ilicitude 2

ilicitude 2


DisciplinaDireito Penal I63.291 materiais1.031.340 seguidores
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da Funai. 
Diante do raciocínio aplicado ao instituto da autoria colateral, temos que basta 
uma causa que reduza as possibilidades da vítima de entender, contrariar, 
enfim, resistir à coação feita pelo autor da ordem para restar caracterizada a 
autoria mediata. Dessa forma, em se tratando de silvícola não adaptado, sem 
possibilidade de compreender o caráter o ilícito do ato ou, até mesmo, coagido 
teríamos sim reconhecida a autoria mediata. 
 
A doutrina nomeia o executor, nos casos de autoria mediata, de longa 
manus do autor mediato, já que, por ficção, considera que o último é o agente 
do crime. 
7. Autoria Colateral: Ocorre quando mais de um agente realiza a conduta sem 
liame objetivo entre eles. 
por exemplo, \u201cA\u201d e \u201cB\u201d querem matar \u201cC\u201d e, certo dia, os dois, sem tomarem 
conhecimento das respectivas intenções, disparam simultaneamente em \u201cC\u201d. 
Diante da falta de unicidade de desígnios, ajuda entre si para consumar a 
conduta, cada um responderá pelo crime que cometeu. 
8. Autoria Incerta e Autoria Desconhecida \u2013 São diferentes. A autoria incerta 
ocorre quando se tem conhecimento dos agentes mas não se consegue 
identificar o causador. Ambos responderiam por tentativa. 
A autoria desconhecida não se consegue apurar sequer quem foi o causador. 
Nesses casos, o procedimento de investigação o crime (conhecido como 
Inquérito Policial, como será estudado em Processo Penal) é arquivado até que 
novas provas surjam. 
9. Participação Sucessiva \u2013 ocorre quando o mesmo participe concorre para 
a conduta principal de mais uma foma, por exemplo, o participe que induz e, 
após, auxilia (vigia, empresta a arma ...) 
10. Conivência ou participação negativa ou crimen silenti 
Como o próprio nome indica, ocorre quando o sujeito, sem ter o dever jurídico 
de agir (artigo 13, parágrafo 2º, do CP), omite-se durante a execução do crime 
quando tinha condições de impedi-lo. 
A conivência, quando ausente o dever jurídico de agir, não configura 
participação por omissão. 
Observe o exemplo feito através do fragmento jurisprudência do E. TJSP: 
\u201cSe o acusado não praticou qualquer ato de execução, permanecendo a certa 
distancia do autor delito sem lhe dar força moral nem desencorajá-lo à prática 
da conduta delituosa, não há que se falar em participação no crime, pois a 
mera conivência ou participação negativa não caracterizam o concurso\u201d 
(RT 733/654) 
\u201cAinda que o agente tenha conhecimento da intenção de menores infratores em 
praticar a subtração, não havendo prova a respeito de uma atuação efetiva, da 
vontade de aderir aos fatos delituosos, o seus comportamento consistente em 
permanecer nas proximidades não pode caracterizar a participação no crime\u201d 
(RJDTacrim 23/298) 
Assim, se uma pessoa, não incurso nas hipóteses do parágrafo 2º do artigo 13, 
do CP, estava ciente do crime, presenciou o crime, mas nada fez, não ajudou, 
mas, também, não delatou, não há que se falar em participação, quiçá, 
eventual tipificação de omissão de socorro, se comprovada. 
11. Participação por Omissão 
Quando o sujeito tendo o dever jurídico de agir, omite-se, intencionalmente, 
esperando que o resultado ocorra. Atenção!!! Importante!!!! A participação por 
omissão ocorre quando o sujeito apresenta o dever jurídico de agir, ou seja, se 
encaixa em uma das hipóteses do parágrafo 2º, do artigo 13, do CP. 
Nesses casos, como apresenta o dever jurídico de agir, responderá como 
partícipe, desde que o elemento subjetivo seja idêntico ao apresentado pelos 
autores. Isto é, se os autores do crime apresentam dolo, o participe por 
omissão, para configurar concurso, deverá, também apresentar dolo na 
omissão. 
Supondo que um empregado possui dever de fechar a porta do 
estabelecimento (foi contratado para isto) e não o faz (se omite) para que 
terceiro realize a subtração, há participação criminosa no furto em decorrência 
do não cumprimento do dever jurídico de impedir o resultado. 
Para diferenciar a participação por omissão da conivência, vamos ter em mente 
o seguinte exemplo. 
Suponha que, após uma partida de futebol, o torcedor do Time X é abordado 
pela torcida do Time Y, que, após xingá-lo, o esbofeteiam ... Ocorre que o 
pipoqueiro do estádio observou tudo o que ocorreu juntamente com um policial. 
Tanto o pipoqueiro como o policial caçoaram da situação, dando risadas, 
enquanto a vítima é esbofetada pelos torcedores. 
Temos, assim, que não há que se falar em participação por omissão praticada 
pelo pipoqueiro, quiçá, como mencionado, por omissão de socorro, nas 
hipóteses e circunstancias legais. 
No entanto, há participação por omissão do policial em relação à agressão 
praticada pela torcida. Isto porque o policial detém o dever legal de impedir 
esse resultado, nos termos do artigo 13, parágrafo 2º, do CP e, principalmente, 
apresentou liame subjetivo (dolo) em relação aos torcedores. 
Ainda é importante acrescentar. Supondo que o policial estivesse distraído, 
comendo pipoca, por exemplo, temos que sua conduta não seria dolosa, mas 
culposa e, nesse caso, responderia por lesão corporal (ou homicídio, se for 
este o resultado) culposo. 
Para exemplificar a aplicação deste instituto na prática vamos transcrever 
alguns fragmentos de julgados de nossas Cortes Superiores, vejamos. 
\u201cEstupro. Menor que diversas vezes foi violentada pelo padastro. Mãe que, 
ciente dos fatos, se omite, não denunciando o companheiro. Cumplicidade \u2013 se 
a mãe tem ciência de que sua filha diversas vezes foi violentada pelo 
companheiro e se omite, não denunciando os fatos às autoridades, torna-se 
cúmplice e deve ser condenada, na modalidade de participação, consoante 
dispõe o aigo 29,caput, do CP, já que sua omissão foi relevante pois possuía o 
dever jurídico de cuidar, proteger e vigiar a prole, conforme determinam os 
artigos 227, caput, da CF e artigo 4º do ECA (Lei nº 8069/90). Apelação 
ministerial provida, com condenação da acusada e declaração de incapacidade 
de exercício do pátrio poder em relação à filha.\u201d (RJTJERGS 207/189) 
Dessa forma, em se tratando de participação por omissão, aquele que tem o 
poder dever de impedir o ilícito e deixa de fazê-lo aderindo à vontade do autor 
e possibilitando a consumação, responde pela causação. 
12. Participação em crime omissivo \u2013 Trata-se do agente que auxilia, induz 
ou instiga outrem a se omitir da conduta devida. Ex: convencer outrem a não 
efetuar o pagamento da pensão alimentícia, nesse caso, seria participe do 
crime de abandono material. 
 
 
13. Multidão deliquente \u2013 é o caso dos linchamentos, crimes praticados sob 
influencia de multidão e tumulto. Os agentes respondem em concurso com 
atenuante, como será estudado mais adiante, artigo 65, III, \u201ce\u201d, do CP. 
14. Participação impunível \u2013 quando o fato principal não chega a ingressar 
em sua fase executória. Como antes disso nada é punível, então, isto, também 
não é punível. Por exemplo, empresto uma faca, mas o autor não pratica o 
crime. 
 
 
 
 
 
 
TESTE 
 
Há exercício regular de direito na correção dos filhos pelos pais, na prisão em 
flagrante por particular, na 
defesa do esbulho possessório recente (art. 1210, Parágrafo 1º, CC), no 
expulsar de pessoas, que 
permanecem indevidamente em local em que esta vedado o acesso. 
 
 
Não sendo possível o consentimento do paciente ou de seu representante legal 
poderá caracterizar 
estado de necessidade em favor de terceiro. 
 
No entanto, se boxeador que, desrespeita as regras do esporte, ou mesmo 
após ter dominado 
totalmente o adversário que já se encontrava atirado ao solo, continua a 
desferir socos contra o mesmo. 
Nesse caso, há excesso e, portanto, não há que se falar em reconhecimento 
da excludente, 
respondendo, o boxeador, pelo resultado criminoso.