OAB-1°Fase Penal
112 pág.

OAB-1°Fase Penal


DisciplinaDireito Penal I63.622 materiais1.033.328 seguidores
Pré-visualização25 páginas
(norma de proibição ou a norma manda-
mental nos crimes omissivos). A norma penal está implícita na lei. A norma de 
proibição é não matarás, ou seja, é proibido matar.
Se um agente furta uma caneta, é preenchida a tipicidade formal do cri-
me de furto. O fato está adequado a um tipo penal. Porém, não ocorre a 
tipicidade material, pois pelo valor irrisório da caneta, não há o desvalor da 
conduta e do resultado \u2013 não houve ofensa relevante ao bem penal tutelado, 
ao patrimônio (princípio da insignificância). Assim, não ficou configurada a 
tipicidade do fato.
O crime de furto existe para proteger o patrimônio; no entanto, devemos 
lembrar que a função do Direito Penal é a proteção de bens jurídicos contra 
ataques graves e relevantes, o que não ocorreu no exemplo anterior. Aconteceu 
um fato, mas não é típico mediante a ausência da tipicidade material (presente 
apenas a tipicidade formal).
Segundo o STF, para se aplicar o princípio da insignificância é necessário 
se observar quatro requisitos: 1) mínima ofensividade da conduta; 2) ausência 
de periculosidade social da conduta; 3) reduzidíssimo grau de reprovabilidade 
do comportamento; 4) inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Se o fato for típico, teremos o primeiro elemento do crime.
D
ire
ito
 P
en
al
30
12. Crimes Dolosos \u2013 I
12.1 Apresentação
Nesta unidade, serão expostos o conceito do dolo e sua importância para 
a tipicidade.
12.2 Síntese
Dolo e culpa fazem parte de qual elemento do crime? Do fato típico (e não 
da ilicitude ou da culpabilidade).
Dolo e culpa são aspectos da conduta. Fazem parte da análise da tipicidade. 
No caso de crime culposo, é necessária a previsão em lei; em regra, os tipos 
penais são dolosos.
Art. 18. Diz-se o crime:
I \u2013 doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-
-lo; (...)
Temos o dolo direto (a conduta e o resultado foram previstos e desejados) e o 
dolo eventual (não quis o resultado, mas assumiu risco de produzi-lo, a conduta 
foi consciente e teve vontade de realizá-la, e o resultado foi previsto e aceito).
Em relação ao dolo direto, o legislador adotou a teoria da vontade. Já em 
relação ao dolo eventual, adotou a teoria do consentimento.
Exercício
44. No dolo eventual, o resultado:
a) é previsível.
b) é previsível e desejado. O agente quer a sua produção.
c) não é previsto muito embora fosse previsível.
d) é previsto e aceito. O agente assume o risco de produzir o resul-
tado.
13. Crimes Dolosos \u2013 II
13.1 Apresentação
Nesta unidade, será aprofundado o conceito do dolo e suas variações.
D
ire
ito
 P
en
al
31
13.2 Síntese
Em regra, os crimes são dolosos.
Se não houver dolo ou culpa, a conduta será atípica.
No dolo direto de 1º grau, o agente pratica uma conduta perseguindo um 
determinado resultado, sem nenhum efeito colateral.
Exemplo de dolo direito de 1º grau: querer matar alguém e conseguir ma-
tar esse alguém.
Já no dolo direto de 2º grau o agente pratica uma conduta perseguindo um 
resultado, mas obtém um efeito colateral, um resultado não perseguido.
Exemplo: O agente quer matar uma pessoa e coloca uma bomba no avião 
em que esta estará, mesmo sabendo que ela estará com outras pessoas a bordo 
e que a bomba matará a todos.
No dolo direto de 2º grau, existe um resultado que não é perseguido, mas 
presente como efeito colateral necessário. No dolo eventual, o efeito colateral 
é possível.
14. Crimes Culposos
14.1 Apresentação
Nesta unidade, será apresentado o conceito do crime culposo.
14.2 Síntese
O crime culposo está definido no art. 18, II do Código Penal.
Art. 18. Diz-se o crime:
II \u2013 culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, 
negligência ou imperícia.
A definição legal é muito sucinta, cabendo à doutrina e à jurisprudência 
complementar seu conceito.
Em síntese, o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produ-
zi-lo, mas deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.
A imprudência está relacionada a uma ação sem observar o dever de cuidado.
A negligência está relacionada a uma omissão quando deveria observar o 
dever de cuidado.
A imperícia está relacionada a uma ausência de aptidão técnica para uma 
determinada ação.
D
ire
ito
 P
en
al
32
Na chamada culpa consciente, o agente tem consciência e vontade de pra-
ticar a conduta, mas não quis o resultado, nem assumiu o seu risco, apesar de 
ter previsto o resultado.
Na culpa consciente, o agente não observou o dever de cuidado. Exemplo: 
reforma de um apartamento no 10º andar e o agente arremessa o entulho na 
caçamba que está lá embaixo. Quando o agente arremessou o entulho achou 
que acertaria a caçamba, mas acertou a cabeça do porteiro.
15. Distinções: Dolo e Culpa
15.1 Apresentação
Nesta unidade, serão feitas distinções entre dolo e culpa.
15.2 Síntese
Conforme já estudado, no crime culposo, o agente pratica uma conduta 
visando determinado resultado, mas este resultado não está relacionado ao re-
sultado perseguido.
Em relação à situação em que o sujeito dirige embriagado, é preciso obser-
var que basta que o sujeito dirija em estado de embriaguez para que o delito 
seja cometido, já que se trata de crime de perigo.
Se o sujeito, dirigindo embriagado, dá causa à morte de alguém é possível 
que se fale em dolo eventual. No entanto, é preciso que sejam analisadas as 
demais circunstâncias.
Faz-se necessário observar a diferença entre dolo eventual e culpa conscien-
te. No dolo eventual, o resultado é previsto e aceito e, na culpa consciente, o 
resultado é previsto, todavia, o agente não aceita sua produção.
Outro ponto a ser observado é que não há compensação de culpas, o que 
pode ocorrer é uma concorrência de crimes culposos.
Exercício
45. João da Silva acabara de roubar um banco. Ao sair da agência bancá-
ria, furta um veículo que estava estacionado e sai em alta velocidade. 
Durante a fuga, começa a ser perseguido por dois carros de polícia. 
João da Silva é um excelente motorista e está em vias de despistar os 
policiais quando surge no meio da rua, logo à frente, um carro de po-
D
ire
ito
 P
en
al
33
lícia bloqueando a pista e um policial a pé determinando a parada do 
carro para uma fiscalização de rotina (blitz). Ao invés de reduzir, João 
aumenta a velocidade pretendendo passar ao lado do policial sem 
atropelá-lo. Como é bom motorista, acredita que conseguirá passar, 
mas pensa consigo mesmo: \u201cSe o policial for atropelado, azar o dele.\u201d 
Se João atropelar o policial, sua conduta deverá ser classificada como:
a) Culpa inconsciente.
b) Culpa consciente.
c) Dolo eventual.
d) Dolo direto.
e) Estado de necessidade.
16. Erro de Tipo (Art. 20, Caput)
16.1 Apresentação
Nesta unidade, serão feitas considerações acerca do erro de tipo.
16.2 Síntese
O erro de tipo está previsto no art. 20 do Código Penal, havendo exclusão 
do dolo:
\u201cArt. 20. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o 
dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.\u201d
Neste sentido, se o agente pratica determinado fato sem ter consciência do 
que está fazendo, não ocorre dolo e, não havendo dolo, o máximo que pode 
acontecer é o agente responder pelo crime culposo.
Exemplo: um caçador mira em uma moita acreditando que lá se encontra 
um animal. Efetua o disparo, mas acerta um ser humano. O caçador não tinha 
consciência de estar matando alguém, não tinha também vontade.
Se o erro de tipo for inevitável, também chamado de escusável ou invencí-
vel, excluir-se-ão o dolo e a culpa. Por outro lado, se o erro de tipo for evitável 
ou inescusável, excluir-se-á o dolo, mas não a culpa.
Exercícios
46. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o 
dolo, mas permite a punição por crime culposo se previsto