OAB-1°Fase Penal
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ou seja, o critério é 
bifásico.
Na primeira fase, o juiz fixa a quantidade de dias-multa, que poderão variar 
de 10 a 360. Aqui, o juiz levará em consideração as circunstâncias do delito.
Na segunda fase, o juiz define o valor do dia-multa, que pode variar de 
1/30 do salário mínimo a cinco vezes o salário mínimo. Para definir o valor do 
dia-multa, o juiz leva em consideração a situação econômica do condenado.
Faz-se necessário observar que, mesmo fixada a pena no valor máximo, se 
o juiz entender que aquele valor não é suficiente, poderá triplicar este valor.
Ainda, é preciso entender que se a pessoa não cumpre a pena de multa, esta 
pena não pode ser revertida em privativa de liberdade.
Predomina entendimento no STJ que a legitimidade para entrar com exe-
cução ao condenado que não cumpre a pena de multa não é mais do Minis-
tério Público, mas sim da Procuradoria da Fazenda da União ou dos Estados.
Exercícios
143. Analise a assertiva: O Código Penal não admite a substituição da 
pena privativa de liberdade por de multa, mas admite a substituição 
por penas restritivas de direitos.
144. Analise a assertiva: A pena de multa consiste no pagamento ao Fun-
do Penitenciário de quantia fixada na sentença e calculada em dias-
-multa, e que será no mínimo de 10 e no máximo de 365 dias-multa.
145. Analise a assertiva: O valor do dia-multa será fixado pelo juiz, não po-
dendo ser inferior a um trigésimo do salário mínimo mensal vigente 
ao tempo do fato e superior a cinco vezes este salário.
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146. Analise a assertiva: Na fixação da pena de multa, o juiz deve atender 
principalmente à gravidade do crime praticado.
147. Analise a assertiva: A multa pode ser aumentada até o triplo se o juiz 
considerar que, em virtude da situação econômica do réu, é ineficaz, 
embora aplicada no máximo.
Capítulo 5
Concurso de Crimes
1. Concurso de Crimes \u2013 Sistema de 
Aplicação das Penas \u2013 Concurso Material
1.1 Apresentação
Nesta unidade, será introduzido o tema do concurso de crimes e explicado 
o sistema de aplicação de penas e concurso material.
1.2 Síntese
O concurso material está previsto no art. 69 do Código Penal, o concurso 
formal, no art. 70 e o crime continuado, no art. 71.
No concurso material, o agente pratica mais de um crime e as penas são 
somadas. Trata-se do chamado sistema do cúmulo material.
No concurso formal, foram adotados dois sistemas de aplicação da pena: o 
da exasperação (ao invés de somar todas as penas, o juiz irá aplicar a mais grave 
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e com relação aos outros crimes aplica um aumento da pena), também chama-
do de concurso formal próprio ou perfeito, e o do cúmulo material, também 
chamado de formal impróprio ou imperfeito.
Já no crime continuado aplica-se a regra da exasperação. O agente praticou 
mais de um crime, porém, são da mesma espécie.
É preciso observar que, segundo o art. 72 do Código Penal no concurso de 
crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente.
Ocorre concurso material de crimes quando o agente pratica duas ou mais 
condutas e pratica, com isso, dois ou mais crimes. Estes podem ser da mes-
ma espécie ou não. Quando são da mesma espécie, é denominado concurso 
homogêneo, e quando são de espécies diferentes ocorre o chamado concurso 
heterogêneo.
Exercícios
148. Analise a assertiva: O Código Penal Brasileiro adotou o sistema de 
aplicação de pena do cúmulo material para os concursos material e 
formal imperfeito, e da exasperação para o concurso formal perfeito 
e crime continuado.
149. Analise a assertiva: No concurso material de crimes, as penas de mul-
ta são aplicadas distintamente, mas de forma reduzida.
150. Analise a assertiva: O concurso material ocorre quando o agente, 
mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes 
com dependência fática e jurídica entre estes.
2. Concurso Formal
2.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos o concurso formal de crimes.
2.2 Síntese
No concurso formal de crimes existe uma única conduta, ou seja, com 
apenas uma única ação ou omissão, o agente pratica mais de um crime.
No concurso formal perfeito, ou próprio, aplica-se o sistema da exaspera-
ção, segundo o qual se aplica uma pena, a mais alta, e esta é aumentada de 1/6 
à metade. Este sistema é um benefício para o réu.
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No concurso formal imperfeito, ou impróprio, aplica-se o sistema do 
cúmulo material.
No concurso formal imperfeito, os crimes são dolosos e o agente possui 
desígnios autônomos.
A aplicação do sistema da exasperação não pode deixar a pena mais alta do 
que ficaria se fosse aplicado o sistema do cúmulo material, segundo disposto no 
parágrafo único do art. 70 do Código Penal. Desta forma, se ocorrer tal hipóte-
se, então se deve optar pela aplicação do sistema do cúmulo material, visando 
a menor pena ao condenado.
Exercício
151. (FGV) Analise a assertiva: O concurso formal perfeito, também co-
nhecido como próprio, ocorre quando o agente, por meio de uma 
ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes e terá as penas somadas.
3. Crime Continuado
3.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos o crime continuado.
3.2 Síntese
O crime continuado está previsto no art. 71 do Código Penal. Sua origem 
remete a tempos antigos, quando a pessoa que cometia um crime pela terceira 
vez recebia como pena a sua morte.
Com o tempo, percebeu-se que a pena de morte era injusta, pois muitas ve-
zes o agente subtraía o que era objetivado aos poucos. Assim, por ter apenas um 
desígnio o autor, criou-se o crime continuado, uma ficção jurídica, com o intui-
to de evitar a pena de morte, considerando-se como ocorrido apenas um crime.
Pela regra do art. 71, os crimes precisam ser da mesma espécie, praticados 
nas mesmas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras seme-
lhanças, tendo duas ou mais condutas com dois ou mais crimes.
Ressalta-se que crimes da mesma espécie possuem o mesmo tipo penal.
Entre um crime e outro, não pode ter passado mais de trinta dias, segun-
do o entendimento da jurisprudência, para que esteja presente o requisito do 
mesmo tempo.
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O mesmo lugar configura-se se os crimes são praticados na mesma cidade, 
ou em cidades vizinhas.
Mesma maneira de execução está presente; há os crimes que são praticados 
do mesmo modo.
Discute-se se há necessidade de, além dos requisitos objetivos acima apre-
sentados, também existir um requisito subjetivo, a unidade de desígnio. Para o 
STJ e o STF, predomina o entendimento segundo o qual para que haja o crime 
continuado deve haver a unidade de desígnio, ou seja, um crime deve ter rela-
ção com o outro. Já uma parte da doutrina entende que tal requisito subjetivo 
não é necessário.
Uma vez reconhecido o crime continuado, aplica-se o sistema da exaspera-
ção na aplicação da pena.
No crime continuado comum (caput do art. 70), o aumento da pena será 
de 1/6 a 2/3. No crime continuado específico (parágrafo único do art. 70), o 
aumento da pena será sua triplicação.
Aqui, também o sistema da exasperação não pode ser mais prejudicial ao 
condenado do que o sistema do cúmulo material.
Exercício
152. Analise a assertiva: Quando o agente, mediante mais de uma ação ou 
omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas con-
dições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, 
devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, 
aplicando-se apenas a pena de um dos crimes.
4. Erro na Execução e Resultado Diverso do 
Pretendido
4.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos o erro na execução e o resultado diverso do pre-
tendido.
4.2 Síntese
O erro na execução (aberratio ictus) está previsto no art. 73 do Código Pe-
nal. Já o instituto do resultado diverso do pretendido