saude adolecentes
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saude adolecentes


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escolares: baixo rendimento escolar, conflito com os professores e 
colegas, expectativas muito elevadas dos pais com relação aos filhos, que podem 
chocar com as tendências e desejos dos adolescentes.
\u2022 Autoimagem ruim: insatisfação com a própria aparência física, falta de segurança 
com relação a si próprio, visão de futuro sem projetos ou esperanças.
Conduta: Ouvir o adolescente. Quando necessário, realizar interconsulta ou atenção 
conjunta aos profissionais da Saúde Mental dos Nasf.
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Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
20.2 Violência autoinfligida/suicídio
É a terceira causa mais comum de morte entre adolescentes e jovens do sexo masculino. 
As tentativas de suicídio, principalmente em mulheres, correspondem à principal causa de 
procura de atendimento de urgência por adolescentes e jovens. Mais da metade dos adolescentes 
e jovens que morreram por suicídio já haviam experimentado a tentativa de suicídio pelo menos 
uma vez. A ingestão de altas doses de medicamentos constitui o método mais comum de se 
tentar suicídio entre as mulheres. Os adolescentes do sexo masculino usam mais as armas de 
fogo e o enforcamento.
Conduta Geral: O adolescente pode ser abordado sobre pensamentos suicidas, 
independentemente de parecer ou apresentar sintomas de depressão. Deve-se avaliar o grau 
de risco para suicídio por intermédio dos seguintes indicadores:
\u2022 Individuais: autoestima baixa, fracasso escolar, isolamento, sinais de transtornos 
orgânicos e psicológicos, uso e abuso de drogas, dificuldades com a própria identidade 
de gênero, sentimentos de exclusão.
\u2022 Familiares: dissociação familiar, relacionamento desarmônico entre os pais, 
comunicação comprometida com a família, falta de apoio dos pais e violência 
na família.
\u2022 Sociais: características do grupo de companheiros, que podem apresentar valores em 
conflito com a realidade pessoal e social, além das dificuldades de se integrar nas 
normas culturais.
Conduta: Quando necessário, realizar interconsulta, ou atenção conjunta aos 
profissionais da Saúde Mental dos Nasf, e/ou referenciar para centro de especialidades em 
saúde mental.
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21.1 Anorexia nervosa
A anorexia nervosa é um distúrbio emocional e alimentar caracterizado por:
\u2022 Recusa de manter um peso corporal em harmonia com a altura, que é, no mínimo, 
15% abaixo do esperado para uma determinada estatura.
\u2022 Intenso medo de ganhar peso e engordar.
\u2022 Distorção da imagem corporal, como sentir-se gordo, quando, na verdade, está 
muito magro.
\u2022 Ocorre com mais frequência em jovens, muitas vezes na adolescência, de camadas 
socioeconômicas mais elevadas e está relacionada com o ideal estético veiculado 
pela mídia e reforçado pela cultura de consumo de beleza.
\u2022 Cursa com transtornos relacionados com a desnutrição e alterações endócrinas. 
Amenorreia (falta de menstruação) é uma das principais características da 
anorexia nervosa.
Conduta: Avaliação clínica a fim de verificar risco de vida devido à desnutrição. 
Procurar fazer diagnóstico diferencial com outras doenças psiquiátricas, como, por exemplo, a 
depressão. Procurar conhecer a estrutura familiar e de suporte social. É fundamental a atuação 
de um profissional da área de Saúde Mental do Nasf e do apoio de nutricionista.
21.2 Bulimia
Caracteriza-se por períodos de grande compulsão alimentar, quando é ingerida uma 
grande quantidade de alimentos seguidos de período de purgação em que a(o) paciente lança 
mão de vômitos provocados, uso de laxativos e diuréticos e exercícios vigorosos.
21distúrbios na alimentação
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Ministério da Saúde
É mais comum em mulheres jovens. E seu inicio com frequência acontece no final da 
adolescência. A paciente pode ser eutrófica ou até mesmo apresentar sobrepeso. Sintomas 
depressivos acompanham a bulimia.
Apresentam risco de vida durante estes surtos devido aos distúrbios hidroeletrolíticos e 
ácido-básicos desencadeados pelos vômitos, uso de laxantes e diuréticos.
Conduta: Avaliar a história do adolescente e os riscos para depressão. É fundamental 
o acompanhamento por profissionais da Saúde Mental do Nasf; e/ou referenciar para serviços 
especializados com equipe multidisciplinar, de preferência formada por especialista de Saúde 
Mental, nutricionista e clínico.
21.3 Obesidade
É uma consequência do aumento da gordura corporal em relação à massa muscular. É 
uma doença multicausal, em que ocorre a interação de fatores genético-metabólicos e do meio 
ambiente. Representa um importante problema de saúde pública.
O Índice de Massa Corporal [IMC = peso (Kg)/ altura2 (m2)] é considerado bom indicador 
de magreza ou excesso ponderal na adolescência e, por isso, é comumente usado em estudos 
epidemiológicos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), adolescentes com 
sobrepeso são aqueles que apresentam IMC situado entre z-escore+2 e adolescentes obesos 
aqueles com z-escore maior que +2.
O adolescente obeso tem grandes chances de tornar-se um adulto obeso com 
probabilidade de apresentar complicações clínicas, pondo em risco sua sobrevida em 
curto prazo.
Conduta: manutenção de peso tão próximo do normal quanto às características 
fisiológicas do indivíduo permitirem. O tratamento consiste em normalizar (não restringir) 
o consumo de alimentos; aumentar a movimentação corporal, especialmente os exercícios 
aeróbicos; e atentar para as condições sociais e emocionais.
Saiba mais:
Caderno de Obesidade nº 6 \u2013 Acessar: <dab.saude.gov.br/portaldab/biblioteca. php?conteudo= 
publicacoes/cab12>
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As doenças bucais de alta prevalência prejudicam o crescimento e o desenvolvimento, 
afetando a imagem corporal, a estética, a mastigação e a fala, além de dificultar o acesso ao 
mercado de trabalho. Em geral, o adolescente não procura a UBS para resolver seus problemas 
de saúde. No entanto, quando envolve questões estéticas e imagem corporal, o fazem com maior 
facilidade, e nesse sentido a equipe de saúde bucal pode se tornar a referência para o vínculo e 
a porta de entrada do adolescente na equipe de saúde.
Na adolescência, é comum a ocorrência de alguns problemas como bulimia que pode 
levar à erosão dentária e cárie na face lingual dos dentes anteriores, bem como o uso de piercing, 
que pode causar complicações de ordem inflamatória e até infecciosa, além da má oclusão e 
manchamentos nos dentes, halitose (mau hálito), entre outros do campo da estética. Nesses 
casos, havendo a suspeita/detecção de distúrbios alimentares, gravidez, depressão e doenças 
respiratórias, entre outras, deve haver um trabalho integrado da saúde bucal com a equipe.
Devem-se assegurar informações sobre os riscos com acidentes e traumatismos 
dentários e a necessidade de uso de proteção e adoção de comportamentos seguros nas 
atividades esportivas como futebol, skate, lutas, capoeira, atletismo etc., tanto na escola como 
no ambiente do lar. É papel da equipe de saúde bucal orientar e treinar adolescentes, familiares 
e professores sobre a melhor conduta frente os casos de trauma dental e busca imediata por 
atendimento odontológico.
Entre os 17 e 21 anos há, geralmente, erupção dos terceiros molares, mais conhecido como 
os dentes \u201csiso\u201d ou do juízo, na maioria das vezes em local de difícil acesso, o que exige cuidado 
especial na sua escovação e limpeza. Nesta fase é possível haver desconfortos e processos 
infecciosos na região, devendo o adolescente procurar avaliação odontológica o quanto antes 
para obter o melhor encaminhamento.
A equipe de saúde deve dar continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido 
com as crianças e consolidar nesta faixa etária a ideia do autocuidado e da importância 
da manutenção de uma boa saúde bucal para toda a vida. Embora os levantamentos 
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Ministério da Saúde
epidemiológicos demonstrem uma redução nos índices de cárie na faixa dos