OAB-1°Fase Penal
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incriminador\u201d. Aquele cria a lei penal incriminadora, os cri-
mes, as penas, e sobre ele não pode haver medida provisória. Já este, por sua 
natureza, pode ser regulado por medida provisória. Exemplo: medida provisó-
ria cria causa de extinção da punibilidade.
O enunciado do Princípio da Legalidade também alberga o Princípio da 
Anterioridade. Se no presente há a prática de um fato que não é punido como 
crime, não poderá, futuramente, haver punição por uma lei que considerou 
aquele fato como crime. A lei não pode retroagir.
Exercícios
1. Analise a assertiva: Reza o Princípio da Reserva Legal que não há cri-
me sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação 
legal.
2. Analise a assertiva: Fere o Princípio da Legalidade, também conhe-
cido por Princípio da Reserva Legal, a criação de crimes e penas por 
meio da medida provisória.
3. Analise a assertiva: O Princípio da Legalidade ou da Reserva Legal 
constitui efetiva limitação ao poder punitivo estatal.
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2. O Princípio da Aplicação da Lei Penal mais 
Favorável
2.1 Apresentação
Nesta unidade, será abordado o princípio da lei penal mais favorável.
2.2 Síntese
O Princípio da Lei Penal mais Favorável é muito utilizado no chamado 
conflito de leis penais no tempo.
Se um cidadão pratica um crime na vigência de determinada lei, a regra é 
tempus regit actum, ou seja, aplica-se a lei que estiver vigorando na data do fato.
Se durante o processo surgir uma lei nova mais severa, o juiz estará diante 
de um conflito de leis penais no tempo. Conflito porque se aplicar a lei anterior 
estará aplicando uma lei revogada, se aplicar a lei nova, estará aplicando uma 
lei que não estava vigente na data do fato, apesar da vigência na data da que a 
sentença será aplicada. Nessa situação, aplica-se o art. 5º, XL da CF, que diz 
que a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. A lei anterior, por ser 
mais benéfica, apresentará ultratividade.
A lei penal só retroagirá se beneficiar o réu.
Merece destaque o parágrafo único do art. 2º do Código Penal, que diz: \u201cA 
lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos ante-
riores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.\u201d
Pode, inclusive, ocorrer a chamada abolitio criminis, na qual a nova lei 
penal pode chegar a ponto de não mais caracterizar o fato como crime. É a 
hipótese prevista pelo caput do art. 2º do Código Penal.
Entretanto, o abolitio criminis não cessa os efeitos extrapenais, como a obri-
gação de reparar o dano (arts. 91 e 92 do Código Penal).
Exercícios
4. (FGV \u2013 Adaptada) Em matéria de princípios constitucionais de Di-
reito Penal, é correto afirmar que a lei penal não retroagirá mesmo 
que seja para beneficiar o réu?
5. Analise a assertiva: De acordo com o princípio da irretroatividade, a 
lei penal não retroagirá, salvo disposição expressa em lei.
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3. Leis Excepcionais e Temporárias
3.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordados a existência e o conceito das leis excep-
cionais e leis temporárias.
3.2 Síntese
O art. 3º do Código Penal traz a conceituação da lei excepcional ou 
temporária.
Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua 
duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato 
praticado durante sua vigência.
A lei excepcional terá um período de vigência durante uma situação dife-
renciada, por uma razão específica, e terminado esse motivo as leis perdem sua 
vigência \u2013 a doutrina denomina-as de leis autorrevogáveis.
Já as leis temporárias, apesar de também terem um prazo de vigência de-
terminado, é o próprio legislador que indica o período de vigência; a lei indica 
seu último dia de vigência.
As leis excepcionais e temporárias possuem ultratividade, ou seja, continuam 
tendo aplicação após sua revogação para os fatos cometidos sob a sua vigência.
É importante destacar que não ocorrerá o fenômeno do abolitio criminis.
Exercícios
6. (FGV \u2013 Adaptada) Julgue a assertiva: A lei penal posterior que de 
qualquer forma favorecer o agente, não se aplica aos fatos praticados 
durante a vigência de uma lei temporária.
7. Julgue a assertiva: Terminado o prazo de vigência da lei temporária, 
ocorrerá abolitio criminis, libertando-se os que estiverem presos em 
razão da prática do crime previsto nessa lei.
8. Julgue a assertiva: Os crimes praticados na vigência das leis temporá-
rias, quando criadas por estas, não se sujeitam à abolitio criminis em 
razão do término de sua vigência.
9. Analise a assertiva: Cessada a vigência da lei temporária, conside-
ram-se prescritos os crimes praticados durante sua vigência.
10. Se o fato for praticado após a vigência da lei temporária/excepcional, 
aplica-se a lei temporária/excepcional?
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4. O Tempo e o Lugar do Crime
4.1 Apresentação
Nesta unidade, são explicados o tempo e o local do crime.
4.2 Síntese
O art. 4º do Código Penal aborda o tempo do crime e o art. 6º, o lugar do 
crime.
Art. 4º Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, 
ainda que outro seja o momento do resultado.
A palavra-chave aqui é \u201cmomento\u201d, pois é o momento da conduta (ação 
ou omissão) em que se pratica o crime, ainda que outro seja o momento do 
resultado.
O momento da prática do crime \u2013 quando foi praticado \u2013 é diferente do 
momento da sua consumação.
O Código Penal adotou a teoria da atividade, que considera como praticado 
o crime no momento da conduta, ou seja, o momento da ação ou omissão.
Art. 6º Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação 
ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria 
produzir-se o resultado.
Já no que diz respeito ao lugar do crime, o aspecto mais relevante é se foi 
praticado no Brasil ou não. O lugar do crime é onde se praticou a ação ou omis-
são, bem como onde se produziu ou deveria produzir o resultado.
Essa teoria, chamada de ubiquidade ou teoria mista, leva em consideração 
a conduta e também o resultado. Assim, em termos de lugar, um crime pode 
ser cometido em dois países, como na hipótese da conduta ocorrer num país e 
o resultado em outro.
Exercícios
11. É correto afirmar que se considera praticado o crime no lugar que 
ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se 
produziu, ou deveria ter produzido o resultado?
12. Analise a assertiva: Considera-se praticado o crime no momento da 
ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.
13. Analise a assertiva: Considera-se praticado o crime no momento da 
produção do resultado.
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14. Analise a assertiva: Quanto ao tempo do crime, o Código Penal ado-
tou a teoria da ubiquidade, pela qual se considera praticado o crime 
no momento da ação ou do resultado.
5. A Territorialidade \u2013 Art. 5º do Código 
Penal
5.1 Apresentação
Nesta unidade, é explicado o conceito da territorialidade no Código Penal.
5.2 Síntese
O art. 5º do Código Penal traz o conceito da territorialidade que diz:
Art. 5º Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e 
regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.
São exceções à regra da territorialidade, o quanto disposto em tratados, con-
venções e regras de direito internacional. Um exemplo é a imunidade diplomá-
tica, pois o diplomata se submete às leis do seu país. Daí surge o princípio da 
territorialidade mitigada, temperada ou relativa, pois a regra básica da territo-
rialidade admite exceções.
Território brasileiro é o solo, subsolo, águas interiores, espaço aéreo corres-
pondente ao solo e às doze milhas marítimas. Aqui é importante mencionar 
que para efeitos penais o limite do território é o de doze milhas marítimas, e