OAB-1°Fase Penal
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Tício falece. Responda quais 
os crimes imputáveis a Caio e Mévio, respectivamente.
a) Tentativa de homicídio e homicídio doloso consumado.
b) Lesão corporal seguida de morte e homicídio culposo.
c) Homicídio culposo e homicídio culposo.
d) Tentativa de homicídio e homicídio culposo.
e) Tentativa de homicídio e lesão corporal seguida de morte.
7. O Fato \u2013 Nexo de Causalidade dos Crimes 
Omissivos
7.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos a continuidade do nexo de causalidade nos cri-
mes omissivos.
7.2 Síntese
O art. 13, § 2º do Código Penal trata do nexo de causalidade nos crimes 
omissivos.
Art. 13, § 2º A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e 
podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem?
A lei diz que aquele que podia (possibilidade física) e devia (dever jurídico 
específico) agir para evitar o resultado, se não evitá-lo, responderá pelo resulta-
do, mesmo não tendo praticado uma ação.
O próprio § 2º do art. 13 do CP define quem tem o dever de agir. Tem o 
dever de agir quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância (Exemplo: 
um policial em relação a um crime que presencia);
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado 
(Exemplo: uma babá que tinha o dever de cuidar de uma criança);
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c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resulta-
do (Exemplo: quem joga uma pessoa na piscina, e esta se afoga).
A lei traz resultados jurídicos específicos para aquele que tinha o dever 
jurídico específico de evitar o resultado, e aquele que tinha o dever genérico.
8. Crimes Omissivos Impróprios
8.1 Apresentação
Nesta unidade, será explicado o conceito de crime omissivo impróprio.
8.2 Síntese
O art. 13, § 2º diz que se a pessoa podia e devia agir e não agiu, responde 
pelo resultado.
Os crimes omissivos impróprios também são chamados de comissivos por 
omissão, que são os elencados do art. 13, § 2º.
Para que ocorra a tipicidade de um crime omissivo impróprio ou comissivo 
por omissão, há que se buscar um crime comissivo.
Importante relembrar: crime comissivo (o tipo penal descreve uma ação), 
crime omissivo puro (tipo penal descreve uma omissão) e crime omissivo im-
próprio, também chamado de comissivo por omissão (tipo penal descreve uma 
ação, mas o agente responde por ter se omitido).
As hipóteses do art. 13, § 2º são chamadas dever jurídico específico. As 
pessoas que ali se encaixam têm um dever legal. Quem não se amolda nessas 
mesmas hipóteses, não respondem pelo crime em si, mas apenas por omissão 
de socorro.
Exercícios
39. (FGV) José da Silva é guarda-vidas da piscina do clube do Bom Su-
cesso, muito frequentado por crianças. Todos os dias a piscina do 
clube é aberta às 9 h pelo servente João Souza, e José da Silva é 
sempre o primeiro a entrar na área da piscina e assumir seu posto 
no alto da cadeira de guarda-vidas. Contudo, no dia 1º de novembro 
de 2008, José da Silva não chegou no horário, mesmo sabendo do 
horário de abertura da piscina, apenas às 10 h assumiu o seu posto, 
e nesse momento se deparou com duas crianças mortas, afogadas na 
piscina. A partir do fragmento acima, assinale correta:
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a) José da Silva não praticou crime algum;
b) José da Silva praticou o crime de omissão de Socorro (art. 135 
do CP);
c) José da Silva praticou o crime de homicídio culposo (art. 121, 
§3º do CP);
d) José da Silva praticou o crime de homicídio doloso na modali-
dade comissiva (art. 121 caput do CP).
40. Julgue a assertiva: A omissão é penalmente relevante quando o omi-
tente devia e podia agir para evitar o resultado, sendo o dever de agir 
descrito no Código Penal.
9. Tipicidade
9.1 Apresentação
Nesta unidade, será abordada a tipicidade dos fatos dentro do Direito 
Penal.
9.2 Síntese
Tipicidade é a adequação de um fato a um tipo penal. A tipicidade for-
mal é a adequação do fato ao tipo, à lei penal incriminadora. A tipicidade 
material é o desvalor da conduta e do resultado. Ambas são necessárias para 
a caracterização da tipicidade.
O tipo penal contém elementos objetivos (podem ser descritivos e norma-
tivos) e subjetivos (podem ser dolo ou o chamado elemento subjetivo especial 
do tipo). A regra é que o tipo penal seja doloso. O crime culposo tem que ter 
previsão expressa.
Todos os tipos penais possuem os elementos objetivos descritivos \u2013 são 
dados relacionados ao fato no aspecto material. Todo verbo típico é um ele-
mento descritivo. Dispensam qualquer juízo de valor para compreensão de 
seu significado.
Os elementos objetivos normativos são dados que compõem o tipo penal 
e precisam de juízo de valor para a compreensão do seu significado (exemplo: 
mulher honesta, ato obsceno).
Nem todo tipo penal possui elemento normativo, mas em todo tipo penal 
há elemento descritivo.
Já com relação aos elementos subjetivos, o dolo é definido o art. 18, I do 
Código Penal, e se realiza nos elementos objetivos do tipo (vontade ou assumir 
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o risco de produzir os elementos objetivos). O elemento subjetivo especial é 
relacionado à motivação, à finalidade específica de agir, mas é distinto do dolo. 
Nem todo crime doloso possui elemento subjetivo especial.
Se existisse o tipo penal \u201cmatar alguém com o fim de vingança\u201d, essa parte 
final \u201ccom o fim de vingança\u201d seria o elemento subjetivo especial do tipo.
10. Tipicidade \u2013 Formas de Adequação
10.1 Apresentação
Nesta unidade, continuaremos a estudar a tipicidade.
10.2 Síntese
Existem doutrinadores que classificam os elementos do tipo em: 1) ele-
mentos objetivos; 2) elementos normativos; e 3) elementos subjetivos especiais.
Entretanto, para melhor compreensão divide-se em elementos objetivos (des-
critivos e normativos) e subjetivos (dolo ou elemento subjetivo especial do tipo).
Com relação à tipicidade formal, existem duas formas de adequação do fato 
ao tipo: adequação direta (imediata) e indireta (mediata). Exemplo: Marcelo 
matou Vitor. Este fato se amolda diretamente a um tipo penal, ao art. 121 do 
Código Penal, portanto, é um caso de adequação típica direta. Não há necessi-
dade de nenhuma outra norma de extensão para que o fato seja típico.
No entanto, numa hipótese em que o crime se inicia, mas não se consuma 
por razões alheias à vontade do agente, será necessária uma norma de extensão, 
no caso o art. 14, II do Código Penal. A tipicidade do crime tentado é: homi-
cídio (tipo penal) combinado com a norma de extensão (art. 14, II). Assim, a 
tentativa é uma modalidade de adequação típica indireta (mediata), por preci-
sar da norma de extensão.
Outro exemplo de uma norma de extensão é o concurso de pessoas (art. 
29 do CP).
O tipo penal contém as chamadas circunstâncias, que não alteram o crime, 
e sim a pena.
Exercícios
41. Julgue a assertiva: O tipo penal é composto por elementares e por 
circunstâncias, sendo os elementares dados essenciais ao tipo, ao pas-
so que as circunstâncias são dados acidentais que afetam a pena.
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42. Julgue a assertiva: O princípio da insignificância afasta a tipicidade 
em seu aspecto material.
43. Julgue a assertiva: A tentativa é uma forma de adequação direta.
11. Tipicidade Material
11.1 Apresentação
Nesta unidade, analisaremos a tipicidade material.
11.2 Síntese
Acabamos de ver a tipicidade formal que é a adequação do fato a um tipo 
penal.
Para que ocorra a tipicidade não basta a tipicidade no aspecto formal, é 
necessária a ocorrência da tipicidade também no seu aspecto material, que é o 
desvalor da conduta e do resultado.
Não se deve confundir lei penal com norma penal. Esta possui um aspecto 
valorativo (bem jurídico tutelado, por exemplo, a vida que o legislador quer 
proteger) e um aspecto imperativo