saude adolecentes
235 pág.

saude adolecentes


DisciplinaLivros16.988 materiais92.288 seguidores
Pré-visualização50 páginas
incluem-se:
\u2022 Estar atento a explicações que não justifiquem claramente um ferimento, hematoma, 
fratura ou outra marca no corpo, registrando com detalhes no prontuário.
\u2022 Acreditar nos relatos do adolescente. Se qualquer adolescente relata ter sofrido 
violência física ou sexual, sua afirmação deve ser encarada com total respeito e 
seriedade, jamais com ceticismo ou minimização.
\u2022 Promover o atendimento respeitando princípios éticos de sigilo e privacidade.
\u2022 Ficar atento a situações como fuga do lar, ameaças ou tentativa de suicídio, prática de 
delitos, gravidez em idades no início da adolescência, multiplicidade de parceiros(as) 
sexuais, depressão, uso abusivo de álcool e outras drogas e violência intrafamiliar.
1 Conforme o disposto na Portaria nº 485, de 1º de abril de 2014, e na Norma Técnica Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra 
Mulheres e Adolescentes do Ministério da Saúde.
2 Ver Norma Técnica Atenção Humanizada ao Abortamento do Ministério da Saúde.
92
Ministério da Saúde
\u2022 Promover a troca permanente de informações entre a equipe multidisciplinar, pois o 
adolescente pode sentir-se mais a vontade com outro profissional.
\u2022 Estar articulado a setores e órgãos de proteção e garantia de direito, tais como: 
Conselho Tutelar, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente, 
Juizado da Infância e Juventude, Delegacia da Infância e Juventude, Delegacia da 
Mulher, Instituto Médico-Legal, Defensoria Pública, além de instituições que prestam 
assistência a vítimas de violência na localidade, por exemplo, os Centros de Referência 
Especializados de Assistência Social (Creas), grupos de autoajuda etc.
\u2022 Conhecer e cumprir as disposições de normativas em vigor conforme com cada 
situação. O Estatuto da Criança e do Adolescente determina, em seus artigos 13, 18 e 
245, a obrigatoriedade de se denunciar ao Conselho Tutelar da respectiva localidade 
os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente, 
além de outras providências legais.
\u2022 Estabelecer parcerias com escolas, associações de bairro, igrejas, movimentos 
comunitários, ONG, grupos de jovens, órgãos de comunicação, órgãos públicos e 
empresas privadas em um trabalho conjunto em prol da prevenção da violência e da 
promoção da cultura de paz.
\u2022 Preencher a Ficha de Notificação/Investigação Individual de Violência Doméstica, 
Sexual e/ou outras Violências, encaminhá-la para a Secretaria Municipal de Saúde e 
fornecer um relato do caso para o Conselho Tutelar.
Saiba mais:
FICHA DE NOTIFICACA\u303O/INVESTIGACA\u303O INDIVIDUAL DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, 
SEXUAL E/OU OUTRAS VIOLÊNCIAS <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2015/
julho/02/Ficha-Viol-5.1-Final_15.06.15.pdf>
16.5 Sinais de alerta
Quando o adolescente por medo, vergonha ou outro motivo se sente compelido a negar a 
violência que sofreu ou está sofrendo, o diagnóstico da situação é desafiador e complexo. Para 
todas as situações é importante que o profissional de Saúde estabeleça com o adolescente uma 
relação de respeito e confiança, promovendo o acolhimento e os cuidados em saúde necessários.
O profissional de Saúde precisa estar atento a um conjunto de sinais e indícios que 
poderão levá-lo a suspeita de violências. A seguir, apresentam-se exemplos de indícios para 
atenção dos profissionais.
Indícios orgânicos: contusões corporais; queimaduras; ferimentos; fraturas mal 
explicadas; roupas rasgadas ou manchadas de sangue; hemorragias; infecções; presença 
de sêmen.
 93
Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
Indícios na conduta do adolescente: desconfiança exagerada dos adultos; mudança 
súbita e inexplicada no comportamento; receio dos pais e tentativa de passar o mínimo de 
tempo em casa; dificuldades de aprendizado; distúrbios do sono; regressão a comportamentos 
infantis; aparecimento de dores e sintomas para os quais não se encontra qualquer explicação 
médica; isolamento social; autoestima muito baixa, autodepreciação; nanismo psicossocial.
Indícios na conduta dos pais ou responsáveis: observando-se na dinâmica da consulta 
condutas de excessos de zelo parental, tanto no controle da família quanto na avaliação negativa 
em relação ao filho/filha, o profissional deve ficar atento à possibilidade de violência, incluindo 
a sexual, no âmbito doméstico. Outras situações que podem ser preocupantes incluem conflitos 
conjugais com atos de violência física, verbal ou emocional; uso abusivo de álcool ou outras 
drogas; pais que foram vítimas de violência (física, sexual ou psicológica) em sua infância; 
ausência (física ou emocional) do lar ou da vida dos filhos; postura sedutora, insinuante, 
especialmente com crianças e/ou adolescentes.
Saiba mais:
Linha de cuidado para a atenção integral à saúde de crianças, adolescentes e suas famílias em 
situação de violências: orientação para gestores e profissionais de saúde, MS, 2010.
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/linha_cuidado_criancas_familias_
violencias.pdf>
94
O consumo de drogas é um fenômeno universal, histórico e social. Entretanto, vale 
enfatizar que o uso abusivo de medicamentos prescritos pode representar uma dependência 
química. Um dos principais problemas de combate ao uso de drogas é o fato de a sociedade 
sempre ter sido ambígua e incoerente frente ao seu consumo.
O uso de drogas obedece a uma série de fatores relacionados a práticas 
culturais típicas de determinado povo, compondo uma realidade complexa e repleta de 
contradições e experimentações.
Esta deformação da realidade é assimilada com facilidade pelos adolescentes e jovens, 
porque, em seu processo de desenvolvimento, buscam experimentar sem discriminação todas 
as possibilidades desse pretenso mundo novo.
17.1 Prevenção da dependência farmacológica
Qualquer tentativa no sentido de prevenção da dependência de drogas na adolescência 
precisa levar em consideração que o uso de drogas não pode ser tratado de forma simples, 
pois atuar na prevenção requer considerar que o adolescente está pleno de desejos, vontades 
e atuações.
É importante considerar que os problemas de comportamento da juventude não 
constituem novidades das últimas décadas. Sempre houve um período vivido pelos jovens 
acompanhado de experimentação de novos comportamentos de acordo com o contexto familiar, 
social, cultural e econômico em que vivem.
17.2 Problemas/necessidades decorrentes do uso abusivo de drogas
A ideia mais importante é que \u2018drogas\u2019 são substâncias químicas que produzem satisfação 
ao usuário. Estas substâncias produzem sensações agradáveis ou de prazer baseados em 
um poderoso fundamento fisiológico e social. As drogas recreativas estimulam os centros 
17Uso de drogas
95
Ministério da Saúde
do prazer do mesencéfalo. Isto significa que a dependência é um processo com progressão 
nitidamente significativa.
Dada a complexidade multifatorial que envolve o uso abusivo de drogas, a sua abordagem 
deve ser realizada de forma interdisciplinar. Tratando-se de um problema humano, nele estão 
envolvidos o indivíduo, a família, a escola, a sociedade e a cultura.
\u2022 Uso abusivo \u2013 todo consumo de droga que causa dano físico, psicológico, econômico, 
legal ou social ao indivíduo que a usa ou a outros afetados pelo seu comportamento.
\u2022 Intoxicação \u2013 mudanças no funcionamento fisiológico, psicológico, afetivo, cognitivo 
ou de todos eles como consequência do consumo excessivo.
\u2022 Dependência \u2013 estado emocional e físico caracterizado pela necessidade urgente da 
substância, seja pelo seu efeito positivo, ou para evitar o efeito negativo associado a 
sua ausência.
Porque os adolescentes usam drogas?
\u2022 Para experimentar sensações diferentes.
\u2022 Para se sentirem melhor.
\u2022 Para alívio de emoções desagradáveis.
\u2022 Por insegurança.
\u2022 Para ser aceito pelo grupo de amigos.
\u2022 Devido