ilicitude 2

ilicitude 2


DisciplinaDireito Penal I59.373 materiais997.614 seguidores
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pena. Contudo, sabemos que não é isto que ocorre. 
 - SISTEMA BIOPSICOLÓGICO \u2013 Combina os dois sistemas anteriores 
exigindo que a causa geradora esteja prevista em lei e que, alem disso, atue 
efetivamente no momento da ação delituoa retirando do agente a capacidade 
de entendimento e vontade. 
 Será inimputável aquele que em razão de causa prevista em lei \u2013 doença 
mental, desenvolvimento mental incompleto ou retardado \u2013 atue no momento 
da ação ou omissão sem capacidade de entender o caráter ilícito do fato. 
 - CONCLUSÃO \u2013 Nosso sistema adota o critério biológico aos que 
apresentam desenvolvimento mental incompleto, porém adota o critério 
biopsicológico nos demais casos. 
 Diante de tudo isto, pode ser concluído ainda que a imputabilidade possui três 
importantes requisitos, quais sejam: 
 - requisito causal \u2013 existencia de doença mental ou desenvolvimento mental 
incompleto ou retardado 
 - requisito cronológico- deve atuar no tempo da ação ou omissão delituosa. 
 -consequencial: perda total da capacidade de entender ou de querer. 
 
 
 semi Imputabilidade 
 
A semi imputabilidade é definida pelo próprio no parágrafo único do artigo 26, 
do Código Penal, vejamos: 
 
Artigo 26 ... parágrafo único. A pena pode ser reduzida de um 
terço a dois terços , se o agente, em virtude de perturbação 
mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado 
não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou 
de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
 
A semi imputabilidade é a perda da capacidade de entendimento e 
autodeterminação em razão de doença mental ou desenvolvimento mental 
incompleto ou retardado. Alcança os indivíduos em que as perturbações 
psíquicas tornam menor o poder de autodeterminação e mais fraca à 
resistência à prática do crime. 
 
É por isso que é posição majoritária em nossa jurisprudência que os 
cleptomaníacos e os psicopatas são semi imputáveis e não inimputáveis, pois 
exames médicos atestam que a doença não retira a capacidade de 
discernimento do sujeito, mas somente diminuem sua resistência a prática do 
crime. Tanto é assim que filmes e novelas nos mostram que o cleptomaníaco 
ou o psicopata também escondem a prática de seus crimes, assim como faz, 
um criminoso corriqueiro. Assim, tanto o cleptomaníaco bem como o psicopata 
possuem consciência do ilícito, mas possuem resistência biológica reduzida 
para a prática desses delitos. 
 
Na verdade, o agente é imputável e responsável por ter noção do que faz, mas 
sua responsabilidade é reduzida em virtude de apresentar capacidade mental 
reduzida. 
 
São requisitos da semi imputabilidade: 
 
a) causal \u2013 é provocada por perturbação de saúde mental ou desenvolvimento 
mental incompleto ou retardado (parágrafo único, do artigo 26, do CP) 
 
b) cronológico \u2013 Deve sempre estar presente ao tempo da ação ou da 
omissão. A redução da capacidade de entendimento ou a baixa resistência à 
prática do crime de se manifestar no momento da conduta delituosa. 
 
c) consequencial \u2013 essa é a grande diferença entre a inimputabilidade e semi 
imputabilidade, pois, na primeira, há a perda total da capacidade de 
entendimento, em contrapartida, na segunda, há perda de somente parte da 
capacidade de entendimento. 
 
 
 
Como conseqüência jurídica do reconhecimento da semi imputabilidade o 
Código Penal nos apresenta duas alternativas. Assim, reconhecida a semi 
imputabilidade no processo criminal, o juiz aplicará a pena, considerando a 
causa de diminuição prevista no parágrafo único do artigo 26, do Código 
Penal OU o juiz aplicará medida de segurança. 
 
Conforme será estudado mais adiante (tema \u201caplicação da pena\u201d) o legislador 
de 1984 adotou a teoria vicariante, impossibilitando o juiz de aplicar a pena 
juntamente com medida de segurança (pena e medida de segurança). Ao 
contrário, o legislador de 1940 adotou a teoria duplo binário, de sorte que a 
pena poderia ser aplicada juntamente com a medida de segurança. Mesmo 
assim, friso que a diferenciação entre \u201csistema vicariante\u201d e \u201cduplo binário\u201d será 
melhor estudada em tema futuro. 
 
 
Assim temos que, em se tratando de semi imputabilidade, poderá 
existir ATENÇÃO ! ou APLICAÇÃO DA PENA REDUZIDA OU MEDIDA DE 
SEGURANÇA. 
 
 
A escolha da medida de segurança somente poderá ser feita se o laudo de 
insanidade mental indicá-la como recomendável, não sendo arbitrária essa 
opção. 
 
Se for aplicada pena o juiz será obrigado a diminuí-la de 1/3 a 2/3, conforme o 
grau de perturbação. Trata-se de causa de diminuição obrigatória da pena, pois 
é direito subjetivo do agente o qual não poderá ser subtraído pelo julgador. 
Observo que existe posição doutrinária contrária, como a apresentada por José 
Frederico Marques que trata a causa de diminuição como um direito subjetivo 
do julgador. 
 
 Observação Complementar Final - a questão da dependência \u2013 É tratada 
como espécie de doença mental, a dependência de drogas recebe tratamento 
jurídico diverso de outras perturbações mentais (como a psicose e a epilepsia). 
 
Na hipótese de provocar inimputabilidade será aplicada medida de segurança, 
nos termos do artigo 10 da Lei de Tóxicos que, pelo Principio da Especialidade, 
prevalece sobre o artigo 97, do CP, de modo que a internação em casa de 
custódia e tratamento só será imposta quando necessária. 
 
No caso de semi imputabilidade não será possível ao juízo aplicar medida de 
segurança, sequer de forma alternativa à pena diminuída, conforme previsão 
do CP. Isto porque o artigo 19 prevê como necessária a aplicação da redução 
da pena. 
 
=> Emoção e Paixão 
 
Antes de mais nada, indago ao leitor, considere as seguintes hipóteses: 
 
a) o(a) namorado(a) extremamente ciumento 
b) o(a) namorado(a) extremamente magoado(a) e nervoso(a), pois acabou de 
presenciar uma traição do(a) companheiro(a) 
 
c) o(a) colega de trabalho vingativo e invejoso que seria capaz de tudo para 
retirar uma pessoa do cargo de chefia. 
 
Agora faça um exercício mental, tente classificar as hipóteses. Para você, o 
que é considerado emoção e o que é considerado paixão. 
 
Parece-nos que nosso senso comum é automático em assinalar como paixão 
tudo o que estiver relacionado à sentimento advindo de relacionamento 
(homem/mulher). Mas, lembrem-se, somos técnicos e, para classificar 
corretamente cada uma das situações, cabe questionar .... 
 
O que é emoção (juridicamente)? 
O que é paixão (juridicamente)? 
 
A emoção equivale a todo sentimento abrupto e repentino, como um vulcão 
que, de repente, entra em erupção. A paixão, para o direito penal, nem sempre 
necessita advir de sentimento homem e mulher, pois é sentimento duradouro e 
profundo que vai arraigando-se paulativamente à alma humana. É a emoção 
em estado crônico. É a inveja, o despeito, o ciúme. 
 
Assim, a abordagem supra sugerida poderia ser solucionada da seguinte 
maneira: 
 
a) trata-se de paixão, pois é sentimento duradouro e não abrupto. 
b) trata-se de emoção, pois é sentimento abrupto, repentino. 
c) trata-se de paixão, pois é sentimento duradouro, o/a colega de trabalho 
parece cultivar inveja e despeito por terceiro. 
 
ATENÇÃO!!!!! \u2013 A EMOÇÃO NÃO EXCLUI A CULPABILIDADE. A PAIXÃO 
NÃO EXCLUI A CULPABILIDADE. 
 
A emoção pode, em alguns casos, funcionar como circunstancia minorante da 
pena, específica ou genérica, mas NUNCA EXCLUI A CULPABILIDADE!!!!! 
 
Observe o parágrafo 1º do artigo 121, do Código Penal, o homicídio 
privilegiado: \u201cparágrafo 1º. Se o agente comete crime impelido por motivo de 
relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo 
em seguida a injusta provocação, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um 
terço.\u201d 
 
Em