Aula 4   Fund. da Gest. Mudanças e Adaptações nas organizações
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Aula 4 Fund. da Gest. Mudanças e Adaptações nas organizações


DisciplinaIntrodução à Administração30.214 materiais750.937 seguidores
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tudo depende. Ela foi desenvolvida 
principalmente a partir dos trabalhos desenvolvidos por Burns e Stalker, 
Lawrence e Lorsch, Chandler e Joan Woodward. Esses estudiosos 
desenvolveram pesquisas isoladamente para confirmar se as empresas de maior 
sucesso seguiam os princípios da Teoria Clássica, ou seja, se pregavam a 
divisão do trabalho e a especialização do trabalhador, com ênfase na hierarquia 
de autoridade. Além disso, esses trabalhos procuravam entender e explicar a 
forma com que as empresas funcionavam em diversas condições de contexto e 
ambiente externo, já que este influencia a estrutura e os processos internos da 
organização. 
Vamos entender agora como foi a pesquisa de cada um desses autores 
e, no próximo tema, abordaremos o resultado delas. 
Tom Burns e George Macpherson Stalker, sociólogos ingleses, 
pesquisaram vinte indústrias para verificar a relação entre as práticas 
administrativas e seu ambiente externo. Basicamente, o resultado recaiu sobre 
a estrutura organizacional e a forma que eram geridas (Chiavenato, 2004). 
De acordo com Chiavenato (2004) e Morgan (1996), o nome Teoria da 
Contingência surgiu por meio dos trabalhos de Paul R. Lawrence e Jay W. 
Lorsch, ambos norte-americanos. Eles pesquisaram três indústrias de diferentes 
setores (plásticos, alimentos empacotados e recipientes) e buscaram entender 
quais eram os principais problemas organizacionais delas, em um ambiente de 
incerto e turbulento. 
Alfred Chandler, licenciou-se da Universidade de Harvard e, 
posteriormente, tornou-se historiador do Massachusetts Institute of Technology 
(MIT). Sua pesquisa aconteceu em quatro grandes empresas norte-americanas: 
 
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Dupont, General Motors, Standard Oil e a Sears Roebuck. O objetivo principal 
era comparar essas organizações em função da estrutura e estratégias 
(Chiavenato, 2004). 
A última autora a ser abordada é a socióloga inglesa Joan Woodward que, 
segundo Chiavenato (2004), tinha o objetivo de verificar a relação das práticas 
dos princípios administrativos com o sucesso nas/das empresas. Seu estudo 
abrangeu 100 empresas inglesas com atividades variadas. O critério de seleção 
era aquela que tivesse entre 100 e 8 000 funcionários. Woodward dividiu-as em 
três grupos: produção unitária ou oficina, produção em massa ou mecanizada e 
produção por processo ou automatizada. 
No próximo tema, você vai saber um pouco mais sobre a Teoria da 
Contingência e o que revelaram as pesquisas desses autores. 
Tema 5: Modelos teóricos da Teoria Contingencial (Burns e 
Stalker, Lawrence e Lorsch, Chandler, Woodward) 
As empresas dedicam considerável tempo à concepção da estrutura 
organizacional correta ou ainda mais adequada ao ambiente. Para chegar à 
estrutura organizacional correta. Para Robbins (2000), dependerá de pelo menos 
quatro variáveis contingenciais: a estratégia, o tamanho, a tecnologia e o grau 
de incerteza ambiental da organização. A abordagem contingencial, portanto, 
será a utilização dessas variáveis para chegar-se à estrutura organizacional mais 
adequada. 
De acordo com Morgan (2009), contrário ao pensamento propagado por 
Taylor e outros precursores da administração clássica, que consideravam a 
preocupação dentro da organização deveria acontecer dentro de um sistema 
fechado, surgiram as ideias da abordagem contingencial, cujo foco é no sistema 
aberto. 
Várias pesquisas foram feitas para verificar modelos e teorias 
organizacionais que fossem mais eficazes em diversos tipos de organizações, 
 
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com o objetivo também de confrontar os modelos teóricos conhecidos, como a 
teoria clássica, neoclássica, estruturalista etc. (Chiavenato, 2004). 
Assim, Chiavenato (2004) indica que o melhor meio de organização para 
empresas depende da interface com o ambiente externo. A gestão 
organizacional está diretamente ligada a um conjunto de circunstâncias para que 
os objetivos sejam atingidos. 
Confrontando o que foi exposto no tema sobre a Teoria Geral dos 
Sistemas, a respeito das estratégias reativas para variáveis do ambiente externo, 
há um aspecto proativo e não apenas reativo na abordagem contingencial: a 
administração contingencial pode ser intitulada de abordagem de \u201cse-então\u201d o 
reconhecimento, diagnostico e adaptação à situação são fundamentais para 
abordagem contingencial. Mas não são suficientes. As relações funcionais entre as 
condições ambientais e as práticas administrativas precisam ser constantemente 
identificadas e ajustadas. (Chiavenato, 2004, p. 167) 
Na prática, as empresas deparam-se com incertezas no campo da 
Administração, sendo este o maior desafio: enfrentar adversidades. A teoria da 
contingência preconiza que não existe uma melhor forma ou única maneira de 
administrar, pois os fatores que impactam e determinam as decisões a serem 
tomadas são inúmeros e dependem do ambiente interno e do ambiente externo. 
Os caminhos também ficam dependentes dos objetivos de cada organização que 
são, obviamente, influenciados pelas variáveis do ambiente (Chiavenato, 2004). 
Chiavenato (2004, p. 22) completa: "as empresas bem-sucedidas são aquelas 
que conseguem adaptar-se adequadamente às demandas ambientais". Morgan 
(2009, p. 64-65) apresenta, tendo como base os estudos realizados pelos 
pesquisadores aqui abordados, algumas questões centrais que a empresa deve 
tentar responder para compreender as relações dentro da organização e com o 
ambiente. 
Qual a natureza do ambiente organizacional? Que tipo de estratégias está sendo 
adotada? Que tipo de tecnologia (mecânica ou não) está sendo usada? Que tipo de 
pessoas são contratadas e qual é a cultura ou costume dominante dentro da 
organização? Como a organização está estruturada e quais são as filosofias 
administrativas dominantes? (Morgan, 2009, p. 64-65) 
 
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Morgan (2009) acredita que, quando as respostas dessas questões são 
analisadas, temos a ideia de composição da organização por intermédio de 
subsistemas estratégicos que se relacionam: o humano, o tecnológico, o 
estrutural e o administrativo. Além disso, existe a necessidade da adaptação às 
condições ambientais, pois as respostas poderão apontar incertezas e cenários 
adversos. 
Nesse sentido, destacamos aqui uma variável do ambiente externo, 
importante dentro da abordagem contingencial: a tecnologia. O destaque é 
devido à dinâmica e influência dentro das empresas, seja na estrutura, seja no 
comportamento organizacional. Em linhas gerais, as organizações utilizam 
algum tipo de tecnologia para colocar em prática atividades e realizar rotinas. 
Assim, essa variável do ambiente externo tornou-se sinônimo de eficiência e 
impera na vantagem competitiva das empresas. 
Como vimos, a teoria contingencial leva em consideração algumas 
variáveis (estratégia, tamanho, tecnologia e grau de incerteza) para chegar a 
uma estrutura organizacional ideal. Assim, aspectos que envolvem as decisões 
sobre a divisão do trabalho e o sistema de autoridade caracterizam esta estrutura 
da organização (Robbins, 2000). 
Burns e Stalker (citado por Robbins, 2000) pontuam que a estrutura 
organizacional pode ser de dois tipos: mecanicistas e orgânicas. 
As atividades da organização em estruturas voltadas para o sistema 
mecanicista são partidas em tarefas separadas e especializadas. Os objetivos e 
a autoridade para cada indivíduo e cada unidade são definidos com precisão 
pelos administradores de níveis mais elevados. Nessas organizações, o poder 
segue a cadeia de comando burocrática clássica. Como características gerais 
desse tipo de