ilicitude 2

ilicitude 2


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criminal, já a exigibilidade da conduta diversa será 
excluída (a sociedade não espera outra conduta do coagido senão a prática 
delituosa). 
 Veja a jurisprudência abaixo: 
 TJRJ: \u201c ... Não pode alegar coação moral irresistível, excludente de culpa, 
quem, armado, de revólver, acede à determinação de seu cúmplice, efetuando 
disparo contra a vitima. Para ser irresistível há que ser o constrangimento 
inevitável, insuperável ou inelutável, vale dizer, na força de que coacto não se 
pode subtrair, tudo sugerindo situação a qual ele não pode opor, recusar-se ou 
fazer face, mas tão somente sucumbir ante o decreto inexorável\u201d (RT 793/669) 
 Observe-se que na situação contemplada pela jurisprudência acima, a defesa 
alega que o indivíduo, que já estava armado, foi coagido moralmente por seu 
cúmplice. No entanto, a tese cai por terra, já que restou demonstrado que o 
individuo poderia facilmente resistir às instigações sugeridas pelo cúmplice. 
Dessa forma, a coação não foi irresistível, não havendo que se falar em 
exclusão da exigibilidade da conduta diversa. 
 Em resumo, temos: 
 
a) Coação Física \u2013 exclui a \u201cconduta\u201d, a \u201ctipicidade\u201d e, por conseqüência, não 
há crime. 
 b) Coação Moral \u2013 
 b.1 \u2013 se irresistível \u2013 exclui a reprovação e, por conseqüência, a 
\u201cculpabilidade\u201d. Há o crime, mas não há responsabilização criminal. 
 b.2 \u2013 se resistível \u2013 há crime, há culpabilidade e, também, 
responsabilização criminal. 
 4. Obediência Hierárquica 
 A obediência hierárquica consiste no cumprimento de ordem não 
manifestamente ilegal de superior hierárquico, tornando viciada a vontade do 
subordinado e afastando a exigência de conduta diversa. 
 Se o subordinado obedece e a ordem não é manifestamente ilegal, a 
sociedade não reprova o seu cumprimento, mesmo que, posteriormente, venha 
ser constatado a existência de crime. 
 A existência de obediência hierárquica depende de requisitos, quais sejam: 
 a) um superior 
b) um subordinado 
c) uma relação de direito público entre ambos. 
d) uma ordem do superior para o subordinado. 
e) ilegalidade da ordem, mas aparente legalidade. 
 Assim, para configuração da obediência hierárquica, como exclusão da 
exigibilidade de conduta diversa, é necessário que um superior ordene a seu 
subordinado. Não pode ser ordem ou pedido feito entre membros de 
hierarquias idênticas, caso contrário, não há configuração da obediência 
hierárquica. 
 Outro aspecto bastante interessante e que costuma confundir bastante os 
estudantes dos cursos jurídicos, é que deve haver relação de direito público 
entre superior e subordinado. Isto é, só se admite hierarquia (e, por 
conseqüência, obediência hierárquica) no que estiver relacionado às funções 
públicos (relacionadas à Administração Pública). 
 Isto porque, o principio da Hierarquia é adjacente à Administração Público. 
Muito embora a utilização da palavra hierarquia seja corriqueiramente utilizada 
para indicar relação de superiores e subordinados, mesmo nas relações de 
direito privado (relação de trabalho, por exemplo), o conceito técnico do 
vocábulo não nos permite essa prática. 
 Assim, para nós, estudantes de curso jurídico, a palavra hierarquia é típica do 
Poder Público, esta relacionada somente às funções daqueles que agem 
perante à Administração Pública. É incorreto, tecnicamente, dizer, assim, que o 
chefe de uma empresa privada é hierarquicamente superior a seu empregado 
(podemos dizer que o empregado lhe é subordinado, em virtude da relação da 
emprego, mas não poderemos nos referir à relação de hierarquia). É incorreto, 
tecnicamente, dizer, assim que o Papa é hierarquicamente superior ao 
Sacerdote (podemos dizer que existe relação de respeito e ordem, mas como a 
relação eclesiástica não possui relação com a Administração Pública, não há 
que se aplicar o vocábulo hierarquia). 
 Para restar configurada a obediência hierárquica, assim, é imprescindível que 
a relação existente entre superior e subordinado tenha caráter público. 
 Outro requisito comentado pela doutrina consiste na natureza da ordem 
expedida pelo superior. Como observamos para existir obediência hierárquica 
e, por conseqüência, restar excluída a exigibilidade de conduta diversa é 
necessário que a ordem não seja manifestamente ilegal. 
 Desse modo, a doutrina nos traz à análise duas sortes de ordens, quais sejam, 
a manifestamente ilegal e a não manifestamente ilegal. 
 Quando a ordem for manifestamente ilegal, será tratada como sendo erro de 
proibição evitável, ou seja, o subordinado tinha como não cumprir aquela 
ordem, havendo, nos termos do artigo 21, parte final, do Código Penal, 
responsabilização criminal. Não há exclusão da \u201creprovação\u201d, da 
\u201cculpabilidade\u201d. 
 Quando a ordem não for manifestamente ilegal, como vimos, tratar-se-á de 
requisito para configuração da obediência hierárquica e, dessa forma, o sujeito 
que cumprir a ordem não será reprovado pela sociedade, havendo exclusão da 
culpabilidade e ausência de responsabilização criminal. 
 Para seu melhor entendimento observe a jurisprudência e o respectivos 
comentário: 
 TJSP: \u201cA escrituraria de delegacia de polícia que, agindo a mando de escrivão-
chefe, adultera registros de inquérito policial, rasurando o documento a fim de 
excluir o nome de candidato a prefeito municipal acusado de crime eleitoral, 
sobrepondo em seu lugar o nome de outro indiciado, incorre na conduta 
descrita no art. 297, parágrafo 1º, do CP, não havendo falar em coação moral 
irresistível e obediência hierárquica prevista no art. 22, do CP\u201d (RT 774/560) 
 Conforme o teor da jurisprudência acima, não há que se falar em obediência 
hierárquica por dois motivos. 
 Primeiro, porque não há relação de hierarquia entre a escrituraria (criminosa) e 
o candidato a Prefeito Municipal, pois este sequer ocupa cargo público. 
 Como se não bastasse isso, verificamos que qualquer um pode identificar que 
a ordem do candidato é manifestamente ilegal, pois pediu para que a 
escrituraria alterasse retirasse seu nome do processo, de modo, a sobrestar o 
cumprimento da justiça. 
 Em resumo temos que: a obediência à ordem hierárquica exclui a exigência de 
conduta diversa e, por conseqüência, a culpa. Para ficar caracterizada a 
obediência hierárquica é necessário, dentre outros requisitos, que a ordem não 
seja manifestamente ilegal. 
 
CONCURSO DE PESSOAS 
1. Conceito \u2013 É também conhecido como co-delinqüência ou concurso de 
agentes. Após 1984, passou-se adotar a nomenclatura \u201cconcurso de pessoas\u201d 
ao invés de \u201cco-autoria\u201d, já que a expressão é mais abrangente. 
O concurso de agentes ou de pessoas ou co-autoria ocorre quando mais de 
uma pessoa concorre para a prática do crime. 
2. Classificação de crimes (critério: concurso de pessoas) - A doutrina 
realiza classificação de crimes quanto ao número de pessoas. Assim, de 
acordo com esta classificação, os crimes podem ser: 
- MONOSSUBJETIVOS ou de CONCURSO EVENTUAL \u2013 Trata-se da maior 
parte dos crimes previstos do Código Penal. São aqueles que podem ser 
praticados por uma ou mais pessoas, como por exemplo, o homicídio, o roubo, 
o furto. 
- PLURISSUBJETIVOS ou de CONCURSO NECESSÁRIO \u2013 Nesses casos, a 
presença de mais pessoas para a prática do crime é imprescindível. É o caso 
da quadrilha ou bando, que só se consuma, desde que exista mais pessoas. 
A doutrina, ainda, anota classificação para os crimes PLURISSUBJETIVOS. 
Diferencia-os como sendo: crimes de condutas paralelas, condutas 
convergentes e contrapostas. 
Crime de conduta paralela \u2013 As condutas se auxiliam mutuamente, visando a 
produção de um resultado em comum. Todos os agentes unem-se em pro de 
objetivos idênticos, como por exemplo, no crime de quadrilha ou bando (artigo 
288, CP), em que todas as condutas voltam-se para objetivo em comum. 
Crime de conduta convergente \u2013 as