OAB -2° Fase- DPP
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te legal. No entanto, no caso de conflito de interesses, entre a vítima e o 
representante legal, para a vítima será nomeado curador especial, que não 
necessita ser advogado e quando nomeado não tem a obrigação de oferecer a 
representação (já que tem apenas o interesse de defender a vítima), por força 
do art. 33 do CPP.
Na ação penal pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça, 
não se tem prazo, podendo ser feita a qualquer momento, desde que observado 
o prazo prescricional do crime. Há uma discussão doutrinária a respeito da 
retratação no caso de requisição do Ministro da Justiça.
O STJ e o STF nunca adentraram no tema; sendo assim, há duas correntes 
doutrinárias: uma entende a possibilidade da retratação da requisição e a 
outra entende que não, por falta de previsão legal. Pensando em benefício do 
réu, a melhor corrente seria a que permite a retratação.
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3. Denúncia \u2013 Prazo e Requisitos
3.1 Apresentação
Nesta unidade, iremos estudar a denúncia, observando os prazos e re-
quisitos desta.
3.2 Síntese
A denúncia é a petição inicial da ação penal, conhecida também como 
exordial acusatória, ou seja, é a peça que dá início à ação penal pública, seja 
condicionada ou incondicionada.
Esta denúncia deve conter requisitos ou elementos obrigatórios e, caso não 
os observe, ocorrerá a rejeição liminar, ou seja, não será aceita por inépcia.
Os requisitos necessários estão previstos no art. 41 do CPP e são: exposição 
de fato criminoso (com todas suas circunstâncias); realização da qualificação 
do acusado ou então esclarecimentos que possam individualizar esta pessoa 
(ex.: primeiro nome e apelido); classificação do crime (tipo penal que se imputa 
ao indivíduo. 
É necessário descrever o fato de maneira mais específica possível, para não 
ocorrer a denúncia genérica, ou seja, deve-se buscar uma individualização de 
cada conduta. A denúncia genérica deve ser rejeitada, por força de jurispru-
dência do STF.
Na denúncia, devem ser arroladas também as testemunhas de acusação, e 
não o fazendo incidirá a preclusão, podendo, após, o magistrado ouvi-las como 
testemunhas do juízo. 
A denúncia tem prazo, momento para ser oferecida e este prazo, em regra, 
é previsto no CPP no art. 46. Os prazos variam se o acusado está preso ou solto: 
se preso, o prazo será de cinco dias; se solto, o prazo será de quinze dias. 
Estes prazos são conhecidos como prazos impróprios, já que sua perda não 
gera a preclusão, ou seja, não gera perda do direito de oferecer a denúncia, 
podendo o MP fazê-la até conhecida a prescrição do crime, surgindo apenas a 
possibilidade da vítima propor a ação penal privada subsidiária da pública (arts. 
5º e 59 da CF, 29 do CPP e 100, § 3º do CP).
Há leis especiais que preveem prazos especiais para o oferecimento da de-
núncia, como a Lei de Drogas (11.343/2006), em que o prazo é de 10 dias, 
independente de o indivíduo estar preso ou solto (art. 54).
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4. Ação Penal Privada \u2013 Parte I
4.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos a ação penal de iniciativa privada, os princípios 
e as causas extintivas da punibilidade.
4.2 Síntese
O princípio da conveniência ou oportunidade é aquele em que a vítima, 
titular da ação, poderá ou não oferecer a inicial, a chamada queixa-crime.
Mesmo que existam indícios suficientes de autoria, ela poderá optar por 
oferecer ou não a queixa-crime.
Isso porque a ação é de iniciativa privada.
Se a vítima entender que é conveniente a ação penal, oferecerá a queixa-
-crime, se não, não a fará.
Causas extintivas da punibilidade que possibilitam exercer o princípio da 
conveniência:
I \u2013 Renúncia: abdicação do direito de oferecer a queixa-crime. A renúncia 
ao direito de queixa pode se dar de duas maneiras: expressa ou tácita.
A primeira é quando a renúncia é explícita e declarada. Na segunda, a tá-
cita, o indivíduo não declara a vontade de renunciar, mas significa a prática de 
atos incompatíveis com o interesse de oferecer a queixa-crime. Exemplo: casar 
com aquele que cometeu o crime contra a minha pessoa.
II \u2013 Decadência: é o não oferecimento da queixa-crime no prazo legal (art. 
107, IV, do CP). Em regra, o prazo será de 6 meses do conhecimento da autoria 
delitiva.
A disponibilidade ocorre quando já conhecida a autoria, mas, após oferecer 
a queixa-crime, desiste-se de prosseguir com a queixa-crime já oferecida.
Causas extintivas da punibilidade que possibilitam exercer o princípio da 
conveniência:
I \u2013 perdão do ofendido aceito: a vítima perdoa e o autor do crime aceita esse 
perdão. É um ato bilateral; precisa de manifestação dos dois lados. Atenção: o 
perdão pode ser expresso ou tácito, bem como a aceitação do perdão;
II \u2013 perempção: não fazer aquilo que deveria ser feito. É o desleixo (art. 60 
do CPP).
Na intransmissibilidade ou instranscendência ou pessoalidade, só poderá 
oferecer queixa-crime contra aquele que contribuiu de certa forma para a prá-
tica do crime.
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Na indivisibilidade, a vítima deve oferecer a queixa-crime contra todos 
aqueles que praticaram um delito e o MP vai zelar pela indivisibilidade. A víti-
ma deve oferecer a queixa contra todos aqueles que cometeram o crime. Não 
pode deixar ninguém de lado (art. 48 do CPP).
5. Ação Penal Privada \u2013 Parte II
5.1 Apresentação
Nesta unidade, falaremos da ação penal de iniciativa privada, de suas 
espécies e de seus prazos.
5.2 Síntese
Espécies de ação penal privada:
I \u2013 Exclusiva:
Ela é a regra entre as espécies. 
O artigo de lei ou as disposições finais do capítulo tratará(ão) que esse cri-
me se processará mediante queixa.
Quando a lei assim determinar, significa que o crime é de ação penal pri-
vada exclusiva.
Exemplo: crimes contra honra: calúnia, difamação, injúria (art. 145 do 
CP). Prazo de 6 meses contados a partir do conhecimento da autoria delitiva.
Não esquecer que o prazo penal conta o dia do começo e não o dia do final: 
conhecimento da autoria delitiva em 10 de janeiro, vencimento do prazo 9 de 
julho.
II \u2013 Personalíssima:
Atualmente, no Brasil, apenas o crime de induzimento de erro essencial 
ou ocultação de impedimento para casamento é processado por Ação Penal 
Privada Personalíssima (art. 236 do CP).
Prazo de 6 meses: mas só o cônjuge enganado poderá oferecer a queixa-
-crime.
Atenção: 6 meses contados do trânsito em julgado da sentença anulatória 
no juízo civil.
III \u2013 Subsidiária da pública:
O crime era de ação penal pública e o MP não se manifestou no prazo 
legal.
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No prazo do oferecimento da denúncia, o Promotor de Justiça deverá:
a) oferecer a denúncia;
b) pedir arquivamento do IP; e
c) requerer novas diligências, apontando quais.
Se no prazo de oferecimento da denúncia o MP ficou inerte, surgirá a 
possibilidade da ação penal privada subsidiária da pública (arts. 5º, LIX, da CF, 
art. 29 do CPP e art. 100, § 3º, do CP).
Prazo de 6 meses contados da data final que o MP tinha para oferecer a 
denúncia. Exemplo: MP tinha 15 dias para oferecer denúncia, se assim não 
fez, o 16º dia será o primeiro dia do prazo para oferecer queixa para ação penal 
privada subsidiária da pública. 
Capítulo 4
Jurisdição e Competência
1. Jurisdição e Competência \u2013 Introdução
1.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos jurisdição e competência.
1.2 Síntese
\u2013 Arts. 102, 105 e 109 da Constituição Federal.
\u2013 Arts. 69 a 91 do Código de Processo Penal.
A princípio, é importante entender a diferença entre jurisdição e compe-
tência.
Jurisdição é a função do Estado de aplicar a lei ao caso em concreto, dar 
uma solução justa e certa à lide apresentada. Todo magistrado possui jurisdi-