direito Administrativo
42 pág.

direito Administrativo


DisciplinaCálculo I77.483 materiais1.370.316 seguidores
Pré-visualização15 páginas
e sem divisões internas em repartições ou departamentos. Trata-se de situação raríssima, pois pressupõe a ausência completa de distribuição de tarefas.
Na desconcentração as atribuições são repartidas entre órgãos públicos pertencentes a uma única pessoa jurídica, mantendo a vinculação hierárquica. Exemplos de desconcentração são os Ministérios da União, as Secretarias estaduais, os postos de atendimento da Receita Federal, as delegacias de policia, os Tribunais de Contas, as Casas Legislativas.
O conceito central da concentração e da desconcentração é a noção de órgão público. Órgão público é um núcleo de competências estatais sem personalidade jurídica própria.
3. Centralização e Descentralização
          Centralização é o desempenho de competências administrativas por uma única pessoa jurídica governamental. È o que ocorre, por exemplo, com as atribuições exercidas diretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
          Descentralização, as competências administrativas são exercidas por pessoas jurídicas autônomas, criadas pelo Estado para tal finalidade. São elas: autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista.
          Entidades da Administração Pública Indireta ou Descentralizada é composta por pessoas jurídicas autônomas com natureza jurídica de direito público ou de direito privado. A natureza jurídica de direito público ou de direito privado determina diversas características jurídicas especiais, definindo qual o regime jurídico aplicável.
          São pessoas de direito público: autarquias, fundações públicas, agências reguladoras e associações públicas.
          São pessoas de direito privado: empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações privadas.
 
AUTARQUIAS
 
             São pessoas jurídicas de direito público interno, pertencentes à Administração Pública Indireta, criadas por lei específica para o exercício de atividades típicas da Administração.
             Exemplos: Instituto Nacional de Seguridade Social \u2013 INSS; Banco Central \u2013 Bacen; Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis \u2013 Ibama; Conselho Administrativo de Defesa Econômica \u2013 Cadê; Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária \u2013 Incra.
             Na maioria das vezes, o nome \u201cinstituto\u201d designa entidades públicas com natureza autárquica.
             O conceito legal de autarquia é apresentado no artigo 5º, I do Decreto- Lei 200/67 (ver referido dispositivo)
             - são pessoas jurídicas de direito público: significa dizer que o regime jurídico aplicável a tais entidades é o regime jurídico público, e não as regras de direito privado;
             - são criadas e extintas por lei específica \u2013 a personalidade jurídica de uma autarquia surge com a publicação da lei que a institui, dispensando o registro dos atos constitutivos em cartório. Nesse sentido, estabelece o artigo 37, XIX, da Constituição Federal: \u201csomente por lei específica será criada autarquia\u201d. A referência à necessidade de lei \u201cespecífica\u201d afasta a possibilidade de criação de tais entidades por meio de leis multitemáticas. Lei específica é a que trata exclusivamente da criação da autarquia. Em respeito ao princípio da simetria das formas, se a criação depende de lei, então a extinção de autarquia também exige lei específica.
             - dotadas de autonomia gerencial, orçamentária e patrimonial -  autonomia é capacidade de autogoverno representando um nível de liberdade na gestão de seus próprios assuntos, intermediário entre a subordinação hierárquica e a independência. Portanto, as autarquias não estão subordinadas hierarquicamente à Administração Pública Direta, mas sofrem um controle finalístico (princípio da tutela).
             - nunca exercem atividade econômica -  autarquias somente podem desempenhar atividades típicas da Administração Pública conforme dispõe o artigo 5º, I do Decreto 200/67, como prestar serviços públicos, exercer poder de polícia ou promover o fomento.
             - são imunes a impostos- por força do artigo 150, § 2º da CF/88, as autarquias não pagam nenhum imposto. (ver referido dispositivo)
             - seus bens são públicos -  daí estarem revestidos dos atributos da impenhorabilidade, inalienabilidade e imprescritibilidade.
             - praticam atos administrativos e celebram contratos administrativos
             - possuem prerrogativas especiais da Fazenda Pública -  prazo em dobro para recorrer e em quádruplo para contestar, desnecessidade de adiantar as custas processuais e de anexar procuração do representante legal
             - responsabilidade objetiva \u2013 artigo 37, § 6º da CF (ver dispositivo)
 
ESPÉCIEIS DE AUTARQUIAS
A doutrina identifica diversas categorias de autarquias:
- autarquias administrativas ou de serviço: são as autarquias comuns dotadas do regime jurídico ordinário dessas espécie de pessoa pública. Ex. INSS
- autarquias especiais: caracterizam-se pela de determinadas peculiaridades normativas que as diferenciam das autarquias comuns, como uma mais acentuada autonomia. Ex.: Banco Central, a Sudene, as agências reguladoras
- autarquias corporativas: também chamadas de corporações profissionais ou autarquias profissionais: são entidades com atuação de interesse público encarregadas de exercer controle e fiscalização sobre determinadas categorias profissionais. Ex.: Conselhos de Classe, como CREA, CRO e CRM.
OBS.:  Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) perdeu status  de autarquia no Supremo Tribunal Federal. O STF no julgamento da ADi n. 3026-2006 negou natureza jurídica autárquica da OAB, entendendo que  falta personalidade jurídica de direito público, não tendo nenhuma ligação com a Administração Pública. A OAB seria uma entidade sui generis. Daí, não é uma entidade da Administração Indireta da União, mas um serviço público independente, categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro. Também não está incluída na categoria na qual se inserem essas que se tem referido como         "autarquias especiais", para pretender-se afirmar equivocada independência das hoje as chamadas "agencias". Não está sujeita a controle da Administração, nem a qualquer das suas partes está vinculada. Incabível a exigência de concurso público para a admissão dos contratados sob o regime trabalhista na OAB.
- autarquias fundacionais: são as criadas mediante a afetação de determinado patrimônio público a certa finalidade. São conhecidas como fundações públicas. Ex. Procon, Funai etc
- autarquias territoriais: são departamentos geográficos administrados diretamente pela União. Na CF-88 tais autarquias recebem o nome de territórios federais (art. 33 da CF)             
 
AUTARQUIA DE REGIME ESPECIAL. Trata-se de autarquia com tratamento diferenciado em alguns pontos. Surgiu para definir universidades públicas. Quase todas as universidades federais são autarquias especiais, mas por quê? Normalmente, chefe do Executivo escolhe o chefe da autarquia; reitores são escolhidos pelo corpo docente e funcionários. Além disso, as universidades têm liberdade para decidir sobre o currículo. Assim, vejamos algumas peculiaridades: (1) REITOR escolhido por ELEIÇÃO e (2) LIBERDADE para CURRÍCULO.
 
AGÊNCIAS REGULADORAS
 
                               A criação das agências reguladoras brasileiras teve uma direta relação com o processo de privatizações e a reforma do Estado iniciado na metade dos anos 90.
                               A partir de 1995, iniciou-se um processo acelerado de privatizações e reformas estatais cujo passo inaugural consistiu na promulgação de sucessivas emendas constitucionais abrindo caminho para a implantação do novo modelo. As mais importantes dessas emendas foram:
a) Emenda Constitucional n. 5, de 15-8-1995, que decretou o fim da exclusividade da prestação direta, pelos Estados-membros, dos serviços locais de gás canalizado.
b) Emenda Constitucional n. 6, de 15-8-1995, responsável pela extinção do tratamento favorecido