saude adolecentes
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do Trabalhador (Renast) (BRASIL, 2010a):
\u2022 Coordenar projetos de assistência, promoção e vigilância à saúde dos trabalhadores 
na sua área de abrangência.
\u2022 Oferecer Educação Permanente dos profissionais de saúde.
\u2022 Dar suporte técnico a esses profissionais.
\u2022 Articular e organizar, no seu território, as ações intra e intersetoriais de saúde do 
trabalhador.
2. Delegacias Regionais do Trabalho
As Delegacias Regionais do Trabalho são vinculadas ao Ministério do Trabalho e têm 
competência para fiscalizar ambientes de trabalho.
Vale ressaltar que todo profissional de saúde deve preencher a ficha individual de 
notificação de agravos, referente às doenças incluídas no Sistema de Informação de Agravos 
de Notificação (Sinan) e a Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT).
A CAT, juntamente à ficha do Sinan, deve ser preenchida apenas para adolescentes e 
jovens inseridos no mercado formal de trabalho, pois são regidos pela Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT). Já para os adolescentes inseridos no mercado informal, em caso de acidentes 
de trabalho ou de doenças relacionadas ao trabalho que estejam previstas na Portaria MS nº 
104/2011, deve ser preenchida da ficha do Sinan e desencadeadas ações de afastamento do 
ambiente de trabalho. Essas ações de afastamento estão previstas nas Diretrizes de Atenção 
Integral à Saúde Crianças e Adolescentes Economicamente Ativos (BRASIL, 2005).
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Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
Quanto às fichas, prontuários e outros documentos oriundos dos atendimentos 
ambulatoriais (Sistema de Informações Ambulatoriais \u2013 SIA/SUS) e de internações (Sistema 
de Informações Hospitalares \u2013 SIH/SUS) de adolescentes e jovens trabalhadores na rede de 
serviços de saúde, devem ser preenchidos pelos profissionais com precisão, para servir de 
recurso técnico para alguma ação de garantia de direitos.
Links úteis
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações 
Programáticas Estratégicas. Área Técnica de Saúde do Trabalhador. Diretriz para a atenção 
integral à saúde de crianças e adolescentes economicamente ativos. Brasília, 2005. 30 p.
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/diretrizes_miolo.pdf>
Decreto nº 6.481/08 \u201cPiores Formas de Trabalho Infantil\u201d
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6481.htm>
Boas Práticas do Setor Saúde para a Erradicação do Trabalho Infantil
<http://www.oit.org.br/sites/default/files/topic/ipec/pub/boas_praticas_saude_324.pdf>
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PARTE II
CRESCENDO E 
DESENVOLVENDO HÁBITOS 
SAUDÁVEIS... OU NÃO
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A adolescência é marcada por um complexo processo de crescimento e desenvolvimento 
biopsicossocial. Embora já mencionado em outro capítulo deste documento, vale relembrar que, 
seguindo a Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde considera que a adolescência 
compreende a segunda década da vida (10 a 20 anos incompletos) e a juventude estende-se 
dos 15 aos 24 anos. Já o Estatuto da Criança e do Adolescente considera adolescência a faixa 
etária de 12 a 18 anos. Por outro lado, o Estatuto da Juventude preconiza que os jovens estão 
entre 15 a 29 anos.
Os grupos etários são explicados pelos diferentes parâmetros usados na sua concepção, 
como por exemplo, o crescimento e desenvolvimento, as questões sociais e econômicas e 
aquelas relacionadas à inimputabilidade penal. O importante é que essas faixas etárias estejam 
representadas nos sistemas de informação para que cada setor possa ter dados confiáveis 
sobre esse grupo populacional.
12.1 Desenvolvimento físico
O termo puberdade deriva do latim pubertate e significa idade fértil; a palavra pubis 
(lat.) é traduzida como pelo, penugem. A puberdade expressa o conjunto de transformações 
somáticas da adolescência, que, entre outras, englobam:
\u2022 Aceleração (estirão) e desaceleração do crescimento ponderal e estatural, que 
ocorrem em estreita ligação com as alterações puberais.
\u2022 Modificação da composição e proporção corporal, como resultado do crescimento 
esquelético, muscular e redistribuição do tecido adiposo.
\u2022 Desenvolvimento de todos os sistemas do organismo, com ênfase no circulatório 
e respiratório.
\u2022 Maturação sexual com a emergência de caracteres sexuais secundários, em uma 
sequência invariável, sistematizada por Tanner (1962).
12crescimento e desenvolvimento
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Ministério da Saúde
\u2022 Reorganização neuroendócrina, com integração de mecanismos genéticos 
e ambientais.
12.2 Crescimento
O crescimento estatural é um processo dinâmico de evolução da altura de um indivíduo 
em função do tempo. Por isto, é somente por intermédio de repetidas determinações da estatura, 
realizada em intervalos regulares (em média a cada seis meses), e inscritas em gráficos 
padronizados, que se pode avaliar adequadamente o crescimento. A velocidade do crescimento, 
assim obtida, constitui um indicador importante de normalidade, que ajuda o profissional de 
saúde a esclarecer o diagnóstico de qualquer transtorno.
As velocidades de crescimento da criança e do adolescente normais têm um padrão linear 
previsível. Durante a puberdade, o adolescente cresce um total de 10 a 30 cm (média de 20 cm). 
A média de velocidade de crescimento máxima durante a puberdade é cerca de 10 cm/ano para 
o sexo masculino e 9 cm/ano para o sexo feminino. A velocidade máxima de crescimento em 
altura ocorre, em média, entre 13 e 14 anos no sexo masculino e 11 e 12 anos no sexo feminino. 
Atingida a velocidade máxima de crescimento, segue-se uma gradual desaceleração até a 
parada de crescimento, com duração em torno de 3 a 4 anos. Após a menarca, as meninas 
crescem, no máximo, de 5 a 7 cm.
As curvas de crescimento individual seguem um determinado percentil desenhado no 
gráfico de crescimento. É importante salientar que, tanto na infância quanto na adolescência, 
podem ocorrer variações no padrão de velocidade de crescimento, ocasionando mudanças de 
percentil de crescimento, mas nem sempre refletem uma condição patológica. De um modo 
geral, o adolescente termina o seu desenvolvimento físico com cerca de 20% da estatura final 
do adulto em um período de 18 a 36 meses.
A evolução do peso segue uma curva semelhante à da altura. Na puberdade, a velocidade 
de crescimento ponderal acompanha a do crescimento em altura, com a incorporação final 
de 50% do peso do adulto.
12.3 Idade óssea
A idade óssea ou esquelética corresponde às alterações evolutivas da maturação óssea, 
que acompanham a idade cronológica no processo de crescimento, sendo considerada como 
um indicador da idade biológica. Ela é calculada por meio da comparação de radiografias de 
punho, de mão e de joelho com padrões definidos de tamanhos e forma dos núcleos dessas 
estruturas. A idade óssea pode ser utilizada na predição da estatura final do adolescente, 
considerando a sua relação com a idade cronológica.
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Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
12.4 Composição e proporção corporal
Todos os órgãos do corpo participam do processo de crescimento da puberdade, exceção 
feita ao tecido linfoide e à gordura subcutânea que apresentam um decréscimo absoluto ou 
relativo. Há acúmulo de gordura desde os 8 anos até a puberdade, sendo que a diminuição deste 
depósito de tecido adiposo coincide com o pico de velocidade do crescimento.
Desenvolvimento muscular: Na puberdade, chama atenção a hipertrofia e a hiperplasia 
de células musculares, mais evidentes nos meninos. Este fato justifica a maior força muscular 
no sexo masculino.
Medula óssea: Durante a puberdade, ocorre uma diminuição da cavidade da medula 
óssea, mais acentuada nas meninas. Este acontecimento explica um volume final maior 
da cavidade medular para os meninos, que somado à estimulação da eritropoetina pela 
testosterona pode representar, para