A fragilidade da postura democrática: atitudes e valores em estudo de caso em Americana-SP
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A fragilidade da postura democrática: atitudes e valores em estudo de caso em Americana-SP


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e 
não se interessa por política. 
Paulo, 44 anos, vigilante, escolaridade fundamental, na faixa de dois a três membros 
na família, renda familiar de três a cinco salários mínimos. Não participa de nenhum grupo, 
associação ou sindicato, apenas da igreja. Freqüenta comícios, assiste horário eleitoral. 
Identificou-se na cor da pele como \u201coutro\u201d ao declarar-se moreno. Acredita que a democracia 
seja a melhor forma de governo, na hora do voto atenta para candidato e se interessa por 
política. 
Aline, 23 anos, desempregada, amigada, grau de escolaridade fundamental. Na faixa 
de quatro a seis membros na família e sem renda familiar. Não participa de nenhum grupo, 
associação ou sindicato. Não freqüenta comícios, não assiste horário eleitoral, se identifica 
como branca e disse acreditar ser a democracia a melhor forma de governo. Disse que na hora 
do voto atenta mais para o candidato e que não se interessa por política. 
Jorge, 18, funileiro, solteiro, grau de escolaridade básico, com mais de seis membros 
na família, não soube responder a renda familiar. Não participa de nenhum grupo, associação 
ou sindicato. Não freqüenta comícios, não assiste horário eleitoral, não soube definir a cor da 
pele e disse também não saber se a democracia é a melhor forma de governo. Disse que na 
hora do voto atenta tanto para o candidato quanto para o partido e que não se interessa por 
política. 
 
Entrevistados para panorâmica da história política da cidade: 
Antonio Miante, ex-vereador, advogado. 
Diógenes Gobbo, jornalista, ex-correspondente da Folha de São Paulo, ex-redator-chefe do 
jornal da cidade, O liberal. 
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Guiomar Magri, formada em propaganda e marketing, ex-secretária de cultura esportes e 
turismo, de 1993 a 1996, pesquisadora com um livro no prelo sobre a história do município. 
Ivanise Pioli, comerciante, filha do falecido Dr. Pedro Pioli, conhecido e importante médico 
da cidade. 
Leandro Reami, jornalista, assessor de imprensa do deputado Antonio Mentor. 
Sergio Luis Mancini, formado em administração de empresas, foi coordenador de orçamento 
e contabilidade da prefeitura de 1990 a 2006. 
 
 
2.2 CONTEXTUALIZANDO AS ENTREVISTAS: UM BREVE PANORAMA HISTÓRICO 
E SÓCIO-ECONÔMICO DE AMERICANA5 
 
Vida, lida... 
Ah, como a Vila cresceu! 
Vida, lida... 
Uma cidade apareceu! 
Vida, lida... 
O parque têxtil surgiu! 
Hino de Americana 
 
 
Com pequena área territorial e com uma economia baseada na atividade industrial, 
atualmente, o município de Americana possui uma área de 102 km2 fazendo limite com os 
municípios de Limeira, Cosmópolis, Paulínia, Nova Odessa e Santa Bárbara D\u2019Oeste. A 
cidade localiza-se a 136 km da cidade de São Paulo pela Rodovia Anhanguera, em direção ao 
interior, com atividade agrícola desempenhando baixa participação na economia, sendo quase 
inexistente. \u201cA Vila dos Americanos nasce do progresso econômico da atividade agrícola, 
porém não seria a economia agrícola agrária que caracterizaria o município que começava a 
desenhar-se\u201d (PATAPOFF, 1989, p.05). 
 
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 As informações para esse capítulo foram conseguidas através de consultas bibliográficas, sites e 
entrevistas com pessoas envolvidas na movimentação política da cidade. 
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Figura 1. Localização de Americana no Estado e na RMC* 
 
Inicialmente, a cidade de Americana era uma sesmaria da família Costa Machado, 
localizada entre Nova Constituição (hoje Piracicaba) e São Carlos (hoje Campinas). Os 
primeiros a ocuparem essas terras e a formarem pequenos núcleos populacionais foram 
portugueses vindos de São Paulo como Bandeirantes, no século XVIII; no caminho por onde 
passavam eram construídas pousadas, é dessa forma que surge o primeiro povoado na região 
hoje denominada Americana. 
A fazenda Salto Grande era a sede de toda a sesmaria (hoje ainda se encontra o 
casarão de Salto Grande numa área rural homônima). Seu primeiro proprietário foi Domingos 
da Costa Machado, que lutou pelo reconhecimento do território de Campinas. Toda a região, 
na época, pertencia à Campinas. 
Posteriormente, em 1865, parte das terras foi vendida ao Sr. Antonio Bueno Rangel e 
a outra parte vendida a um grupo de imigrantes norte-americanos. Todavia, nos primeiros 
registros sobre a ocupação do território de Americana datados do final do século XVIII, os 
primeiros moradores estabeleceram-se nas terras de Salto Grande, distribuídas ao longo das 
margens dos rios Atibaia e Jaguari, afluentes do Rio Piracicaba. Eles cultivavam cana de 
açúcar e aguardente, até o crescimento do plantio de café, por todo o Estado, e em seguida 
algodão, juntamente com a cultura de melancias. 
Terminada a Guerra da Secessão (1865), os escravocratas sulistas derrotados na 
guerra, por meio de propaganda, foram atraídos para um local, com \u201cuma imensidão de terras 
boas, escravos ensinados e partido majoritário liberal, que possuía pontos de vista similares 
aos dos sulistas\u201d (PATAPOFF, 1989, p.02). Os americanos trouxeram novas técnicas de 
 
*
 RMC: Região Metropolitana de Campinas. Fonte: http://www.americana.sp.gov.br/ 
 
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cultivo, o arado e métodos agrícolas que tornaram o lugar um ponto de destaque no plantio de 
algodão e na 
 Figura 2. Formação dos núcleos de Vila Americana e Carioba, 1875. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: ALMEIDA, 2003. 
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produção de melancia aprimorando, também, a educação, atividades médicas e odontológicas. 
Desse modo, a prosperidade logo passou a atrair mais imigrantes consolidando uma economia 
agrícola no vilarejo. 
Na segunda metade do século XIX, chega a estrada de ferro, que hoje passa pelo 
centro da cidade, trazida pelos fazendeiros do café. As lideranças imigrantes nessa época são 
econômicas e não políticas. Portugueses e americanos vêm com a estrada de ferro e se 
instalam ao redor da estação. 
O aparecimento de um núcleo populacional que, posteriormente, se tornaria o 
município de Americana se dá com a construção de uma estação da Companhia Paulista de 
Vias Férreas e Fluviais. O Capitão Inácio Corrêa Pacheco comprou e loteou parte das terras 
próximas à estação para depois vendê-las valorizadas. Os trabalhadores da estação se fixaram 
neste povoado e começaram a surgir armazéns etc. 
Inicialmente, o núcleo era chamado Estação de Santa Bárbara e pertencia ao município 
vizinho. Era o local onde os americanos se abasteciam. Mas, pela importância adquirida, esse 
núcleo passou a ser conhecido como Vila dos Americanos, cuja data da inauguração da 
estação é também considerada a data oficial de fundação do município: 25/08/1875. Embora a 
proximidade da vila fosse maior com o município de Santa Bárbara D\u2019Oeste, o acesso era 
mais fácil à cidade de Campinas, por causa da estação. Assim, o Poder Executivo Estadual 
criou, em 1916, o Distrito de Paz de Vila Americana, pertencente à Campinas. 
Por volta de 1880, Clement Willmont fundou a primeira indústria, posteriormente 
chamada Fábrica de Tecidos Carioba (que em tupi significa \u201cpano branco\u201d), e inicia a 
introdução da atividade industrial que irá se firmar na economia local como principal 
atividade econômica: a indústria têxtil. Em 1887, a migração italiana veio colaborar na 
lavoura e, posteriormente, no setor têxtil também. 
Na primeira metade o século XX a economia cafeeira entra em decadência juntamente 
com a imigração. Nessa época é instalada a primeira usina hidrelétrica da região. 
As famílias norte-americanas que vieram para a região consideravam a educação das 
crianças uma das prioridades; passaram a constituir escolas em suas propriedades e a contratar 
professores vindos dos EUA. Tais professores