saude adolecentes
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saude adolecentes


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sobre a adolescente grávida.
Existe um verdadeiro \u201cmuro de silêncio\u201d sobre a paternidade na adolescência. Entre os 
diversos motivos que justificam essa invisibilidade, destacamos: 1) o filho em geral, é percebido 
em nossa cultura como sendo da mãe; 2) o homem jovem quase sempre é percebido, a partir 
de um estereótipo machista, como naturalmente promíscuo, inconsequente, aventureiro e 
impulsivo; 3) o jovem pai é visto, no mesmo contexto anterior, sempre e por princípio, como 
ausente e irresponsável: \u201cnem adianta procurá-lo que ele não quer nem saber!\u201d; 4) o jovem pai é 
reconhecido mais no papel de filho do que de pai.
Em relação à paternidade, em um dos poucos intentos empreendidos para obter dados 
demográficos sobre o pai da criança brasileira, Lyra (1997) constata, conforme já ressaltado, 
que no Brasil, ainda prevalece a máxima: \u201co filho é da mãe\u201d. Ao tentar quantificar a incidência 
da paternidade na adolescência no Brasil a partir das bases de dados do Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE) e o Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), Lyra percebeu 
grande dificuldade em encontrar dados sobre a paternidade.
Ou seja, se alguém quiser hoje saber quantos pais adolescentes existem no Brasil, essa 
pessoa não vai encontrar uma informação direta, na medida em que os dados sobre nascimento 
no Brasil são coletados a partir exclusivamente dos dados da mãe. Tanto nas pesquisas 
aplicadas aos moradores dos domicílios como quando o instrumento de coleta e o registro de 
nascimento, sempre há informações mais abundantes sobre a mãe e ausência de informações 
sobre o pai/parceiro da criança.
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Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
A ausência de dados sobre a paternidade reflete e constrói uma sociedade regida pela 
divisão de trabalho por gênero, onde historicamente foi delegada à mulher a atribuição (muitas 
vezes o fardo) do cuidado infantil e a responsabilidade pela vida reprodutiva. Da mesma maneira 
que, segundo este mesmo princípio, à mulher foi negado o direito e a possibilidade de ocupar o 
espaço público, ao homem vem sendo impossibilitada a participação na vida privada. Parte-se 
da ideia de que a não participação masculina na vida doméstica não decorre exclusivamente 
do \u201cmachismo\u201d de cada homem, mas da compreensão das condições criadas pela sociedade 
para facilitar ou dificultar o envolvimento de homens na vida familiar.
Além dessa invisibilidade, pode-se questionar a abertura que este pai tem nos sistemas 
públicos de saúde para exercer seu papel de cuidador. É ainda forte no ideário social a 
concepção de que ele está menos apto para tal tarefa, assim como a ideia de que o pai nunca 
poderá ter uma condição igual à da mãe, justificada principalmente pelo viés biologizante do 
vínculo no nascimento.
Vem crescendo o interesse por experiências de trabalho com adolescentes e jovens em 
saúde sexual e reprodutiva e sexualidade, gerado, sobretudo, a partir de ações desenvolvidas 
com jovens do sexo feminino. Nesse contexto, experiências concretas veem sendo desenvolvidas 
basicamente por ONGs durante vários anos, por intermédio de programas inovadores, mas 
sem ampla difusão nos serviços de saúde da rede SUS. Essas iniciativas enfrentaram diversos 
empecilhos, entre os quais, a própria limitação das ONGs para dar continuidade a esta tarefa 
face à limitação de recursos humanos e financeiros, a falta de preparo dos próprios profissionais 
de Saúde para atender à clientela masculina, a ausência de material específico, bem como a 
falta de interesse dos adolescentes e jovens em cuidar da sua saúde.
Outra questão importante é que, mesmo entre aqueles que concordam sobre a 
necessidade de focalizar os homens nos serviços de saúde havia polêmicas: deve-se alcançar 
melhores índices de saúde para as mulheres ou atender eventuais demandas dos homens? Sem 
dúvidas, tem ficado mais clara a necessidade imperiosa das políticas de saúde, voltadas não 
só para mulheres e homens, mas também para crianças, adolescentes, jovens e pessoas idosas, 
trabalharem transversalmente juntas \u2013 primando por ações integrais e integradas focadas na 
equidade e nas especificidades de gênero \u2013 com o intuito de obter melhores indicadores de 
saúde para todos os envolvidos.
Particularmente, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), 
instituída pelo Ministério da Saúde, por meio da Portaria MS/GM nº 1.944, de 27 de agosto em 
2009 \u2013 cujo público prioritário, mas não exclusivo, é a população masculina de 20 a 59 anos \u2013 
tem desenvolvido, desde 2012, com maior desenvoltura a estratégia denominada \u201cPré-Natal do 
Parceiro\u201d voltada para a inclusão dos homens nas consultas médicas periódicas do pré-natal de 
suas parceiras, para a oferta de exames de rotina e de testes rápidos de prevenção às doenças 
sexualmente transmissíveis, além da atualização da carteira vacinal, e para a participação nas 
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Ministério da Saúde
atividades educativas realizadas nos serviços de saúde com o objetivo de engajá-los na divisão 
das tarefas de cuidado e no exercício saudável da paternidade ativa.
De maneira ampla, o tema da paternidade abrange o envolvimento ativo dos homens em 
todo o processo de gestação, parto e puerpério, dando oportunidade para a criação de vínculos 
mais fortes e saudáveis entre pais, mães e filhos(as), e neste contexto as ações voltadas para 
os adolescentes e jovens no âmbito da Política de Atenção Integral à Saúde do Adolescente e 
do Jovem devem estar em franco diálogo com a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde 
do Homem.
A tônica deste trabalho conjunto se dá a partir do conceito ampliado de educação 
em saúde, que extrapola em muito as paredes e as barreiras da unidade de saúde (seja ela 
uma UBS, um posto, uma clínica ou uma maternidade). Dessa forma, o envolvimento dos 
homens adolescentes e jovens pode se dar em diversas circunstâncias e locais \u2013 na escola, 
grupos desportivos, clubes juvenis, quartéis militares, em centros de adolescentes e jovens 
que cumpram medidas socioeducativas, grupos comunitários etc. Também podemos trabalhar 
em salas de espera, em clínicas e postos de saúde, mesmo que aproveitando outra demanda 
como a visita ao odontólogo, uma vacina ou mesmo quando esse jovem ou adolescente estiver 
acompanhando outra pessoa.
Se estiver acompanhando sua parceira na gravidez é importante frisar, além do que já 
foi colocado, que o pai/parceiro, inclusive adolescente, tem o direito de: 1) participar de todas as 
etapas do pré-natal \u2013 isso pode ser muito benéfico para ele, sua parceira e a criança; 2) ter suas 
dúvidas sobre a gravidez e os cuidados com a criança e sua parceira esclarecidos; 3) realizar 
seus exames e testes de rotina como HIV, sífilis, hepatites, hipertensão e diabetes, entre outros; 
4) na época do parto, ser reconhecido como pai/parceiro e não como visita; 5) ser valorizado 
como potencial fonte de apoio, cuidado e proteção para a saúde da parceira e da criança em 
todo processo gestacional e no pós-parto, sobretudo durante a amamentação.
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Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica
Figura 14 - Exame do adolescente do sexo masculino
Exame do aparelho genital masculino de adolescentes entre 10 e 19 anos
Perguntar Observar
CLASSIFICAR \u2013 EXAME DO ADOLESCENTE DO SEXO MASCULINO
Determinar
Normal
Aconselhamento
Reforçar a necessidade do exame periódico e identi\ufffdcar 
anormalidades. Insistir no autoexame testicular
Pudor ou ligeira resistência ao exame genital, 
especialmente se médico é do sexo feminino. Idade do 
início do surgimento dos caracteres sexuais secundários 
(9,6-14 anos). Preocupação com o tamanho do pênis.
Higiene genital adequada. Ausência de dor na região 
inguino-escrotal e anal. Meato uretral central sem 
secreção. Ausência de massas na região inguinal. Os 
testículos devem estar no saco escrotal, à palpação