saude adolecentes
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saude adolecentes


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ou sede reduzidos, euforia.
\u2022 Complicações: paranoia cocaínica (geralmente no contexto do uso até duas semanas 
de abstinência); AVE e infarto do miocárdio, crises hipertensivas, convulsões 
(overdose), alteração do limiar convulsivo, coma e morte.
\u2022 Abstinência: irritabilidade, cefaleia, insônia, dores musculares, ansiedade, tristeza, 
apatia, sonolência, avidez pela droga (acentuada por eventos-chave); geralmente 
esses períodos são seguidos por recaída e novo ciclo de consumo.
6. Anabolizantes
O discurso do culto ao corpo, que cada vez ganha mais vulto, associa beleza, vigor e 
robustez à saúde, incutindo nos adolescentes e jovens a ideia de que obter este corpo belo e 
forte garante um corpo saudável. O uso dos esteroides em geral está relacionado à busca de 
melhores resultados da performance física.
Os esteroides anabólicos androgênicos são derivados da testosterona, hormônio 
sexual masculino que aumenta o poder anabolizador e reduz o poder androgênico. As 
propriedades anabólicas são atribuídas a sua capacidade de estimular a maturação óssea e o 
desenvolvimento muscular (estimuladora da síntese proteica). Chamamos de ação androgênica 
a ação responsável pelos caracteres secundários masculinos. Entre os tipos de anabolizantes 
destacam-se os esteroides, que aumentam o volume do citoplasma e a síntese proteica. 
Os comprimidos têm maior efeito colateral hepático do que os injetáveis (aplicados por via 
intramuscular).
Os principais efeitos colaterais associados à administração destas drogas são, nos 
homens, a diminuição dos caracteres sexuais secundários, atrofia testicular, diminuição da 
libido e o aumento da oleosidade da pele. Nas mulheres causa a hipertrofia do clitóris, aumento 
de pelos e pode causar a oligomenorreia, dismenorreia e amenorreia. Reduz, ainda, a imunidade 
e pode levar a um câncer hepático.
Em longo prazo, doenças graves poderão desencadear-se, dependendo das drogas 
empregadas, do tempo de utilização, das doses e da predisposição individual. As drogas de uso 
oral estão mais associadas aos tumores do fígado, desencadeamento da diabetes e doenças 
cardíacas coronarianas, devido ao maior metabolismo hepático das drogas, aumento da 
resistência celular à insulina e depressão do HDL \u2013 colesterol. As drogas injetáveis produzem 
mais ginecomastia e maior tendência para a trombose (cerebral e periférica), devido à maior 
formação metabólica de hormônios femininos estrogênicos.
No caso específico dos adolescentes, pode ocorrer o fechamento prematuro das linhas de 
crescimento nas epífises ósseas. Também estão associados ao uso dos esteroides, administrados 
tanto por via oral como também pelos injetáveis, a hipertensão arterial e o câncer de próstata.
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Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
Os casos de morte parecem ser decorrentes do uso contínuo prolongado ou de doses 
abusivas. As causas dos óbitos registrados são devidas a infartos, trombose cerebral, 
hemorragia hepática, sangramento de varizes do esôfago, miocardiopatia, metástase de 
tumores da próstata e do fígado, infecções por depressão da imunidade e, ainda, contaminação 
por medicamentos falsificados.
Conduta:
\u2022 Depende do grau de comprometimento do adolescente com a droga, do tipo de droga e 
da situação familiar e social em que ele vive. A abordagem deverá sempre ser realizada 
por equipe multiprofissional que tenha habilidades e competências para a execução 
do seu método de trabalho e de cuidado, bem como saiba lidar com diferentes atores 
sociais envolvidos na questão.
\u2022 Para o acompanhamento eficaz de adolescentes em uso de drogas, é preciso que na 
Atenção Básica haja um profissional da equipe que seja de referência, com quem ele 
possa estabelecer um vínculo efetivo e solidário.
\u2022 A integração de todos os serviços de saúde, assim como dos outros equipamentos 
sociais locais, deve ser fortalecida e sustentada criando redes de cuidado e de 
apoio social.
\u2022 Na promoção da saúde de adolescentes em situação de uso abusivo de álcool e outras 
drogas, poderão ser usadas estratégias que se baseiam nas concepções de sujeito 
coletivo, desenvolvimento da autonomia e atenção integral como:
1. Realização de grupos para troca de experiências e transformações trazidas 
pelos diferentes integrantes e para troca de conhecimentos.
2. Redução de danos, uma vez que a abstinência é muitas vezes necessária, 
mas difícil para algumas pessoas. O referencial teórico-prático de atuação 
e a ética da redução de danos deve permear toda a intervenção.
3. Terapia Interpessoal Breve (TIB) com o objetivo de identificar o problema 
e motivar a pessoa a alcançar metas estabelecidas em parceria com o 
profissional de Saúde, estimulando a autonomia e reforçando a capacidade 
de adolescentes em tomar iniciativas e de se responsabilizarem por 
suas escolhas.
(BRASIL, 2013h, p. 121-124; 149).
Os casos mais graves devem ser encaminhados para outros níveis de atenção e 
acompanhados pela equipe de referência da Atenção Básica. Em muitos casos é 
necessária uma avaliação psiquiátrica devido as suas complexidades.
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Ministério da Saúde
17.3 Orientações para adolescentes e suas famílias
\u2022 Dar informação sobre os tipos de drogas e as consequências de seu consumo, gerando 
capacidade de autocrítica no adolescente.
\u2022 Favorecer a presença de um referente adulto positivo para o adolescente e o 
desenvolvimento de um projeto de vida.
\u2022 Contribuir com a distribuição do horário escolar e tempo livre, no intuito de 
aproveitamento das atividades recreativas saudáveis.
\u2022 Ensinar o(a) adolescente a identificar os riscos em que se envolve por sua relação ou 
vínculos a uma pessoa ou grupo com práticas de consumo de drogas.
\u2022 Promover grupos juvenis com objetivos claros, promotores da saúde física e mental.
\u2022 Envolver o grupo familiar na responsabilidade de compartilhar o tempo livre com 
o(a) adolescente e de apoiar o acompanhamento e o tratamento caso ele(a) esteja 
consumindo drogas.
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Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
Figura 7 - Vulnerabilidade ao uso de drogas
Uso de álcool e de outras drogas em adolescentes entre 10 e 19 anos
Perguntar Observar
CLASSIFICAR RISCO NO USO DE DROGAS
Avaliar
 Etapa da adolescência.
 Consumo ou não de drogas 
lícitas ou ilícitas.
 Fatores de risco em sua 
atividade diária e condutas 
de risco que possam levá-lo 
ao uso de drogas.
 Fatores protetores do 
adolescente para evitar o uso 
de drogas.
 Estado nutricional
 Gravidez
 DST/aids.
 Estado físico geral.
 Aceso a rede de programas 
e projetos que possua 
serviços de apoio aos 
adolescentes com sinais de 
drogadição ou de 
dependência de álcool ou 
tabaco. 
ALTO RISCO BAIXO RISCO
 Você costuma beber algum tipo de bebida alcoólica? Precisar: tipo, 
quantidade, frequência. Quem ofereceu pela primeira vez e com 
quem bebe atualmente?
 Já experimentou algum tipo de cigarro? Qual? Você fuma sempre? 
Com que frequência?
 Já experimentou algum tipo de droga? Precisar o tipo: cocaína, 
crack, maconha, ecstasy, LSD etc. Quantidade, frequência. Quando 
foi a última vez que você consumiu alguma destas drogas?
 Nível de escolaridade atual. Já notou a presença de tra\ufffdcantes, 
colegas ou estudantes de seu colégio que consumam drogas?
 Como você descreve a dinâmica de seu grupo familiar?
 Características do adulto de referência (bebe ou fuma?). Costuma 
orientar você a respeito do uso de drogas?
 Opinião do grupo de amigos frente ao uso de bebidas alcoólicas, 
uso de tabaco ou drogas.
 Você pratica esportes fora da escola e onde os pratica? Quem 
frequenta estas atividades com você?
 Lugar e condições ambientais da área onde você realiza suas 
atividades recreacionais. Dinâmica das festas que frequenta.
 Você se acha inquieto, tem mudanças bruscas de humor e se sente 
isolado do grupo?
 Antecedentes