saude adolecentes
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saude adolecentes


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de se relacionar com 
amigos? e) Sexualidade?
\u2013 Autocuidado: procura serviços de saúde para prevenção e 
acompanhamento de seus problemas e dúvidas de saúde?
\u2013 Preserva-se em relações sexuais? Cuida de sua saúde?
9. AUTONOMIA E CRITICIDADE
\u2013 Em que momentos percebe-se como autor de suas próprias 
decisões? Depende de alguém? De quem? Acredita que pode 
tornar-se mais autônomo?
Tem maturidade e crítica diante suas escolhas?
1. INSTABILIDADE FAMILIAR
\u2013 Sua família está passando por di\ufffdculdades? Pais se 
separando? Está se reestruturando após separação ou 
divórcio? Doença grave ou morte de familiar signi\ufffdcativo? 
Con\ufffditos sérios? Violência doméstica? Di\ufffdculdades 
econômicas? Desemprego de provedores? etc.
2. DOENÇA CRÔNICA/SOFRIMENTO CRÔNICO
\u2013 Sofre de alguma doença crônica? E na família? Encontra 
di\ufffdculdades para cuidar de si mesmo? Sente muita 
dependência da família no cuidado de si e seus problemas de 
saúde? Faltam serviços de saúde e acesso a exames e 
tratamentos que lhes são necessários?
3. DIFICULDADES ESCOLARES
\u2013 Como avalia sua escola? E seu aprendizado? Sente pouco 
empenho da escola em melhorar o ensino? A escola é inclusiva 
e permite a participação dos alunos e familiares nas decisões 
pedagógicas? Sente discriminação ou maus tratos por seus 
pares (colegas)? E pelos professores e funcionários?
4. FALTA OU FALHA NA IDENTIDADE DE GRUPO
\u2013 Sente-se com di\ufffdculdade para pertencer a algum grupo? 
Qual? Seu grupo chega a expor você em alguma situação de 
risco?
5. SOLIDÃO
\u2013 Sente-se muito só? Sem a quem recorrer em momentos 
difíceis? Na família? Na escola? Sem amigos de con\ufffdança?
6. IMPULSIVIDADE
\u2013 Sente que age muito sem pensar? Sem querer está sempre 
envolvido em situações de con\ufffdito e no centro destes 
con\ufffditos? Perde a cabeça facilmente? Chega a agredir pessoas 
\ufffdsicamente ou com palavras?
7. COMUNIDADE
\u2013 Como avalia sua comunidade? Sente-se em comunidade? 
Com possibilidade de pertencer a algo comum? Ou, sente seu 
bairro violento e de risco para si e sua família? 
8. TRABALHO
\u2013 Sente que é obrigado a trabalhar? Sente-se explorado? Sem 
futuro? Como são suas condições de trabalho? Sente prejuízo 
nos estudos por ter que trabalhar?
\u2013 Ao pesquisar estes fatores de proteção e de risco, pode-se chegar à identi\ufffdcação de mais ou menos resiliência e também da 
intensidade da vulnerabilidade singular do sujeito em cuidado e a partir desta leitura criar com este sujeito o melhor caminho a seguir.
\u2013 Uma das possibilidades de cuidado pode ser a discussão e o acompanhamento do usuário (e/ou sua família) em equipe e com este 
buscar construir um Projeto Terapêutico Singular e/ou Familiar na Atenção Básica, nas demais Redes de Atenção à Saúde e na 
Intersetorialidade.
Pesquisar
situações de risco
Avaliar Resiliência e
Vulnerabilidade
Fonte: Elaboração própria.
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Ministério da Saúde
A partir da abordagem proposta anteriormente, é possível identificar as forças de 
resiliência e as vulnerabilidades que o adolescente está sujeito. E, a partir dessa avaliação, 
identificar quais ofertas poderão ser feitas tanto no âmbito da saúde como de outros setores 
de políticas.
A ausência de oportunidades para refletir sobre as questões próprias dessa etapa da 
vida, para construir projetos de vida a partir de seu desejo e necessidades e concretizá-los, 
assim como a desarticulação das ações voltadas aos jovens e adolescentes são importantes 
fatores de vulnerabilidade. Daí a necessidade de se pensar linhas de cuidado que contemplem 
as necessidades de todos adolescentes, de se destacar as principais situações de risco e baixa 
resiliência e de se promover ações envolvendo da melhor forma possível todas as políticas e 
todos profissionais que atendem adolescentes e jovens.
São situações de risco e/ou de baixa resiliência individual e familiar, potencialmente 
produtoras de vulnerabilidade, que merecem ser tratadas da forma mais ampliada possível pela 
saúde, podendo merecer também ações intersetoriais:
\u2022 Adolescentes que residem em áreas de risco ambiental, risco à saúde e com estatísticas 
de maior violência.
\u2022 Que vivem em famílias sem referências significativas, passando por processos de 
desestruturação de vínculos e/ou por processos de fragilidade econômica.
\u2022 Que estejam sofrendo ou em risco de sofrer violência doméstica.
\u2022 Que estejam com dificuldades escolares significativas, tendendo à evasão escolar.
\u2022 Que já tenham iniciado vida sexual sem o necessário apoio dos serviços de saúde.
\u2022 Que estejam vivenciando situação de gravidez não planejada.
\u2022 Que já apresentaram alguma doença sexualmente transmissível e/ou HIV.
\u2022 Que tenham riscos nutricionais, ou seja: obesidade, dislipidemias, desnutrição, 
anemias carenciais, bulimia, anorexias etc.
\u2022 Que esteja em sofrimento mental com destaque às situações de depressão, 
risco de suicídio, alta ansiedade, impulsividade, manias, oscilações de humor 
significativas etc.
\u2022 Que estejam envolvidos com substâncias psicoativas lícitas e/ou ilícitas, tendendo ao 
abuso, à dependência química e/ou ao envolvimento com o tráfico.
\u2022 Que fogem com frequência de casa, tendendo a se estruturar nas ruas.
\u2022 Que exercem qualquer forma de trabalho não prevista pelo Estatuto da Criança e do 
Adolescente (ECA).
\u2022 Que estejam sendo vítimas de exploração sexual ou que tenham sofrido abuso sexual.
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Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
Todas estas situações são apresentadas aqui como enunciados genéricos de situações 
de risco. Na leitura compartilhada com o(a) adolescente de sua resiliência/vulnerabilidade, 
cada situação é particular e deve ser considerada na plenitude de sua singularidade. O que, 
por sua vez, pode gerar ações e manejos muito diferentes entre as situações, mesmo que, 
aparentemente, sejam consideradas de uma mesma categoria de situação de risco.
8.1 Interculturalidade e a saúde de adolescentes e jovens
Cultura pode ser definida como um conjunto de elementos que mediam e qualificam 
qualquer atividade física ou mental, que não seja determinada pela biologia, e que 
seja compartilhada por diferentes membros de um grupo social. Trata-se de elementos 
sobre os quais os atores sociais constroem significados para as ações e interações 
sociais concretas e temporais, assim como sustentam as formas sociais vigentes, as 
instituições e seus modelos operativos. A cultura inclui valores, símbolos, normas e 
práticas (LANGDON; WIIK, 2010, p. 175).
Considerando que todas as pessoas são provenientes e vivenciam diferentes ambientes, 
a atenção integral à saúde deveria ser realizada numa perspectiva intercultural. Contudo, 
os programas de formação e capacitação profissional apresentam abordagens semelhantes 
para toda população, sem uma preocupação com uma análise contextual específica para 
cada sujeito.
Por isso, para atender adolescentes e jovens, os profissionais da área da Saúde deveriam 
ser capacitados com habilidades e competências específicas na área intercultural, pois se trata 
de um grupo plural, construído na sua diversidade, não devendo, portanto, ser tratado numa 
perspectiva universal e homogênea.
A diversidade sociocultural não é determinada pela biologia ou pelo ambiente físico, ainda 
que constituam os substratos materiais sobre o qual se edificam a ordem social e simbólica de 
cada grupo ou sociedade humana. Para além do aspecto biológico e do fator clínico, o adoecer é 
um fenômeno sociocultural. Não levar em consideração o sentido sociocultural do adoecimento, 
da dor, do padecimento é tornar aquele que sofre ainda mais vulnerável.
Daí a importância de se reconhecer os diversos níveis de articulação, desde o biográfico 
até as dimensões macroestruturais, passando pelo contextual/local, sem reducionismos, sejam 
individuais ou socioculturais. Nesse sentido, vale enfatizar outros elementos importantes na 
atenção à saúde como classe