OAB-1°Fase Penal
112 pág.

OAB-1°Fase Penal


DisciplinaDireito Penal I59.373 materiais997.614 seguidores
Pré-visualização25 páginas
o fato seria atípico, também, diante da aplicação do 
princípio da insignificância.
A análise da culpabilidade passa pela verificação da existência da imputabili-
dade, da potencial consciência da ilicitude e da exigibilidade de conduta diversa.
É importante destacar as excludentes de ilicitude previstas no art. 23 do CP.
Art. 23. Não há crime quando o agente pratica o fato:
I \u2013 em estado de necessidade;
II \u2013 em legítima defesa;
III \u2013 em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
O menor de dezoito anos pode praticar um fato típico ilícito, que é con-
siderado um ato infracional, mas o sujeito não tem culpabilidade por ser 
inimputável, é isento de pena. Contudo, faz-se necessário observar que está 
sujeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
Ainda, um sujeito maior de dezoito anos pode ter uma doença mental e 
praticar um fato típico ilícito, mas não possui capacidade para entender este 
fato. Neste caso, o inimputável é isento de pena, sendo aplicada uma medida 
de segurança.
3. O Fato \u2013 A Conduta, o Resultado e o Nexo 
de Causalidade
3.1 Apresentação
Nesta unidade, é aprofundado o conceito do fato (a conduta, o resultado 
e o nexo de causalidade).
3.2 Síntese
O primeiro elemento do fato é a conduta humana, que tem como elemen-
tos a consciência e a vontade.
Se não há conduta, não há o fato, e sem o fato típico, não existe crime. 
Assim, por exemplo, na presença da coação física irresistível, não há vontade, 
excluindo-se a conduta. Na hipótese de sonambulismo, não há a consciência, 
e também não há a conduta. Sem conduta, não há crime.
Coação física irresistível exclui a conduta. Coação moral irresistível exclui 
a culpabilidade, pois não há reprovação da atitude.
A conduta pode ser uma ação ou omissão. O tipo penal que prevê uma ação 
é o tipo comissivo. Já o tipo omissivo prevê uma omissão.
D
ire
ito
 P
en
al
22
Exercícios
27. Julgue a assertiva. A ação e omissão são formas de conduta.
28. Julgue a assertiva. A coação física irresistível é uma hipótese de au-
sência de conduta do coagido.
29. Julgue a assertiva. Toda conduta humana é um ato independente-
mente de consciência e vontade.
30. Julgue a assertiva. Os tipos penais que descrevem uma ação proibida 
são classificados como tipo omissivo próprio.
4. O Fato \u2013 O Resultado
4.1 Apresentação
Nesta unidade, é abordado o resultado como elemento do fato.
4.2 Síntese
O art. 13 do Código Penal trata do resultado. Todo crime depende da exis-
tência de um determinado resultado.
Art. 13. O resultado, de que depende a existência do crime, somente é 
imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a 
qual o resultado não teria ocorrido.
Existem dois tipos de resultados: o naturalístico (modificação do mundo 
exterior. No crime do homicídio, é a morte da pessoa) e o normativo (lesão ou 
perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. No crime de homicídio, seria a lesão 
ao bem jurídico vida).
Segundo a doutrina, o art. 13 em seu caput se refere ao resultado naturalís-
tico; porém, há crimes que não produzem resultado naturalístico.
Assim, deve-se realizar a interpretação restritiva do dispositivo legal em co-
mento, pois nem todo crime possui resultado naturalístico.
Todo crime, sem exceção, possui o resultado normativo.
Há uma classificação de crime relacionado ao resultado naturalístico: cri-
mes materiais (o tipo penal descreve uma conduta e exige um resultado na-
turalístico para ser consumado), crimes formais (o tipo penal descreve uma 
conduta e um resultado naturalístico, mas dispensa a produção de resultado 
para a consumação do crime) e crimes de mera conduta (o tipo penal somente 
descreve uma conduta, sequer descreve um resultado e basta a conduta para o 
crime ser consumado).
D
ire
ito
 P
en
al
23
Exercícios
31. Julgue a assertiva: Nem todo crime possui resultado normativo.
32. Julgue a assertiva: Todo crime possui resultado naturalístico.
33. Julgue a assertiva: Todo crime possui resultado normativo.
34. Julgue a assertiva: Nem todo crime possui resultado naturalístico.
5. O Fato \u2013 Nexo de Causalidade \u2013 I
5.1 Apresentação
Nesta unidade, é abordado o nexo de causalidade entre a conduta e o 
resultado.
5.2 Síntese
Art. 13. O resultado, de que depende a existência do crime, somente é 
imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a 
qual o resultado não teria ocorrido.
O nexo causal é a relação da conduta com o resultado e este nexo de cau-
salidade é naturalístico e não normativo.
O art. 13 do Código Penal adotou a teoria da equivalência dos antecedentes 
causais, também conhecida como conditio sine qua non. Essa teoria diz que 
todos os atos que contribuíram para o resultado são causas.
O critério hipotético de Thyrén define causa como tudo que, uma vez su-
primido mentalmente, impediria a produção do resultado como ocorreu. Uma 
crítica a essa teoria é a sua permissão de regresso ao infinito.
Assim, a doutrina limita o nexo causal, pois não basta o sujeito ter dado 
causa material ao resultado, mas o sujeito deve agir com dolo ou culpa. Logo, 
caso o sujeito não tenha agido com dolo ou culpa, não será responsabilizado, 
ainda que tenha dado causa.
Exercícios
35. Julgue a assertiva: Nos termos do art. 13, caput do Código Penal, o 
resultado, de que depende a existência do crime, somente é impu-
tado a quem lhe deu causa.
D
ire
ito
 P
en
al
24
36. Julgue a assertiva: O art. 13, caput, adotou a teoria da equivalência 
dos antecedentes causais.
37. Julgue a assertiva: Segundo o denominado procedimento hipotético 
de eliminação de Thyrén, causa é todo antecedente que, suprimido 
mentalmente, impediria a produção do resultado como ocorreu.
6. O Fato \u2013 Nexo de Causalidade \u2013 II
6.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos a continuidade do nexo de causalidade entre a 
conduta e o resultado.
6.2 Síntese
Conforme já visto anteriormente, o caput do art. 13 do Código Penal ado-
tou a teoria da equivalência dos antecedentes causais.
Causa é tudo aquilo que contribuiu para a produção do resultado.
O art. 13, § 1º do Código Penal trata da causa superveniente que por si só 
produziu o resultado.
Art. 13, § 1º A superveniência de causa relativamente independente exclui 
a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entre-
tanto, imputam-se a quem os praticou.
Exemplo: um sujeito, querendo matar uma vítima, desfere facadas nesta.
Pode existir também uma causa superveniente relativamente independente 
que contribui para o resultado, mas não é responsável por si só.
Exemplo: Agente, desejando matar, deu uma facada na vítima. A vítima 
é levada para o hospital. Lá, a vítima sofre uma intervenção médica e contrai 
uma infecção hospitalar, que agrava os ferimentos, e ocorre a morte.
Neste caso, por haver uma comunhão de causas para o resultado, o resulta-
do morte pode ser imputado ao agente.
Deve-se atender a algumas coisas: Se ao desferir uma facada, a vítima é 
transportada para um hospital e, no meio do caminho, a ambulância sofre um 
acidente e, em razão do acidente, a vítima sofre outros ferimentos e vem a mor-
rer exclusivamente em decorrência destes ferimentos, o agente não responde 
pelo resultado morte.
Se a vontade do agente era matar a vítima, mas ela morreu em decorrência 
de outros ferimentos, como no caso acima, por causa do acidente, o agente 
responderá por tentativa de homicídio.
D
ire
ito
 P
en
al
25
Exercício
38. (FGV \u2013 2008 \u2013 TJ/PA \u2013 Juiz) Caio dispara uma arma objetivando a 
morte de Tício, sendo certo que o tiro não atinge órgão vital. Duran-
te o socorro, a ambulância que levava Tício para o hospital é atingida 
violentamente pelo caminhão dirigido por Mévio, que ultrapassara 
o sinal vermelho. Em razão da colisão,