OAB-1°Fase Penal
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condenatória por um 
crime, praticar novo crime, será considerado reincidente neste segundo proces-
so, conforme disposto no art. 63 do Código Penal.
A reincidência não é eterna, e existe um período de cinco anos no qual ela 
pode ser verificada. Tal período é contado a partir da extinção da punibilidade 
do crime anterior, nos termos do art. 64, I, do Código Penal.
Se o agente obtém livramento condicional que não é revogado, o período 
de cinco anos começa a ser contado do dia em que ele obteve o livramento 
condicional.
No sursis, suspensão condicional da pena, esta não tem início. Terminado 
o período de prova, se não for revogado o sursis, não haverá início do cumpri-
mento da pena. O período de cinco anos de verificação da possível reincidên-
cia inicia-se no marco inicial do sursis.
Segundo o entendimento que predomina na doutrina, se após o período de 
cinco anos, no qual o agente poderia ser considerado reincidente, este pratica 
novo crime, apesar não ser considerado mais reincidente, o crime anterior será 
levado em consideração como antecedentes criminais.
O art. 64, II do Código Penal dispõe que não se consideram os crimes mili-
tares próprios e os políticos.
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Exercícios
121. (Cespe) Analise a assertiva: Para se caracterizar a reincidência na 
prática de crime, é necessário que haja o trânsito em julgado da sen-
tença condenatória por prática de crime anterior?
122. (Cespe) Analise a assertiva: Para efeitos de reincidência, são consi-
derados os crimes eleitorais, os crimes militares próprios e os crimes 
políticos.
11. Circunstâncias Atenuantes (Art. 65) \u2013 I
11.1 Apresentação
Nesta unidade, serão explicadas as circunstâncias atenuantes do Código 
Penal.
11.2 Síntese
As circunstâncias atenuantes, avaliadas na segunda fase da aplicação da 
pena, estão previstas no art. 65 do Código Penal.
As hipóteses estão elencadas nos incisos do art. 65. Vejamos.
O inciso I dispõe que são circunstâncias que sempre atenuam a pena ser o 
agente menor de 21 anos (e naturalmente deve ser maior de 18 para ser impu-
tável), na data do fato (no momento da conduta), ou maior de 70 anos, na data 
da sentença (no momento da condenação, podendo ser em grau de recurso).
O inciso II estabelece acerca do desconhecimento da lei pelo agente. A 
ignorância da lei é inescusável, de acordo com o disposto no art. 21 do CP, po-
rém, é circunstância atenuante. O erro de proibição quanto à ilicitude do fato, 
se for inescusável, também não isenta da pena, e se escusável isenta de pena.
O inciso referido traz que também são atenuantes ter o agente: a) cometido 
o crime por motivo de relevante valor social ou moral; b) procurado, por sua 
espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-
-lhe as suas consequências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano; c) co-
metido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem 
de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por 
ato injusto da vítima; d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a 
autoria do crime; e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumul-
to, se não o provocou.
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A reparação do dano pode ser uma circunstância atenuante (art. 65 do CP), 
pode ser arrependimento posterior (causa de diminuição da pena do art. 16 do 
CP) e pode ser hipótese de extinção da punibilidade (art. 312, § 3º do CP).
Se a coação moral é irresistível, o coagido pratica conduta típica e ilícita, 
mas é isento de pena, afastando-se a culpabilidade (art. 22 do CP).
Exercício
123. Analise a assertiva: São circunstâncias que sempre atenuam a pena, 
dentre outras, ser o agente menor de 21 anos na data do fato, ter o 
agente cometido o crime por motivo de relevante valor social ou 
moral e ter o agente cometido o crime em estado de embriaguez 
preordenada.
12. Circunstâncias Atenuantes (Art. 65) \u2013 II
12.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos a continuidade da explicação sobre as circuns-
tâncias atenuantes do Código Penal.
12.2 Síntese
O art. 65, III, \u201cc\u201d traz que é uma circunstância que atenua a pena se o 
agente comete o crime em cumprimento de ordem de autoridade superior, po-
dendo a ordem ser legal ou ilegal. Quem cumpre uma ordem legal não comete 
crime, age em estrito cumprimento do dever legal. Quem cumpre uma ordem 
ilegal, se esta não for manifestamente ilegal, o inferior hierárquico é isento de 
pena (art. 22 do CP). E, no caso da ordem ser manifestamente ilegal, o inferior 
comete crime, mas o juiz levará em consideração a circunstância atenuante.
A alínea \u201cd\u201d do mesmo dispositivo traz a confissão. No que diz respeito à 
confissão espontânea perante a autoridade, pode ocorrer que a pessoa confesse 
para a autoridade policial, mas em juízo ele se retrata. Nesta hipótese, não há 
que se falar em circunstância atenuante.
Pode ocorrer a existência simultânea de circunstâncias atenuantes e agravan-
tes na segunda fase da aplicação da pena. Uma circunstância atenuante pode 
ser compensada por uma agravante, desde que ambas possuam o mesmo valor.
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Existem as circunstâncias preponderantes, que são aquelas que valem mais 
do que as outras, sendo as que resultam dos motivos determinantes do crime, 
da personalidade do agente e da reincidência.
Entende a jurisprudência que existe uma circunstância que prepondera 
sobre todas as outras, que é a menoridade, que decorre da personalidade do 
agente. Assim, o menor de 21 e maior de 18 anos de idade que não tenha a per-
sonalidade totalmente formada configuram uma circunstância que prepondera 
sobre todas as outras.
Exercício
124. (Cespe) Analise a assertiva: Concorrendo circunstâncias atenuantes 
e agravantes, deve sempre prevalecer a circunstância atenuante, em 
respeito ao princípio do in dubio pro reo.
13. Causas de Aumento e Diminuição
13.1 Apresentação
Nesta unidade, serão expostas as causas de aumento e de diminuição da 
pena.
13.2 Síntese
Conforme já estudado, na primeira fase é fixada a pena-base. Na segunda 
fase, o juiz analisará as circunstâncias atenuantes e agravantes. Aqui se inicia 
a terceira fase da aplicação da pena, na qual são analisadas as suas causas de 
aumento e diminuição e é fixada a pena final.
As causas de aumento e diminuição podem fazer com que a pena exceda o 
máximo ou o mínimo legal.
Merece destaque o parágrafo único do art. 68 do Código Penal, segundo o 
qual no concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte 
especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, pre-
valecendo, todavia, a causa que mais aumente ou mais diminua.
É preciso observar que, se as causas de aumento ou diminuição estiverem 
presentes na parte geral, todas deverão ser levadas em consideração.
Outro aspecto importante é que as causas de aumento e diminuição não 
podem ser compensadas. Primeiramente, se aplica a diminuição e, em seguida, 
a causa de aumento.
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Exercícios
125. Analise a assertiva: No concurso de causas de aumento e de diminui-
ção previstas na parte geral, pode o juiz limitar-se a um só aumento 
ou uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais au-
mente ou diminua.
126. Analise a assertiva: Incidindo uma causa de aumento na parte geral 
e uma na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento, 
prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua.
127. Analise a assertiva: A pena do crime tentado, salvo disposição expres-
sa em contrário, será diminuída de um a dois terços e incidirá na 
terceira fase da aplicação da pena.
14. Regime Inicial de Cumprimento de Pena
14.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos o regime inicial de cumprimento de pena e seus 
critérios.
14.2 Síntese
Fixada a pena,