direito Administrativo
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direito Administrativo


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patrimônio.
 
3. Criação e Extinção
As fundações são criadas no ordenamento jurídico. Se sua personalidade for de direito público, será criada por lei específica (regras de direito público).
As fundações governamentais, sejam de personalidade de direito público, sejam de direito privado, integram a Administração Pública. Com efeito, de acordo com maioria doutrinária, a lei cria e dá personalidade para as fundações governamentais de direito público, denominadas autarquias fundacionais. As fundações governamentais de direito privado são autorizadas por lei e sua personalidade jurídica se inicia com a constituição e o registro de seus estatutos (artigo 37, inciso XIX, da Constituição Federal). Cumpre observar que as fundações são extintas da mesma forma como são criadas.
4. Responsabilidade
As fundações também respondem pelas suas próprias dívidas e obrigações contraídas. A Administração direta tem responsabilidade subsidiária quanto às dívidas e obrigações das fundações, ou seja, a Administração somente poderá ser acionada depois de exaurido todo o patrimônio, as forças das fundações.
As fundações governamentais, independentemente de serem dotadas de personalidade de direito público ou privado, assim como as autarquias, também terão responsabilidade objetiva quanto aos atos praticados pelos seus funcionários (artigo 37, § 6.º, da Constituição Federal/88), respondendo pelos prejuízos que esses causarem a terceiros. Tal responsabilidade se justifica não só em razão da previsão constitucional, mas sim em razão da natureza das atividades e dos fins de criação das fundações. 
 
EMPRESA PÚBLICA E SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA
 
1-   COMPARAÇÃO
EMPRESA PÚBLICA:
- Pessoa jurídico de direito público ou privado? PRIVADO.
- Para que serve? Prestação de serviços públicos ou exploração de atividade econômica.
- A qualificação \u201cpública\u201d diz respeito ao capital, que é exclusivamente público.
- Pode adotar qualquer modalidade empresarial admitida em nosso ordenamento (S/A, Ltda. etc.).
 
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA:
- Pessoa Jurídica direito PRIVADO.
- Para que serve? Prestação de serviços públicos ou exploração de atividade econômica.
- Capital misto. A maioria do capital votante deve estar nas mãos do poder público.
- Só pode ser S/A.
 
Assim, quais as SIMILARIDADES entre empresa pública e sociedade de economia mista?  Pessoa Jurídica de Direito Privado e  servem para mesma finalidade.
Quais as DIFERENÇAS?
- Capital: Empresa Pública: exclusivamente público, enquanto Sociedade de Economia Mista: misto.
- Constituição: Empresa Pública pode adotar  qualquer tipo; Sociedade de Economia Mista só pode ser S/A.
- Competência para ações. Conforme dispõe a CF/88 em seu artigo  109, I: Empresa pública federal, de quem é a competência? Justiça federal. Sociedade de Economia federal: Justiça estadual. STF, súmulas 517 e 556.
	Empresa Pública
	Sociedade de Economia Mista
	SIMILARIDADES
	PJ de direito privado
	Podem prestar serviço público ou exercer atividade econômica
	DIFERENÇAS
	Capital exclusivamente público
	Capital misto
	Pode constituir-se em qualquer tipo de empresa
	Só S/A
	Competência da Justiça Federal
	Competência da Justiça Estadual
 
 
 2. REGIME JURÍDICO
 
                               Regime MISTO, porque mistura regras de direito privado e público. Se prestadora de serviço público, prevalência de regime de direito público, mais próxima da autarquia. Se exploradora de atividade econômica, regime mais próximo da iniciativa privada.
 
CF/88: Art. 173, \u201ca exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei\u201d, intervenção na atividade econômica só se justifica pela (i) segurança nacional e (ii) relevante interesse coletivo. Assim, não se pode explorar qualquer atividade econômica.
Regras para Empresa Pública (EP) ou Sociedade de Economia Mista (SEM) prestadoras de serviço público:
	 
	SEM/EP prestadora de serviço público
	SEM/EP exploradora de atividade econômica
	Licitação
	Obrigatório, lei 8.666: 1º; CF: 37, XXI. Possibilidade de dispensa (lei 8.666: 17 e 24) e inexigibilidade (lei 8.666: 25)
	Facultativo, CF: 173, par. 1º, III. \u201cA lei estabelecerá o estatuto jurídico\u201d: estatuto ainda não veio; enquanto isso, aplica-se 8.666. Possibilidade de dispensa (lei 8.666: 17 e 24*) e inexigibilidade (lei 8.666: 25).
	Falência
	Não estão sujeitas a falência, cf. lei 11.101/05: 1º.
	Havia alguma doutrina dizendo que cabível falência, mas LRE não faz distinção; assim, não estão sujeitas a falência, cf. lei 11.101/05: 1º.
	Responsabilidade
	SIM, CF: 37, VI.
Responsabilidade OBJETIVA. Solidariamente, existe ordem de preferência.
	NÃO, aplica-se o direito civil.
Responsabilidade SUBJETIVA. Aqui, o Estado não responde.
	Bens públicos
	Em regra, NÃO, são penhoráveis etc., porque seguem regime privado. EXCEÇÃO: só serão bens públicos aqueles diretamente ligados à prestação de serviço público, pelo princípio da continuidade do serviço público. Há divergência minoritária, no entanto.
	Privilégios tributários
	NÃO têm privilégios, desde que cobre tarifas. CF: 150, par. 3º: não há aplicação da imunidade recíproca quando houver cobrança do tarifa do usuário. Assim, quando houver prestação de serviço público, possível a tarifa.
	CF: 173, par. 2º: NÃO têm privilégios, salvo os extensíveis à iniciativa privada.
	Pessoal
	Quadro NÃO TEM SERVIDOR PÚBLICO, mas SERVIDORES DE ENTES GOVERNAMENTAIS DE DIREITO PRIVADO, seguindo regime celetista, i.e. empregados. Esses empregados equiparam-se a servidor público em alguns aspectos:
(i)             Concurso público;
(ii)            Regime da não-acumulação (exceções na CF);
(iii)          Teto remuneratório (caso precise de repasse; em caso contrário, não aplicável teto);
(iv)         Improbidade, equiparados a funcionários públicos pela lei penal;
(v)           Sujeitos a remédios constitucionais.
O empregado da EP ou SEM não goza de estabilidade do CF: 41, podendo ser a dispensa imotivada (TST, súmula 390; OJ 247)**.
 
* Dispensa para 20% do convite.
** ECT é empresa pública, mas tem tratamento de Fazenda Pública, ou seja, autarquia (regime de precatório, imunidade tributária recíproca, impenhorabilidade de bens etc.). Mesmo tendo tratamento de empresa pública, abriu lojas por franchising, quando deveria fazer licitação. Tribunal de contas foi atrás.
 
A licitação é dispensável quando a competição for impossível, o que ocorre quando prejudica a finalidade da atividade ou prestação do serviço. Como essa atividade é de interesse público, teríamos a licitação, que visa ao interesse público, obstando a busca do interesse público. A licitação é afastável sempre que prejudicar o interesse público, que ela mesma quer proteger. O rol de circunstâncias é EXEMPLIFICATIVO. Exemplo: gráficas de diários oficiais são normalmente sociedades de economia mista, que também atuam no mercado. Se para comprar papel tivesse que licitar, deixaria de ser competitiva, daí dispensa. Agora, para construir sede nova, obviamente necessário o certame licitatório.
 
ENTES DE COOPERAÇÃO 
 
        Entes de cooperação estão fora da administração, pertencem ao TERCEIRO SETOR, também chamados ENTES PARA-ESTATAIS. ONGs podem pertencer a esta categoria, mas não necessariamente. São pessoas jurídicas de direito privado que não podem ter fins lucrativos, apesar de poder acontecer incidentalmente.
 
1. SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS
 
                               Ou SISTEMA \u201cS\u201d, vez que quase todos começam com letra \u201cS\u201d: SESI, SENAC, SEBRAE, SENAI, SEST (transportes), SENAT (transportes), SENAR (rural) etc.
FINALIDADE. Ente para-estatal serve para fomentar e dar apoio às diversas categorias profissionais. Exemplos: cursos de profissionalização do SEBRAE, show do SESI etc. Desenvolvimento da categoria causa o desenvolvimento do Estado.
 
FINANCIAMENTO. O sistema \u201cS\u201d tem duas receitas: