ilicitude 2

ilicitude 2


DisciplinaDireito Penal I63.082 materiais1.029.122 seguidores
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TÍPICO ANTIJURIDICO 
- conduta (DOLO e CULPA) 
- nexo causal 
- resultado 
- tipicidade 
- contrário à lei. Necessária a 
ausência de excludentes 
 
NÃO É ELEMENTO DO CRIME: 
CULPABILIDADE 
1) Imputabilidade 
2) Potencial conhecimento da ilicitude 
3) Exigibilidade de conduta diversa 
 
As teorias definidoras de crime é matéria meramente doutrinária, objeto de 
matéria ministrada em pós graduação. Na verdade, como conseqüência tanto 
da teoria tradicional como da teoria finalista temos o crime. 
 
Para realizar nosso estudo, vamos adotar a TEORIA FINALISTA somente em 
virtude de sua adoção majoritária pela doutrina. 
 
2. Culpabilidade \u2013 Conceito 
 
Quando se menciona que \u201cFulano de Tal foi o grande culpado pelo fracasso de 
sua equipe ou de sua empresa\u201d estamos lhe atribuindo um conceito negativo, 
uma reprovação. Estamos julgando \u201cFulano de Tal\u201d, ou melhor, estamos 
atribuindo a \u201cFulano de Tal\u201d um juízo de valor. 
 
A Culpabilidade é isso, ou seja, a possibilidade de considerar alguém culpado 
pela prática de uma infração penal. 
 
Como já foi exposto, para a maior parte da doutrina, a culpabilidade não é 
elemento do crime, mas REPROVAÇÃO, JUÍZO DE VALOR, CENSURA. 
 
Segundo a TEORIA FINALISTA, para estabelecer um JUÍZO DE VALOR, para 
CENSURAR é necessário que esteja fora do CRIME. E é por isso que a 
CULPABILIDADE não integra o conceito de crime. 
 
No entanto, a aplicação de pena só é admitida na medida em que existe 
CULPABILIDADE, assim, esta última é pressuposto para aplicação de pena. 
 
3- Culpa em sentido amplo x Culpa em sentido estrito 
 
A doutrina subdivide a culpa em culpa em sentido amplo e culpa em sentido 
estrito. 
 
A culpa em sentido amplo é a culpa que empregamos de modo leigo, 
significando responsabilidade, censurabilidade. Contudo, não deve ser 
confundida com culpa em sentido estrito que é elemento do fato típico e se 
apresenta nas modalidades, imperícia, negligencia e imprudência. 
Evidentemente que não devemos esquecer que a culpa em sentido estrito 
integra o fato típico e é elemento do crime, diferentemente da culpa em sentido 
amplo que não é elemento do crime, mas reprovação e pressuposto para 
aplicação da pena. 
 
4- Culpabilidade do autor x Culpabilidade do fato 
 
Discute-se na doutrina se o juízo de reprovação, a censurabilidade é 
estabelecida ao fato ou ao autor, dessa forma, temos dois entendimentos 
doutrinários a respeito do tema: 
 
a) Culpabilidade do autor \u2013 para este entendimento doutrinário é a 
culpabilidade do autor e não do fato que deve ser aferida. A reprovação, assim, 
não se estabelece em função da gravidade do crime praticado, mas do caráter 
do agente, seu estilo de vida, sua personalidade, seus antecedentes, conduta 
social e dos motivos que o levaram à infração penal. Também é conhecida 
como \u201cculpabilidade do caráter\u201d ou \u201cculpabilidade da conduta de vida\u201d. 
 
b) Culpabilidade do fato \u2013 para este entendimento doutrinário o que importa é 
aferir a reprovabilidade do fato e não do autor para se aferir a culpabilidade. A 
censura, neste caso, recai sobre a gravidade do comportamento humano, 
gravidade da ação, sua maior ou menor lesividade social. Trata-se 
de entendimento majoritário na doutrina, segundo Assis de Toledo o direito 
penal \u201c... é um direito de fatos\u201d 
 
5 \u2013 Grau de culpabilidade 
 
Como já foi mencionado, a culpabilidade é pressuposto para aplicação da pena 
que será estudada mais adiante. 
 
Para fins de esclarecimentos cabe frisar que a fixação do quantum de pena 
esta diretamente relacionada com a culpabilidade. Nos termos do artigo 59, CP 
quanto maior o grau de censura atribuído ao fato maior será a quantidade de 
pena estipulada. 
 
O assunto será detalhado adiante. Realiza-se esta abordagem somente para 
direcionar o raciocínio do leitor. 
 
6 \u2013 Culpabilidade e seus elementos 
 
Foi analisado nos tópicos anteriores que a culpabilidade consiste na 
possibilidade de reprovar a fato criminoso. Isto porque o autor do fato podia e 
deveria agir de modo diferente. 
 
 Observe o caso apresentada na ementa abaixo: 
 
TJRJ: \u201cSe o laudo do exame de sanidade mental atesta que o agente possuía 
plena capacidade de entender o caráter criminoso do fato que lhe é 
imputado, e que, ao tempo da ação e da omissão não era portador da doença 
mental, a ponto de apresentar desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado não há que se acolher a alegação de ausência de culpabilidade\u201d 
 
Grifou-se na ementa transcrita as palavras \u201cplena capacidade de entender o 
caráter criminoso do fato\u201d e verifica-se que em razão da capacidade de 
entendimento do autor dos fatos é lhe atribuído um juízo de reprovabilidade, de 
censura, pois podia e deveria agir de modo diferente. 
 
Diante disso, conclui-se que só há culpabilidade se o sujeito, de acordo com 
suas condições psíquicas, podia estruturar sua consciência e vontade de 
acordo com o direito (IMPUTABILIDADE), se estava em condições de 
compreender a ilicitude de sua conduta (POSSIBILIDADE DE 
CONHECIMENTO DA ILICITUDE), se era possível exigir, nas 
circunstancias, conduta diferente daquela do agente (EXIGIBILIDADE DE 
CONDUTA DIVERSA). 
 
Assim, são elementos da culpabilidade: 
 
1) IMPUTABILIDADE 
2) POTENCIAL CONSCIENCIA DA ILICITUDE 
3) EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA 
 
A culpabilidade é descaracterizada na medida em que de seus elementos é 
excluído. Vamos, assim, analisar cada um deles. 
 7 \u2013 Imputabilidade 
 É a capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de se determinar de 
acordo com ele. 
 Aquele que não detiver condições de entender o caráter ilícito do fato e de se 
determinar de acordo com ele é inimputável, consequentemente, não culpável 
e, logo, \u201cisento de pena\u201d (redação do Artigo 26, CP) 
 \u201ccapacidade\u201d e \u201cImputabilidade\u201d não se confundem! A capacidade é 
considerada gênero do qual decorre a imputabilidade. Isto porque o conceito de 
capacidade pressupõe, também a capacidade processual, enquanto a 
imputabilidade se refere tão somente a uma capacidade sui generis, ou seja, a 
capacidade penal. 
 Tem-se, por regra, que todo agente é imputável, salvo se presente uma causa 
excludente de imputabilidade que se resumem no rol apresentado abaixo: 
 AS EXCLUDENTES DA IMPUTABILIDADE SÃO: 
A) DOENÇA MENTAL 
B) DESENVOLVIMENTO MENTAL INCOMPLETO 
C) DESENVOLVIMENTO MENTAL RETARDADO 
D) EMBRIAGUEZ COMPLETA PROVENIENTE DE CASO FORTUITO E 
FORÇA MAIOR. 
 Evidentemente que as excludentes da imputabilidade devem ser constatadas 
ao tempo da infração, caso contrário, não haverá exclusão da culpabilidade. 
 Vamos analisar, agora, cada uma das causas que excluem a imputabilidade, 
por conseqüência a culpabilidade e, logo, a pena, vejamos: 
 A) DOENÇA MENTAL \u2013 Exclui a imputabilidade qualquer espécie de doença 
mental e psíquica de toda ordem, mas, necessariamente, capaz de eliminar ou 
afetar a capacidade de entender o caráter criminoso do fato ou comandar 
a vontade de acordo com esse entendimento. 
 O Professor Mirabete estabelece uma gradação interessante a respeito da 
doença mental, de sorte que, podem ser consideradas: Orgânicas \u2013 paralisia 
progressiva, sífilis, tumores cerebrais, arteriosclerose; Tóxicas \u2013 psicose 
alcoólica e Funcionais \u2013 esquizofrenia, maníaco depressiva. 
 Note-se que dentre as moléstias orgânicas há aquelas que não atingem 
diretamente o cérebro a capacidade mental da pessoa, como por exemplo a 
sífilis, porém, se constatada que em razão desta doença o autor dos fatos se 
tornou incapacitado para entender o caráter criminoso ou comandar a vontade 
de acordo com esse entendimento há inimputabilidade. 
 Importante também frisar que a inimputabilidade não