OAB-1°Fase Penal
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30.2 Síntese
Existe o estado de necessidade exculpante (que oferece a exclusão da cul-
pabilidade e não existe no ordenamento jurídico brasileiro) e o justificante (é 
o adotado pelo Código Penal, que exclui a ilicitude e não a culpabilidade).
Com relação ao estado de necessidade, o Código Penal adotou a teoria 
unitária, segundo a qual o instituto em tela sempre será justificante, ou seja, 
excludente da ilicitude.
Já para a teoria diferenciadora (não adotada pelo Código Penal), o estado de 
necessidade pode ser justificante ou exculpante.
Há também a divisão entre estado de necessidade de terceiro (o agente lesa 
um bem jurídico de outrem para salvaguardar um de terceiro) e próprio (o 
agente lesa um bem jurídico de outrem para salvaguardar um próprio).
Existe uma divisão entre estado de necessidade agressivo (o agente pratica 
ato lesivo contra alguém que não causou a situação de perigo) e o defensivo (o 
agente pratica o ato lesivo contra quem causou a situação de perigo).
Exercícios
81. Julgue a assertiva: No tocante ao estado de necessidade, é correto 
afirmar que o Código Penal brasileiro adotou a teoria unitária.
82. Julgue a assertiva: O Código Penal admite expressamente estado de 
necessidade exculpante.
83. Julgue a assertiva: No estado de necessidade próprio, ocorre a pro-
teção do próprio agente, ao passo que no estado de necessidade de 
terceiro, ocorre a proteção do direito de terceiro.
31. Legítima Defesa
31.1 Apresentação
Nesta unidade, será introduzido o conceito da legítima defesa.
31.2 Síntese
A legítima defesa está conceituada no art. 25 do Código Penal. É a segunda 
excludente da ilicitude.
A agressão mencionada no dispositivo legal deve ser humana, atual ou imi-
nente e injusta. A reação (repulsa) visa defender direito próprio ou de terceiro, e 
o agente da reação deve usar um meio adequado (necessário, aquele que causa o 
menor dano, de acordo com o caso concreto) e de modo moderado (sem excesso).
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Para se caracterizar a legítima defesa, não é necessária a paridade de armas.
E excesso na legítima defesa, que pode ocorrer em momentos distintos, 
pode ser punido, a título de dolo ou culpa.
Há o excesso intensivo (ocorre enquanto persiste a agressão) e o excesso 
extensivo (ocorre depois que acaba a agressão).
Existe a figura da legítima defesa sucessiva, na qual em razão do excesso 
extensivo, quem era originariamente agressor, se vê sofrendo uma agressão, e 
assim pode se defender sob a legítima defesa.
A doutrina estabelece um requisito subjetivo da legítima defesa, que exige 
da pessoa que tenha ciência de que está ocorrendo uma agressão humana, atual 
ou iminente, injusta e, por isso, está reagindo.
Exercícios
84. Julgue a assertiva: Considera-se em legítima defesa quem pratica o 
ato sob coação irresistível.
85. Julgue a assertiva: Considera-se em legítima defesa quem pratica o 
ato para salvaguardar perigo atual que não provocou por sua vonta-
de, nem que podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, 
cujo sacrifício não era razoável que se exigisse.
86. Julgue a assertiva: Considera-se em legítima defesa quem pratica o 
fato utilizando moderadamente os meios necessários para repelir 
uma agressão injusta a direito próprio ou alheio, desde que a agres-
são seja atual ou iminente.
32. Cumprimento de Dever Legal
32.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos os conceitos do estrito cumprimento do dever le-
gal e do exercício regular de direito.
32.2 Síntese
As figuras do estrito cumprimento do dever legal e do exercício regular de 
direito são elencadas no art. 23, III do Código Penal. Não há outros dispositivos 
que tratam deles, logo, são considerados autoexplicativos.
Uma pessoa que está cumprindo o seu dever legal não pode, ao fazê-lo, 
estar também cometendo um crime. Seria absolutamente incoerente. Pode até 
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praticar um fato típico, mas não seria antijurídico. Mais um caso de excludente 
da ilicitude. Aqui também pode ocorrer o excesso, doloso ou culposo. O dever 
legal é aquele emanado da lei em sentido amplo: lei, decreto, portaria, etc.
No que diz respeito à figura do cumprimento regular de direito, o raciocí-
nio é o mesmo. A pessoa não pode estar exercendo um direito e ao mesmo tem-
po cometer um crime. Exemplo: uma luta esportiva de boxe, não se caracteriza 
um crime numa eventual morte, nem lesão corporal.
Importante relembrar que ambas as figuras aqui estudadas são excludentes 
da ilicitude, e não da tipicidade. É a posição assumida pelo nosso Código Penal 
(existem algumas teorias que estabelecem diferenças).
Exercícios
87. Uma pessoa transexual, com problemas psíquicos por causa de seu 
órgão sexual, na hipótese de realizar a cirurgia, o médico estaria co-
metendo um crime de lesão corporal?
88. João da Silva é jogador de futebol profissional e, numa partida, aos 
quarenta minutos do segundo tempo, o juiz marca um pênalti a fa-
vor do time de João. Escalado para cobrar o pênalti, João desfere 
um potente chute em direção ao gol, atingindo a cabeça do goleiro 
adversário, que morre em razão das lesões provenientes da referida 
ação contundente. Assinale a alternativa correta:
a) João da Silva deve ser condenado pelo cometimento do delito 
de homicídio culposo;
b) João da Silva deve ser absolvido, embora a conduta seja típica e 
antijurídica, não é culpável;
c) João da Silva deve ser condenado por homicídio doloso;
d) João da Silva deve ser absolvido, tendo em conta estar ele ampara-
do pela causa de exclusão da ilicitude exercício regular de direito;
e) João da Silva deve ser absolvido, tendo em conta estar ele ampara-
do pela excludente de ilicitude estrito cumprimento do dever legal.
33. Imputabilidade (Excludentes): Art. 26, 
Caput do CP
33.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos a imputabilidade e suas excludentes, com desta-
que para o caput do art. 26 do Código Penal.
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33.2 Síntese
Importante mencionar que a maior parte da doutrina entende que o crime 
é composto de três elementos: fato típico, ilicitude e culpabilidade. Entretanto, 
parte dela diz que a culpabilidade não faz parte do crime, e sim é um pressu-
posto de aplicação da pena.
Independentemente da discussão, a culpabilidade possui três elementos, 
a saber: imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de 
conduta diversa.
O Código Penal não diz quais são os elementos da culpabilidade, mas sim 
diz quais são as suas excludentes.
A imputabilidade é a capacidade de a pessoa ter responsabilidade (ser 
maior de 18 anos e ter capacidade psíquica de entender o caráter ilícito do fato 
e agir ou deixar de agir conforme o seu entendimento).
A primeira hipótese excludente da imputabilidade é a prevista pelo art. 26, 
caput do Código Penal.
O doente mental, apenas por essa característica, não está isento de pena. 
Para tanto, tem que ser totalmente incapaz de entender o fato, ou de determi-
nar-se de acordo com esse entendimento.
Exercício
89. Julgue a assertiva: É isento de pena o agente que, por doença mental 
ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo 
da ação ou omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilí-
cito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
34. Imputabilidade (Excludentes): Art. 26, 
Caput do CP \u2013 Sistema Biopsicológico e 
Absolvição Imprópria
34.1 Apresentação
Nesta unidade, continuaremos a ver a imputabilidade e suas excludentes.
34.2 Síntese
Art. 26. É isento de pena o agente que, por doença mental ou desen-
volvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da 
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omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de 
determinar-se de acordo