saude adolecentes
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saude adolecentes


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como: o estilo parental de cuidado, o monitoramento do desenvolvimento e do cuidado tanto no 
período escolar como no período complementar, os serviços e órgãos de apoio de outros setores 
e as situações de estresse e adversidades que podem comprometer o desenvolvimento etc.
Além do atendimento de todas as referidas demandas, o trabalho com as escolas e com 
a rede de assistência social é fundamental para ampliar a procura direta do adolescente pelo 
serviço de Atenção Básica. Parcerias em projetos de Educação e Saúde nas escolas, como 
proposto pelo Programa de Saúde na Escola do Ministério da Saúde (PSE/MS), qualificação 
das reuniões intersetoriais para acompanhamento de situações de maior vulnerabilidade 
e parcerias com projetos de Secretarias de Cultura, Esporte e Lazer dos municípios são 
fundamentais neste sentido.
A oferta de grupos de encontro para adolescentes e familiares que cuidam de 
adolescentes e jovens é uma boa estratégia que deve ser estimulada pelos profissionais de 
saúde e entrar no rol de ações ofertadas no planejamento à atenção a adolescentes e jovens. 
Além disso, a leitura de vulnerabilidade e resiliência, como proposto em capítulo específico 
deste documento, também deve ser uma prática constante, que propiciaria a identificação das 
situações que merecerão maior atenção e projetos terapêuticos singulares e familiares para 
complementar a assistência prestada.
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Ministério da Saúde
Dessa forma, a participação da Atenção Básica como uma das fontes de fatores de 
proteção no espaço comunidade, do diagrama apresentado acima proposto por Nordio 
(1978) ao desenvolvimento de adolescentes e jovens, sempre em parceria com as famílias, 
escolas, instituições de acolhimento e conselhos tutelares é uma possibilidade concreta a 
ser construída.
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O panorama atual da saúde pública aponta que, ao lado da prevenção e do tratamento 
de doenças, há necessidade de se voltar prioritariamente para a questão da manutenção do 
bem maior da saúde por meio da promoção de um estilo saudável de vida. Entende-se como 
promoção de saúde a possibilidade de \u201cproporcionar aos povos os meios necessários para 
melhorar sua saúde e exercer um maior controle sobre ela\u201d (RESTREPO, 1992, p. 1).
A saúde de adolescentes e jovens tem representado um desafio para os profissionais de 
saúde que se dedicam a este grupo populacional. Nesse sentido, inicialmente as equipes buscaram 
uma atuação interdisciplinar por meio de programas de atenção integral. Essa proposta se 
mostrou inovadora frente à prática médica biologicista, na medida em que até aquele momento 
a atenção se dava de forma tradicional, restringindo-se a oferecer tratamento aos usuários a 
partir dos sintomas relatados. Entretanto, essa metodologia de atuação interdisciplinar não 
demonstrou ser eficaz na promoção de uma mudança significativa nos grandes problemas de 
saúde porque não permitia que o adolescente/família participasse plenamente como agente de 
sua própria saúde e como multiplicador de estilos de vida saudáveis.
Propor uma mudança estratégica de atuação do profissional, com relação ao adolescente 
dentro de um enfoque de promoção da saúde e de participação juvenil efetiva, aponta para a 
necessidade de uma reflexão sobre a questão ética. A questão é que esse modelo se caracteriza 
pelo pressuposto de que há uma distinção entre \u201cfatos e valores\u201d, onde o observador não está 
envolvido com a situação e o usuário deve se comportar de acordo com as normas estabelecidas, 
ou seja, sem participar efetivamente do processo.
7.1 É suficiente prestar uma atenção integral?
No modelo tradicional, o indivíduo deixa de ser visto em sua singularidade, uma vez que o 
objetivo maior é a cura da doença. Dizendo em outras palavras, nesse exemplo o profissional de 
saúde estabelece uma relação vertical com o usuário, outorgando-se o direito de ditar normas 
7Promoção da Saúde e Protagonismo Juvenil
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Ministério da Saúde
de conduta acreditando que, assim fazendo, proporciona ao usuário uma qualidade melhor de 
vida. Essa postura coloca a pessoa numa posição de inferioridade e de passividade, retirando 
dele não só a liberdade de escolha, como também a responsabilidade por seus atos.
Na nova proposta de atenção integral, o objetivo é ampliar a possibilidade de atuação 
do profissional, tendo como preocupação não só a singularidade do sujeito, mas também a 
organização dos serviços. Com isso, transforma-se o espaço antes considerado como o \u201clugar, 
por excelência, do profissional\u201d \u2013 um lugar de poder \u2013 em outro em que se busca uma interação 
maior dos profissionais com a população assistida. Essa política de atuação significou uma 
mudança com respeito ao modo de como se dava, até então, a relação profissional-usuário. 
Em vez de considerar que o adolescente ou jovem deveria pautar sua conduta segundo um 
modelo preestabelecido, o profissional passou a considerar o meio ambiente como um fator 
de importância capital na compreensão da problemática da adolescência e da juventude. A 
dimensão ética que essa estratégia envolveu diz respeito ao fato de considerar, na relação, o 
adolescente como um sujeito e não mais como mero objeto de investigação (HERZOG, 1987).
7.2 Protagonismo juvenil
O enfoque sugerido de atenção integral constitui um modelo dinâmico que comporta 
transformação contínua, já que se pauta nas necessidades globais de atendimento da 
população-alvo. O desafio agora é aprimorar um modelo qualificado para alcançar outro mais 
eficaz, que amplie a participação dos adolescentes na gestão, na avaliação e na reconstrução 
dos serviços.
A mudança a ser efetuada no novo modelo deve corresponder a uma determinada 
atitude frente a opções a serem priorizadas com respeito à saúde/bem-estar do adolescente. 
Trata-se, então, de incentivar o sujeito a fazer suas próprias escolhas, propiciando um espaço 
reflexivo para um encontro harmônico entre as diversas alternativas de conhecimento, para 
que as condutas sejam fruto de um novo saber.
A atenção ao adolescente deve ter como premissa uma reflexão sobre a liberdade. E 
isto é possível desde que se possa pensar, a partir das dimensões sociais e políticas, de que 
modo a população adulta, melhor dizendo, a sociedade como um todo, permitirá que os jovens 
participem desse projeto. Infelizmente, por enquanto, as informações são escamoteadas, por 
intermédio de códigos e barreiras institucionais que impedem o adolescente de se posicionar e 
de verdadeiramente participar.
O esforço atual deve ser o de promover uma relação horizontal entre profissionais de 
saúde e usuário, relação esta que permitirá uma nova forma de abordagem com respeito à 
atenção à saúde de adolescentes e jovens. Para que isso ocorra, é necessário que haja um 
despojamento dos saberes preestabelecidos. O autoritarismo que vem direcionando a ciência 
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Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
impede que o sujeito produza sua verdade, pois não lhe dá acesso ao conhecimento. Seria a 
partir dessa possibilidade que o adolescente poderia vir a tomar decisões (SCHRAMM, 1994).
A questão agora é: como criar um serviço em que liberdade e responsabilidade sejam 
pertinentes tanto para o profissional quanto para o usuário?
Essa questão coloca a necessidade de se refletir como o profissional se comportará com 
relação a este grupo, a maneira pela qual se dará a abertura para o protagonismo juvenil na 
gestão do serviço, o que pressupõe oferecer todo tipo de informação necessária, bem como uma 
disponibilidade, por parte do profissional, para a escuta do adolescente.
A informação, num sentido amplo, possibilita ao jovem dispor de conhecimento que lhe 
permitirá tomar decisão quanto a sua conduta, em lugar de ser submetido a valores e normas 
que o impedem de exercer seu direito de escolha na administração de sua própria vida.
7.3 Promoção de saúde e prevenção