OAB -2° Fase- DPP
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ação penal.
Há quem aponte a ampla defesa e o contraditório como sinônimos. Con-
tudo, a ampla defesa é restrita ao réu e o contraditório é exercido pela defesa, 
porém, a acusação também o exerce. 
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6. Juiz Natural, Promotor Natural e Defensor 
Natural
6.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos princípios, mais pre-
cisamente a respeito do Juiz Natural, Promotor Natural e Defensor 
Natural.
6.2 Síntese
Há três princípios que se relacionam. 
O princípio do juiz natural consiste no fato de que ninguém pode ser acu-
sado por órgão jurisdicional de exceção.
O órgão jurisdicional deve ser anterior ao crime e ter competência também 
anterior ao crime.
Em São Paulo, para agilizar os processos, foram criadas Câmaras Criminais 
(B, C e D), as quais eram compostas por quatro juízes de direito e um desem-
bargador. Ocorre que o juiz de direito não tem competência para julgar ape-
lação. O STF convalidou essa prática, permitindo que tais Câmaras julguem 
os recursos. 
O princípio do promotor natural veda a figura do acusador de plantão. 
Todo réu teria assegurado o direito de ser acusado e processado por aquele 
promotor com atribuição anterior ao cometimento do crime. 
Doutrinariamente, não há dúvida quanto à existência do princípio, porém, 
o STF reconheceu, em certos momentos, mas, recentemente, vem afirmando 
que não seria um princípio constitucional, mas, sim, um princípio legal. 
Quanto ao princípio do defensor natural, temos que assim como não pode 
a instituição do Ministério Público escolher o acusador, não pode a defensoria 
pública escolher o defensor. 
Não pode também o assistido escolher seu defensor, pois violaria o princí-
pio do defensor natural.
O princípio da legalidade também existe no processo penal. Reconhecer a 
legalidade como princípio significa reconhecer o réu como sujeito de direito 
e que o processo penal não é instrumento de vingança pública, mas sim de 
efetivação de direitos fundamentais.
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7. Estado de Inocência
7.1 Apresentação
Nesta unidade, será realizado estudo acerca dos princípios, mais precisa-
mente a respeito do estado de defesa.
7.2 Síntese
Ninguém é considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença 
penal condenatória. Não se trata de uma presunção, mas sim de estado de 
inocência.
O estado de inocência não é novo; está positivado desde o século XIX no 
Brasil.
O estado de inocência pode ser dividido em três regras. A primeira é que 
o réu não pode ser tratado como culpado até que haja trânsito em julgado de 
sentença condenatória. Exemplo: em juízo, no Tribunal do Júri, levar a figura 
do réu algemado fere o estado de inocência. 
A segunda regra é uma regra de prova. Não cabe ao réu provar nada, a carga 
probatória é do Ministério Público, até mesmo quando o réu alega quaisquer 
excludentes.
A terceira regra é de julgamento: in dubio pro reo, ou seja, na dúvida, deve 
o réu ser absolvido. 
Os princípios devem sempre ser observados, durante todo o processo, uma 
vez que deve sempre ser buscado o processo justo. 
É preciso que as garantias e direitos fundamentais sejam buscados, a fim de 
se evitar um processo injusto.
Exercício
2. Por meio de quais princípios processuais seria possível questionar a 
excessiva exposição na mídia?
Capítulo 3
Ação Penal
1. Ação Penal
1.1 Apresentação
Nesta unidade, iniciaremos o estudo da ação penal, observando duas 
espécies de princípios.
1.2 Síntese
Esta matéria é encontrada nos arts. 24 a 62 do CPP e 100 a 106 do CP, 
bem como no art. 129 da CF e nas Súmulas nos 608, 609, 696 e 714 do STF 
e 234 do STJ.
Não há diferença entre as ações penais, mas há diferença entre sua titulari-
dade; sendo assim, existem duas espécies: iniciativa pública e iniciativa privada.
Iniciativa pública é subdividida em: ação penal pública incondicionada e 
condicionada.
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Iniciativa privada é subdividida em: iniciativa privada exclusiva, personalís-
sima e subsidiária da pública.
A ação penal pública incondicionada ocorre quando a lei, o tipo penal ou 
o capítulo que tratam de um crime ficam em silêncio sobre a ação penal. Isso 
significa que, no silêncio, será ação penal pública incondicionada, não sendo 
imposto qualquer requisito.
Ação penal pública condicionada ocorre quando a lei, expressamente, es-
tabelece que aquele crime só se procede mediante representação da vítima ou 
de seu representante legal, ou ainda condicionada a requisição do Ministro da 
Justiça, que ocorre em duas hipóteses: crimes cometidos contra honra do pre-
sidente da República ou de chefe de governo estrangeiro, e quando o crime é 
cometido por estrangeiro contra brasileiro, fora do território nacional.
A ação penal pública, como um todo, possui princípios que são: princípio 
da obrigatoriedade, princípio da indisponibilidade, princípio da intranscen-
dência e princípio da indivisibilidade. Pode-se citar também o princípio da 
oficialidade, mas isso não é pacífico na doutrina.
Princípio da obrigatoriedade: o membro do MP está obrigado a oferecer a 
ação penal quando entender que estão presentes indícios de autoria ou prova 
da existência do crime suficiente.
Princípio da indisponibilidade (art. 42 do CPP): após o oferecimento da 
denúncia, o membro do MP não pode desistir da ação penal.
Princípio da intranscendência: a ação penal só pode ser oferecida contra o 
indivíduo que de alguma forma participou do crime.
Princípio da indivisibilidade: o membro do MP pode oferecer denúncia 
contra um dos autores e não contra outros, quando não houver provas suficien-
tes, mas após obter ira oferecer denúncia. 
Princípio da oficialidade: existe um órgão oficial que deve oferecer a de-
núncia, ou seja, o MP (arts. 129, inciso I, da CF e 157 do CPP).
2. Ação Penal Pública Condicionada
2.1 Apresentação
Nesta unidade, continuando com o estudo das ações penais públicas, 
veremos a ação penal pública condicionada.
2.2 Síntese
Como vimos, a ação penal pública condicionada pode ser: condicionada 
à representação da vítima ou seu representante legal e mediante requisição 
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do Ministro da Justiça, em casos de crimes contra a honra do presidente da 
República ou chefe de governo estrangeiro, ou ainda em crimes cometidos por 
estrangeiros contra brasileiros fora do território nacional.
Em relação à representação, a lei deve impô-la e é uma hipótese ou con-
dição especial para o oferecimento da denúncia, condição de procedibilidade. 
Assim, sem ela, o MP não poderá oferecer a denúncia.
O prazo para a representação é de seis meses (arts. 38 do CPP e 103 do 
CP), contado do conhecimento da autoria delitiva (e não do fato). Este prazo 
é conhecido como prazo de decadência, ou seja, sua não observância importa 
a decadência, que é causa extintiva de punibilidade, nos termos do art. 107, 
inciso IV, do CP.
Havendo a representação, esta não vincula o membro do MP a oferecer 
denúncia, sendo que o critério de oferecimento é do representante do MP, já 
que esta é somente uma condição da ação penal.
Quem representa também pode se retratar da representação, que pode 
ocorrer até antes do oferecimento da denúncia (art. 25 do CPP).
Observação: em se tratando de crime praticado com violência doméstica 
e familiar, contra a mulher, que sejam de ação penal pública condicionada, a 
retratação pode ocorrer até antes do recebimento da denúncia, em audiência 
própria, perante o juiz, para preservar a mulher (art. 16 da Lei Maria da Penha 
nº 11.340/2006).
Quando falamos da representação, em relação ao menor de idade, não 
se tem capacidade de representar. Desta forma, será feito pelo representan-