saude adolecentes
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de acessarem 
os serviços de saúde e, quando chegam lá, estão em estado avançado de infecção.
Todos esses grupos necessitam de que na atenção integral à saúde sejam consideradas 
as suas singularidades, especificidades clínicas e comportamentos das duas diferentes formas 
de transmissão e no recebimento da atenção de maneira diferenciada, com acolhimento e apoio 
que facilitem a formação de vínculos com a equipe da UBS do território. Para os adolescentes 
é fundamental que sejam logo inseridos nos seus tratamentos para que se sintam confiantes 
e usem suas capacidades de autocuidado. Essa iniciativa fortalecerá o estabelecimento da 
relação de confiança com o profissional de Saúde.
É imprescindível não esquecer que a descoberta da soropositividade é um momento difícil 
que nos adolescentes ocasiona medos, situações de insegurança, de rejeição e de negligência e 
a perspectiva de não poder aproveitar bem a vida individual e social. A autoestima fragilizada 
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Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
pela imagem corporal, pelos efeitos da medicalização ou mesmo pela doença, pode prejudicar 
a identidade com seu grupo de companheiros. Muitos se sentem solitários e discriminados.
Nestes casos, o envolvimento da rede social de jovens vivendo com HIV e aids com 
adolescentes que recentemente conheceram a sua condição de positividade sorológica, pode ser 
um importante aliado no processo de compreensão do diagnóstico e da adesão ao tratamento, 
aliviando também o sentimento de solidão.
A abordagem profissional precisa, também, envolver reflexões para compreensão dessa 
nova realidade, para que os adolescentes, apoiados por suas famílias ou cuidadores, possam 
entendê-la e procurem conviver com a nova situação retirando dela as melhores condições 
possíveis de saúde, além de viverem suas vidas como pessoas que estão construindo novos 
projetos de futuro.
Por fim, como fator básico de prevenção e de proteção, é necessário não esquecer de que 
os adolescentes precisam ser apoiados e compreendidos nos serviços de saúde, para que sua 
sexualidade e vida sexual não sejam julgadas. O cuidado nessa abordagem assegurará que eles 
possam tomar para si mesmos o cuidado do corpo e lidar adequadamente e de maneira segura 
com os seus desejos, isentos de culpa e medos que, muitas vezes, atrapalham a capacidade de 
perceberem o risco de serem infectados por DST, HIV/aids e hepatites virais.
Saiba mais:
Lei Orgânica da Saúde nº 8.080/90 (LOS), artigo 7º.
Saiba mais:
Recomendações para a Atenção Integral a Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids. 
MS, 2013.
Acesse: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/recomendacoes_atencao_integral_hiv.pdf>.
Saiba mais:
Cuidando da saúde sexual e saúde reprodutiva de adolescentes: orientações básicas.
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A gravidez na adolescência, hoje, constitui-se como uma questão polêmica por ligar 
aspectos relacionados ao exercício da sexualidade e da vida reprodutiva às condições materiais 
de vida e às múltiplas relações de desigualdades que estão presentes na vida social do País. 
Nesse sentido, é mais apropriado que a gravidez na adolescência seja vista como um ponto de 
inflexão que resulta de uma pluralidade de experiências de vida, com diferentes significados, 
abordado de várias maneiras e que adota diversos desfechos.
Tradicionalmente, a ocorrência da gravidez na adolescência é enfocada como não 
planejada, indesejada e decorrente do desconhecimento de métodos anticoncepcionais. Estes 
aspectos nem sempre estão presentes e sinalizam que a análise da gravidez e da maternidade 
nessa faixa etária não pode ser desvinculada das motivações individuais, nem descontextualizada 
das condições sociais em que as adolescentes estão inseridas, considerando-se a influência de 
fatores sociopolíticos, culturais e psicológicos implicados na escolha de ser mãe.
Para a saúde pública, a gravidez na adolescência tem sido um desafio. Visto que muitas 
destas gestações terminam em abortos provocados, realizados em condições adversas, que 
evoluem com problemas obstétricos como hemorragia, infecção ou perfuração uterina, 
contribuindo para o aumento da mortalidade materna neste grupo etário.
Outro aspecto de destaque é a possibilidade de risco biológico dessa gravidez, quando 
associada a outros fatores, como desnutrição e acompanhamento tardio, entre outros. Se 
presente, esse risco não está especificamente ligado ao fato de a gestante ser adolescente, pois 
pode ser minimizado por meio de um acompanhamento pré-natal adequado e iniciado o mais 
cedo possível. Outro risco apontado é o risco psicossocial, uma vez que a maternidade pode 
influenciar no abandono escolar e dificultar o acesso ao mercado de trabalho. No entanto, a 
análise desta questão é complexa, já que outros fatores também participam na evasão escolar 
e na exclusão social de adolescentes.
30Gravidez na adolescência
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Ministério da Saúde
Quando as políticas públicas não são suficientes para garantir a inserção das mães e dos 
pais adolescentes no mercado de trabalho e a continuidade da educação, principalmente para 
as adolescentes, que ainda são em grande parte responsáveis pelos cuidados com os filhos, 
cria-se uma situação negativa que influencia fortemente nos determinantes de saúde. Nesse 
contexto, a gravidez, a maternidade e a paternidade nesse grupo podem tornar-se problemas. 
Outro cenário que pode ocorrer é a gestação na adolescência não ser aceita pela família 
e/ou pelo parceiro, criando uma situação de desamparo para a mãe, vulnerabilizando-a, 
configurando-se uma conjuntura crítica na sua vida.
O atendimento nessas circunstâncias negativas demanda cuidados, que devem ser 
prestados por profissionais de Saúde capacitados, que busquem estabelecer vínculos com a 
adolescente e por intermédio de uma reflexão com ela, seu companheiro e familiares, tentem 
encontrar estratégias que possibilitem a equação desses impasses. O apoio à adolescente, para 
que ela possa se estruturar em seu novo papel de mãe, tendo ou não um companheiro, constitui-
se em um suporte fundamental, que favorece inclusive que ela possa retomar seus estudos e 
projetos pessoais. Para as adolescentes de 10 a 14 anos que engravidam, é imprescindível um 
olhar diferenciado que resguarde seus direitos e garanta o acesso a instrumentos de proteção e 
de apoio institucional e social.
Por outro lado, ficar grávida, em contextos sociais marcados por desigualdades de 
gênero e de classe social, pode ser uma tentativa de encontrar um lugar social onde, mesmo 
ilusoriamente, o dia a dia dessa adolescente se torne em algo que valha a pena ser vivido. Ser 
mãe para elas talvez seja uma das poucas formas que lhes restam, já que muitas delas não têm 
inserção profissional e nem escolarização, para se colocarem no mundo como sujeitos sociais 
dentro de um grupo social. O sentimento de pertença é fundamental para que ela possa se sentir 
segura e ter confiança em si mesma para cuidar de si e do seu bebê (HEILBORN et al., 2002).
É preciso também reconhecer que aos homens, principalmente adolescentes, dificulta-
se o exercício da sua paternidade, o que reflete na construção de uma sociedade regida pela 
divisão de trabalho por gênero, onde historicamente foi delegada à mulher a atribuição do 
cuidado infantil e a responsabilidade pela vida reprodutiva. Parte-se então da ideia de que a 
não participação masculina na vida doméstica não decorre exclusivamente do \u201cmachismo\u201d 
de cada homem, mas da compreensão das condições criadas pela sociedade para facilitar ou 
dificultar o envolvimento de homens na vida familiar (LYRA et al., 1998).
Essa premissa precisa ser discutida porque impede ao homem o exercício de um direito 
seu \u2013 o de ser pai \u2013 que repercute no direito do seu filho \u2013 o de ter um pai \u2013 que cuide dele e esteja 
ao lado da sua mãe nessa empreitada de vida, mesmo que já não seja