OAB-1°Fase Penal
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Estado investigar, processar, 
julgar e executar a sentença. Desta forma, se o Estado não o faz dentro de um 
determinado prazo, ocorre a prescrição, que é uma hipótese de extinção da 
punibilidade.
A prescrição pode ocorrer em dois momentos: antes do trânsito em julgado, 
é a prescrição da pretensão punitiva, e após o trânsito em julgado, já existente o 
título executivo judicial, é a prescrição da pretensão executória.
Além do efeito de extinguir a punibilidade, a prescrição da pretensão 
punitiva também evita os efeitos penais e extrapenais da eventual sentença 
condenatória.
Por sua vez, caso ocorra a prescrição da pretensão executória, o Estado, que 
tinha um título executivo formado, mas não o executou no prazo determinado, 
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além de extinguir a punibilidade, cessa o efeito principal da condenação e a 
aplicação da sanção penal, permanecendo, entretanto, os demais efeitos, como 
a reincidência.
A regra é que os crimes sejam sujeitos à prescrição. Entretanto, há duas 
hipóteses às quais a Constituição determina a imprescritibilidade: crimes de 
racismo (os previstos na Lei nº 7.716/1989) e a ação de grupos armados, civis 
ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (parte da 
doutrina entende que não há lei prevendo esses crimes, e outra parte entende 
que são os crimes previstos da Lei de Segurança Nacional).
Faz-se necessário observar que a injúria preconceituosa (art. 140, § 3º do 
CP), por não ser crime de racismo, segundo o STF, é prescritível.
Exercício
166. Os crimes hediondos são imprescritíveis?
4. Prescrição da Pretensão Punitiva \u2013 Termo 
Inicial
4.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos o termo inicial da prescrição da pretensão 
punitiva.
4.2 Síntese
A prescrição da pretensão punitiva é aquela que ocorre antes do trânsito em 
julgado da sentença condenatória.
O termo final é o trânsito em julgado. Uma vez que a sentença transita 
em julgado surge para o Estado a pretensão de executar esse título judicial. Se 
o Estado não executa o título em determinado prazo ocorre a prescrição da 
pretensão executória.
Embora o prazo prescricional tenha se iniciado, existem causas que o in-
terrompem e, uma vez interrompido, ao voltar a correr, reinicia-se do zero. 
Existem também as causas suspensivas do prazo prescricional, e sob a sua in-
fluência, o prazo fica suspenso e, ao voltar a correr, volta de onde tinha parado 
antes da suspensão.
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Uma vez iniciado o prazo prescricional, há um período que o Estado tem 
para processar, julgar e a sentença condenatória transitar em julgado. Assim, as 
causas interruptivas e suspensivas agem a favor do Estado.
O prazo prescricional varia conforme o crime, e quanto maior a pena comi-
nada, maior o prazo prescricional.
O art. 109 do Código Penal traz regras para a definição do prazo prescricio-
nal segundo a pena máxima cominada ao delito.
Se a pena máxima for inferior a um ano, o prazo prescricional é de três 
anos. Se a pena máxima variar de um a dois anos, o prazo prescricional será de 
quatro anos. Se a pena máxima variar de dois a quatro anos, o prazo prescricio-
nal será de oito anos. Se a pena máxima variar de quatro a oito anos, o prazo 
prescricional será de doze anos. Se a pena máxima variar de oito a doze anos, 
o prazo prescricional será de dezesseis anos. Se a pena máxima for superior a 
doze anos, então o prazo prescricional será de vinte anos.
O termo inicial da prescrição da pretensão punitiva é tratado pelo art. 
111 do Código Penal, que traz cinco hipóteses para o seu início: 1) o dia 
em que o crime se consumou; 2) no caso da tentativa, do dia em que cessou 
a atividade humana; 3) nos crimes permanentes, do dia em que cessou a 
permanência; 4) nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assen-
tamento do registro civil, da data em que o fato se tornou conhecido; 5) nos 
crimes contra dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos neste 
Código ou em legislação especial, da data em que a vítima completar 18 
anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta ação penal \u2013 acrescenta-
do pela Lei nº 12.650/2012.
Segundo o STF, nos crimes contra a ordem tributária, o prazo prescricional 
somente irá correr quando se der a constituição definitiva do crédito tributário.
Com relação ao crime continuado, o prazo prescricional segue a regra ge-
ral. E com relação aos crimes habituais, segundo a doutrina, o prazo prescricio-
nal inicia-se do dia em que cessa a habitualidade.
5. Prescrição da Pretensão Punitiva \u2013 Causas 
Interruptivas
5.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos as causas interruptivas da prescrição da preten-
são punitiva.
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5.2 Síntese
O art. 117 do Código Penal traz as causas interruptivas da prescrição, em 
seus seis incisos. Do I ao IV, trata-se das causas interruptivas da prescrição da 
pretensão punitiva, e os incisos V e VI tratam das causas interruptivas da pres-
crição da pretensão executória.
A primeira causa que interrompe a prescrição é o recebimento da denúncia 
ou da queixa. Ressalte-se que o oferecimento da denúncia ou da queixa não 
interrompe a prescrição.
A segunda causa interruptiva é a pronúncia, específica ao rito do júri. As-
sim, a decisão do juiz que submete o acusado ao julgamento no Tribunal do 
Júri interrompe a prescrição.
A terceira causa, também relacionada ao rito do júri, é a decisão confirma-
tória da pronúncia.
A quarta causa que interrompe a prescrição é a publicação da sentença ou 
acórdão condenatórios recorríveis. É preciso observar que a sentença absolutó-
ria não interrompe a prescrição.
Exercícios
167. (OAB 2010.2 \u2013 Adaptada) Analise a assertiva: São causas interrupti-
vas do curso da prescrição previstas no Código Penal, dentre outras, 
o recebimento da denúncia ou da queixa, a pronúncia, a publicação 
da sentença condenatória ou absolutória recorrível.
168. (FGV) Assinale a causa que não interrompe o curso da prescrição:
a) Reincidência;
b) Oferecimento da denúncia ou da queixa;
c) Publicação da sentença condenatória recorrível;
d) Publicação do acórdão condenatório recorrível;
e) Decisão confirmatória da pronúncia.
6. Prescrição da Pretensão Punitiva \u2013 
Comunicabilidade das Causas Interruptivas 
e Causas Impeditivas
6.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos as comunicabilidades entre as causas interrupti-
vas e também as causas impeditivas da prescrição da pretensão punitiva.
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6.2 Síntese
O § 1º do art. 117 do Código Penal traz a comunicabilidade das causas 
interruptivas.
Diz o citado dispositivo legal que: \u201cExcetuados os casos dos incisos V e VI 
deste artigo, a interrupção da prescrição produz efeitos relativamente a todos os 
autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam objeto do mesmo processo, 
estende-se aos demais a interrupção relativa a qualquer deles.\u201d
As causas suspensivas também são chamadas de causas impeditivas da pres-
crição, estão previstas no art. 116 do Código Penal e podem operar ante a pres-
crição da pretensão punitiva.
O inciso I do art. 116 traz que a prescrição não corre \u2013 fica suspensa \u2013 en-
quanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconheci-
mento da existência do crime. O inciso II estabelece que também fica suspensa 
a prescrição enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.
Há uma causa suspensiva da prescrição prevista no Código de Processo 
Penal no seu art. 366, que diz que se o acusado, citado por edital, não compare-
cer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo 
prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas 
consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos 
do disposto no art. 312.
Aqui o juiz suspende o processo e o curso do prazo