OAB -2° Fase- DPP
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dois crimes serão processados e julgados em 
um mesmo processo, porque um depende da prova do outro.
Continência (art. 77 do CPP):
I \u2013 Continência Concursal ou por Cumulação Subjetiva:
\u2013 se duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração, haverá con-
curso de agentes. Exemplo: um crime de roubo praticado por dois indivíduos.
Vínculo subjetivo entre os agentes: os dois serão processados pela mesma 
ação penal e serão processados no mesmo processo.
II \u2013 Continência por Cumulação Objetiva ou em razão de Concurso Formal:
\u2013 no caso da infração cometida nos arts. 70, 73 e 74 do CP. Cuidado, esse 
artigo está desatualizado no seu CPP.
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Concurso formal de crimes: com uma conduta se pratica dois ou mais crimes.
Em razão dos crimes resultarem de uma só conduta, eles serão processados 
e julgados em um mesmo processo.
Atenção: Essa matéria busca a unidade de processo e a unidade de julga-
mento busca o simultaneus processus.
Em caso de conexão entre crimes do júri e varas comuns, serão julgados 
todos os crimes no tribunal do júri.
A conexão e a continência não mudam a competência, mas sim prorrogam 
a competência.
Capítulo 5
Emendatio Libelli e Mutatio 
Libelli
1. Emendatio Libelli e Mutatio Libelli
1.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos a emendatio libelli e a mutatio libelli.
1.2 Síntese
Libelli vem de libelo, que vem de denúncia, queixa.
A emendatio libelli é emendar a inicial.
Mutatio libelli é mudar a inicial, mudar a denúncia ou queixa.
A emendatio libelli é encontrada no CPP, art. 383. A mutatio libelli, no art. 
384 do CPP.
\u201cArt. 383. O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia 
ou queixa, poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa, ainda que, em conse-
quência, tenha de aplicar pena mais grave. 
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§ 1º Se, em consequência de definição jurídica diversa, houver possibili-
dade de proposta de suspensão condicional do processo, o juiz procederá de 
acordo com o disposto na lei. 
§ 2º Tratando-se de infração da competência de outro juízo, a este serão 
encaminhados os autos.\u201d
\u201cArt. 384. Encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova de-
finição jurídica do fato, em consequência de prova existente nos autos de ele-
mento ou circunstância da infração penal não contida na acusação, o Ministé-
rio Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco) dias, se 
em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública, 
reduzindo-se a termo o aditamento, quando feito oralmente. 
§ 1º Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento, aplica-
-se o art. 28 deste Código. 
§ 2º Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o 
aditamento, o juiz, a requerimento de qualquer das partes, designará dia e hora 
para continuação da audiência, com inquirição de testemunhas, novo interro-
gatório do acusado, realização de debates e julgamento. 
§ 3º Aplicam-se as disposições dos §§ 1º e 2º do art. 383 ao caput deste 
artigo. 
§ 4º Havendo aditamento, cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemu-
nhas, no prazo de 5 (cinco) dias, ficando o juiz, na sentença, adstrito aos termos 
do aditamento
§ 5º Não recebido o aditamento, o processo prosseguirá.\u201d 
Por força da Súmula nº 453 do STF, a mutatio libelli não é aplicada em 
segunda instância, apenas em primeira.
Capítulo 6
Procedimentos
1. Rito Ordinário \u2013 Introdução
1.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos os procedimentos do processo penal e iniciaremos 
a introdução do rito ordinário.
1.2 Síntese
O rito ordinário é o rito principal, previsto nos arts. 395 a 405 do CPP. 
Aplicado para crimes com pena máxima em abstrato igual ou superior a quatro 
anos (art. 394 do CPP). Isto ocorre em regra.
Os ritos são regidos pela pena máxima em abstrato aplicada nos casos 
concretos.
Assim, há exceções no próprio CPP ou em leis especiais (após 2008); cri-
mes de competência do júri (sendo igual ou superior a quatro anos e não pos-
suirão o rido ordinário).
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O mesmo ocorre na Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas) que prevê rito es-
pecial para o crime de tráfico no art. 33, pena máxima em abstrato de 15 anos. 
O rito ordinário possui alguns atos bases: deve haver um fato criminoso 
que possua pena máxima em abstrato, que seja igual ou superior a quatro anos. 
Em regra, será apurado por meio de inquérito policial [o inquérito, como 
vimos, não é procedimento obrigatório (art. 4º a 23 do CPP)].
Após, teremos a oportunidade de oferecimento de ação penal (arts. 24 a 62 
do CPP e 100 a 106 do CP).
Rito ordinário \u2013 específico: ação penal é endereçada para o magistrado 
[quando isso ocorre, o magistrado poderá rejeitar essa ação penal, liminarmen-
te, ou não rejeitar; o art. 395 do CPP traz as hipóteses de rejeição liminar da 
ação penal (inépcia, falta de pressupostos processuais ou falta de condições 
para o exercício da ação penal e falta de justa causa), não havendo estas causas, 
o magistrado não rejeitará a ação liminarmente]. 
Prevalece na doutrina que, após isso, será gerado o recebimento da ação 
penal, precedido de decisões (HC nos 119.226 e 138.089). Sendo recebida, 
acontece a interrupção do prazo prescricional (primeira causa interruptiva, art. 
117, I, do CP, o prazo é zerado e começa a contar novamente dali em diante).
Não caberá recurso da não rejeição liminar da ação, caberá HC e da rejei-
ção caberá Rese (art. 581, I, do CPP. 
2. Rito Ordinário \u2013 Citação e Absolvição 
Sumária
2.1 Apresentação
Nesta unidade, continuaremos o estudo do procedimento do rito ordinário.
2.2 Síntese
Em continuação, caso o magistrado entenda por bem não rejeitar a ação 
penal, ele em sequência determinará a citação do acusado (arts. 396 e 351 a 
369 do CPP). Esta citação pode ser feita de três formas, segundo nosso orde-
namento jurídico:
\u2022	 citação pessoal ou real (in facien) é a regra: esta citação é externada por 
meio de mandado, expedição de carta precatória, rogatória ou ordinató-
ria de uma instância superior para uma inferior; 
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\u2022	 citação ficta ou presumida, citação por edital: será feita quando o acu-
sado não for encontrado; o prazo para esse edital ser fixado no fórum e 
em jornal de grande circulação é de 15 dias;
\u2022	 citação por hora certa: citação do acusado que se oculta para não ser ci-
tado, assim, este será citado por hora certa; o procedimento é o mesmo 
adotado no processo civil (arts. 227 a 229 do CPC); não há diferença ou 
exceção quanto à forma nestes processos.
Assim, após este indivíduo ser citado no Brasil por mandado (pessoalmen-
te) ou ainda citado por edital, comparecendo nos autos (ou constituindo de-
fensor), ou citado por hora certa, comparecendo nos autos (ou constituindo 
defensor) ou não comparecendo, o processo seguirá.
O réu então é citado para apresentar uma defesa, chamada de resposta 
escrita à acusação (art. 396-A do CPP); o prazo é de 10 dias (prazo processual 
contado nos termos do art. 798, § 1º, do CPC e Súmula nº 710 do STF, no 
próximo dia útil após a citação). 
No CPP, não interessa a juntada do mandado de citação nos autos, é levada 
em conta a data da citação.
Nesta resposta, o acusado pode arguir nulidades, juntar documentos, alegar 
tudo que interesse para a sua defesa, bem como arrolar testemunhas, sob pena 
de preclusão (número máximo de oito testemunhas, no rito ordinário); esse 
limite de testemunha é relativo para cada fato que o réu está sendo acusado 
(mais de um crime, aumenta o número).
Esta resposta é peça obrigatória e após esta resposta os autos novamente vão 
ao juiz, que então poderá absolver sumariamente (nos termos do art. 397