor apresentar os fundamentos.
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O condenado também pode, caso queira, se manifestar ao juízo da execução. 
A defesa técnica reside na indagação de quem pode defender o réu. No 
Brasil, só pode ser exercida por advogado ou defensor público.
4. Da Ampla Defesa \u2013 Defesa Técnica
4.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos princípios, mais precisa-
mente a respeito da ampla defesa e da defesa técnica.
4.2 Síntese
A defesa técnica pode ser exercida por advogado ou defensor público. Nota-
-se que advogado não é sinônimo de defensor público; são carreiras diferentes.
O Estatuto da OAB é a lei que disciplina os advogados, ao passo que defen-
sor público é regido pela Lei Complementar nº 80 e pelas leis estaduais caso se 
trate de defensoria pública estadual.
Se o advogado fizer algo errado em um processo, responde perante o Tribu-
nal de Ética, enquanto o defensor responde em sua Corregedoria.
Ainda, há distinção do diploma que rege a relação. O advogado pode 
renunciar ao mandato e o defensor não, a não ser que haja suspeição ou 
impedimento. 
A Lei Complementar nº 80, de 1994, traz que a capacidade postulatória 
do defensor público decorre de sua posse, não sendo necessária sua inscrição 
na OAB.
É necessário saber que o réu não pode ser processado criminalmente sem 
sua defesa técnica; sua falta causa nulidade absoluta.
Em uma situação em que o réu não possui defensor, em caso de júri, o juiz 
deve dissolver o conselho de sentença, intimar o réu a constituir novo defensor 
e, na hipótese de inércia deste, encaminhar à defensoria dativa ou defensoria 
pública.
O réu tem direito de escolher seu defensor; caso seja privado dessa escolha 
também há nulidade.
Réu com defesa ruim, em que o advogado, por exemplo, pede sua con-
denação, em se tratando de defesa dativa, a nulidade é absoluta. Porém, se é 
defesa constituída, é preciso que se prove, uma vez que se trata de nulidade 
relativa.
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Deve o réu buscar todos os meios para absolvê-lo, inclusive os meios ilícitos 
são tolerados, o que não é o mesmo que prova ilícita. Exemplo: réu sabe que 
em uma residência há documento que comprova sua inocência e invade o 
domicílio. Não poderá ser responsabilizado pela invasão, uma vez que busca 
provar que é inocente.
5. Contraditório
5.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos princípios, mais precisa-
mente a respeito do contraditório.
5.2 Síntese
A ampla defesa, na fase inquisitiva, de acordo com a doutrina majoritária, 
não é obrigatória, pois será exercida no processo penal. Contudo, o art. 306, 
§ 1º, do CPP traz a ampla defesa.
Assim, alguns autores entendem que há ampla defesa na fase inquisitiva, 
porém, em menor grau. Um exemplo é o fato de que o indiciado pode se calar 
para não se autoincriminar. 
Quanto ao contraditório, temos a ciência do ato, possibilidade de se ma-
nifestar e possibilidade de influenciar a decisão judicial. Se a sentença estiver 
pronta, não haverá como influenciar a decisão.
Ressalta-se que causa defensiva não apreciada causa nulidade. O contradi-
tório deve ser observado em todo o processo, inclusive com a reforma de 2008 
começou a se permitir a resposta à acusação. 
Se o réu não for citado, deverá ser intimado da decisão e se não constituir 
advogado será permitido o encaminhamento à defensoria pública. De acordo 
com o STF, não se pode julgar recurso sem manifestação do polo passivo da