saude adolecentes
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sexual.
\u2022 A orientação quanto a métodos contraceptivos deve ser abordada com clareza e de 
preferência com o parceiro, quando possível.
\u2022 Ensinar o registro dos ciclos menstruais no calendário e o seu preenchimento na sua 
Caderneta de Saúde.
\u2022 Ensinar o autoexame das mamas.
Importante
Seja gentil, respeitoso, considere a autonomia da adolescente, especialmente se ela opta 
por ser acompanhada ou não pela mãe ou responsável, por ocasião do exame genital. Se não for 
uma emergência, o exame genital pode ser adiado, se ela assim o desejar.
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Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
Figura 13 - Exame de adolescentes do sexo feminino
Avaliar e classificar o exame físico de adolescentes do sexo feminino entre 10 e 19 anos
Perguntar Observar
CONSIDERAR DE ACORDO COM A ATIVIDADE SEXUAL
Atitude ante o exame físico e genital: 
aceitação ou rejeição. 
Exame físico: Acne. Hirsutismo. Úlceras na 
mucosa bucal. Baixa estatura. Estágio de 
Tanner.
Exame genital
Inspeção: higiene, distribuição de pelo 
pubiano. Vulva: buscar sinais de 
estrogenização, nódulos, úlceras, 
vesículas. Clitóris: Tamanho: (2-4 mm) 
mutilação. Intróito vulvar, forma e 
perfuração do hímen.
Secreção vaginal (odor, cor).
Ânus: asseio, lesões, \ufffdssuras, hemorroidas. 
Palpação: se a glândula de Bartholine for 
palpável, uretra (secreção). Gânglios 
inguinais.
Se indicado medir vagina. 
Exame ginecológico: com espéculo nas 
sexualmente ativas; inspeção do cérvix, 
ectropio, friabilidade, ponteado 
avermelhado (morango), cistos de 
Naboth, secreção mucopurulenta e 
paredes de vagina. 
Colher secreção para exame 
colpocitológico.
Palpação bimanual: Colo uterino: posição, 
\ufffdxação, mobilização dolorosa.
Útero: tamanho, posição, tumoração, dor.
Determinar
Estagiamento puberal (Tanner). Alterações 
no desenvolvimento puberal. 
Herpes. Sí\ufffdlis primaria, Nódulo sebáceo. 
Infecção por HPV, tínea, psoriasis.
Sinais de violência sexual. Clítoromegalia. 
Virilização. 
Rituais culturais. 
Imperfuração do hímen. 
Leucorreia \ufffdsiológica
Fluxo vaginal. Candidíase, trichomoníase. 
Oxiuriase. Hemorroidas
Bartholinitis (gonorrea).
Uretritis (gonorrea, chlamydia). 
Linfoadenopatia. 
Vagina curta. 
Antero ou retroversão uterina
Infecção pélvica. 
Endometriose, tumor pélvico ou de ovário. 
Gonorreia, chlamydia, herpes, 
citomegalovírus.
NORMAL
Sexualmente ativa
Pudor ou ligeira resistência ao exame 
genital, especialmente se o médico for do 
sexo masculino. 
Inspeção dos genitais externos como parte 
do exame físico geral.
Veri\ufffdcar higiene e visualizar sinais de início 
de atividade sexual, mesmo com a 
negação desta.
História familiar: idade da menarca da 
mãe, irmãs, tias. Síndrome do ovário 
policístico (SOP), endometriose, 
transtornos menstruais, dismenorreia, 
câncer.
História pessoal: idade cronológica, 
alergias, doenças crônicas e agudas, 
anorexia/bulimia, hábitos higiênicos.
História menstrual: idade da menarca, 
data da última menstruação, 
características do sangramento menstrual, 
dismenorreia, sintomas pré-menstruais. 
História sexual: idade do início das 
relações sexuais coitais, número de 
parceiros, idade do(a) parceiro(a) atual, 
tempo da relação com o(a) parceiro(a) 
atual, satisfação sexual. Uso de 
preservativos para proteção contra DST ou 
gravidez. Abuso sexual, dor, prurido, 
secreção vaginal. Disúria. Avaliar risco para 
HIV. 
Exame de rotina ginecológico e das 
mamas. Exame citológico preventivo de 
câncer cervicouterino.
PATOLÓGICO
SIM NÃO
Conversar sobre desejo ou não de 
engravidar.
Acompanhar a adesão aos métodos 
contraceptivos e prevenção de DST/aids e 
risco de gravidez.
Realizar colpocitologia anualmente.
Acompanhar os fatores de risco para 
DST/aids.
Transtornos do desenvolvimento puberal: precoce ou tardio. 
Hérnia inguinal. Dermatoses Pediculoses. Parasitoses (oxiuros). 
Infecção por HPV. 
Nódulos, úlceras e secreção uretral sugestivo de DST. 
Hemorroidas. Abuso sexual, traumatismos anogenitais. 
Transtornos menstruais, amenorreia, dismenorreia, alterações 
no \ufffduxo.
Tratar dismenorreia, sangramento genital anormal, alterações 
no \ufffduxo. Referir a outro pro\ufffdssional se não houver resposta ou 
diante do achado de patologias que necessitem tratamento 
cirúrgico ou técnicas diagnósticas não disponíveis.
Seguimento 
Anualmente ou segundo os achados
Fonte: Elaboração própria.
26.2 Problemas ginecológicos mais comuns na adolescência
Imperfuração himenal
O hímen imperfurado corresponde à malformação congênita do trato genital feminino, 
devido à falta de canalização da placa vaginal. Seu diagnóstico pode ser ao nascimento, porém 
só costuma ser notado na época da puberdade. O desenvolvimento dos caracteres sexuais 
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Ministério da Saúde
secundários é normal, entretanto, não ocorre a menarca. Há acúmulo na vagina de muco 
(hidrocolpos) ou sangue (hematocolpos). Nos casos avançados ocorre acúmulo de sangue no 
útero (hematométrio).
Devido ao acúmulo de sangue na vagina, o quadro clínico apresenta-se com dores 
intermitentes no baixo ventre, tipo cólica, com característica cíclica, em geral uma vez por 
mês. Se o hematocolpos chega ao grande volume, pode ocorrer compressão no trato urinário, 
com retenção de urina. O exame vulvar pode revelar uma membrana tensa, estufada e azulada, 
devido à presença de sangue coletado na vagina. Nos casos em que o hematométrio está 
bem desenvolvido há abaulamento do abdômen, sugerindo tumoração anexial ou gravidez. É 
imperativo o exame da genitália externa em todas as jovens que apresentam sinal de dor e/ou 
tumoração pélvico-abdominal.
Conduta: referenciar de imediato para o atendimento ginecológico especializado.
Dismenorreia
Dismenorreia ou menstruação dolorosa corresponde a uma síndrome caracterizada 
habitualmente por dor em cólica no abdômen inferior associada ao fluxo menstrual. É 
provavelmente a causa mais comum de queixas álgicas das adolescentes. Embora a 
dismenorreia esteja associada ao início dos ciclos ovulatórios, algumas adolescentes podem 
apresentar cólicas logo nos primeiros ciclos, que em geral são anovulatórios.
A dismenorreia pode ser classificada em primária, em que há a ausência de patologia 
subjacente, ou secundária, a que ocorre na presença de patologia subjacente (endometriose, 
doença inflamatória pélvica, varizes pélvicas, entre outras).
As causas da dismenorreia primária não estão bem esclarecidas, sendo os fatores 
psicogênicos frequentemente apontados como importantes, tais como: desconhecimento 
sobre a menstruação, presença de tabus ou conhecimentos errôneos, imaturidade emocional, 
irritabilidade emocional, entre outros.
As prostaglandinas apresentam um importante papel na fisiopatologia da 
dismenorreia. Essas substâncias produzem hipercontratilidade uterina, que causa isquemia 
e consequente dor.
As queixas são de dores tipo cólica, espasmódica, no baixo ventre e região suprapúbica 
frequentemente irradiando-se para as pernas e região lombo-sacra. Começa entre uma e quatro 
horas do início da menstruação e pode durar de 24 a 48 horas. Em alguns casos, a dor surge de 
um a dois dias antes da menstruação e continua por dois a quatro dias. Pode vir acompanhada 
de cefaleia, insônia, fadiga, nervosismo, náuseas ou vômitos (ou ambos) e diarreia, além do 
desmaio ou vertigem. Algumas adolescentes têm sintomas tão severos que impedem suas 
atividades escolares, impossibilitando o comparecimento às aulas.
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Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
Conduta:
O tratamento inclui orientação à adolescente sobre a natureza do problema e 
principalmente a abordagem dos aspectos emocionais envolvidos na situação. Se os aspectos 
emocionais tiverem uma gravidade maior, levar o caso para a discussão com o Núcleo de Apoio 
à Saúde da Família (Nasf). 
Muitas adolescentes