Uso do Building Information Modeling na Construção Civil
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Uso do Building Information Modeling na Construção Civil


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que utilização modelos integrados e cuja geração de informações será continua, sem perdas e sem sobreposições. Assim os diferentes profissionais trabalharão em conjunto para criar um modelo único com o propósito coletivo de criar uma construção virtual do modelo do edifício, chamado por Tobin (2008) de \u201cprotótipo de edifício\u201d (DE ANDRADE, 2009).
De acordo com De Andrade (2009), essa futura geração BIM 3.0 mudará não só a forma com os projetistas se relacionam com outros profissionais, mas, também, a maneira de tratar os dados, se relacionar com clientes e incorporar as informações dos projetos como efetivos de geração de forma.
Desafios da Implementação do BIM
De Souza (2009) aponta que as maiores desvantagens do BIM se referem ao elevado custo dos softwares e a lenta curva de aprendizagem. O setor AEC também resiste na adoção do sistema por dificuldades relacionadas aos softwares além da preocupação com o tamanho dos arquivos. Outro fator apontado é a falta de compatibilidade com outros aplicativos, já que empresas afirmam que há uma imensa dificuldade na troca de arquivos entre os diversos programas e na conversão do BIM para o DWG. Alguns profissionais ainda apontam como desvantagem a falta de adaptação dos softwares com os padrões construtivos brasileiros.
Alves (2014) leva em consideração como desvantagem, não somente o custo do software, mas também a necessidade de se ter toda uma estrutura de hardware para suportar a plataforma, e essa desenvolva de forma produtiva. Pois computadores destinados para sistemas CAD se tornam obsoletos para o BIM devido à quantidade de dados gerados pelos modelos, tendo que, assim, realizar investimentos em computadores que suportem esse tipo de modelagem, o que torna a transição para o BIM mais difícil. Ocorre também outro problema, apontado pelo autor, que a quantidade de dados gerados e o tamanho dos arquivos dificultam o compartilhamento dos arquivos pela internet, gerando um custo operacional adicional.
Alves (2014) também diz que estas dificuldades não estão sendo superadas por diversos fatores, como a falta de oportunidade de testar o método BIM gratuitamente, assim como a dificuldade de modelar peças específicas e de geometrias elaboradas com esses softwares, assim se cria a necessidade de adquirir plug-ins para superar essa dificuldade, o que gera mais custo e perca na produtividade.
O alto investimento inicial desprendido para a implementação do BIM deve diminuir ao longo do tempo, trazendo muitos benefícios para o setor AEC. Assim como foram superadas as dificuldades com a implementação do sistema CAD, também se acredita que as dificuldades com o sistema BIM devem ser superadas, pois o mercado possuí diversas opções de softwares que dispõe desse conceito, tornando cada vez mais viável a aquisição de suas licenças (ALVES, 2014).
Retorno Sobre o Investimento \u2013 ROI
Segundo Azevedo (2009), calcular o ROI \u2013 Return Over Investment da aplicação do método BIM na equipe de projeto é relativamente simples. No início do processo de aplicação existe uma queda brusca de produtividade seguida por uma lenta recuperação até que se atinja patamares iguais aos anteriores à aplicação do sistema. Em seguida, os níveis de produtividade continuam aumentado até que a produtividade da equipe seja muito maior que a medida anteriormente, conforme demonstrado no gráfico abaixo.
Gráfico 1: Produtividade do setor de projeto após a implementação de um novo sistema. Fonte: Azevedo, 2009.
Azevedo (2009) calcula para um exemplo típico, um ROI, para um ano, de 60% para a implementação do método BIM em um escritório. Ressalta que para cada caso os valores devem ser atualizados, mas que no geral esse é um resultado satisfatório.
Para o cálculo do ROI de 60% Azevedo (2009) considera um investimento de inicial de 5.000 euros; um custo mensal de 3.000 euros; tempo de formação de 3 meses; perda de produtividade inicial de 50%; e por fim, um ganho de produtividade final de 25%.
O valor de ganho de produtividade apresentado por Azevedo (2009) no cálculo anterior (25%) é um dado indicativo de um inquérito realizado por uma empresa promotora de software BIM. Um cliente do Revit Architecture, apresentou um ganho de produtividade de 30% em relação a projetos e documentação, e 50% para pedidos de esclarecimentos durante a obra. Além disso, o tempo de formação (período para que a produtividade após a implementação do método BIM fosse equivalente à produtividade anterior) desse escritório, Rhode Island-based Donald Powers Arquitects, foi de apenas 14 dias, contra os três meses considerados no exemplo anterior.
Em pesquisa recente da Autodesk, mais da metade dos entrevistados tiveram ganho de produtividade de mais de 50% usando o Revit, e 17% tiveram ganhos mais expressivos de produtividade de mais de 100% (AZEVEDO, 2009).
CONsiderações finais
Conclui-se com esse trabalho que, apesar de ainda existirem muitas limitações para implementação do Sistema BIM no Brasil, devido ao alto custo financeiro, humano e operacional, observa-se que esse problema financeiro deve ser superado naturalmente com o passar do tempo, a medida em que a concorrência do mercado for aumentando, o custo dos softwares vai caindo.
As análises possíveis de serem feitas com os softwares BIM ajudam não só na redução de tempo de projeto, como também na antecipação de problemas de projeto, com ferramentas como Clash Detection e BIM 4D, que tratam de detecção de incompatibilidade entre projetos e cronograma de obra, respectivamente. Essas informações, principalmente em obras de grande porte, têm valor operacional alto ao se antecipar ainda no projeto problemas que aconteceriam no canteiro obra.
O Brasil e o mundo só têm a ganhar com a implementação do BIM. O aumento na qualidade dos projetos e o compartilhamento de dados em tempo real, a interoperabilidade entre diferentes profissionais de diversas áreas contribui para o aumento da produtividade e consequentemente para o aumento do retorno financeiro, através da redução de custo operacional e aumento do valor agregado dos projetos, que são muito mais confiáveis, precisos e abrangentes.
Por fim, através dos estudos de outros autores se percebe o esforço mundial do meio acadêmico para difundir o paradigma BIM. Esses esforços são o que levarão a evolução do BIM, que hoje está em sua fase 1.0 no Brasil, até seu estágio pleno, conhecido como BIM 3.0, onde os projetos paramétricos, com informações de cronograma (4D), custos (5D), análises estruturais (6D), energéticas (6D), gerenciamento de operações (7D), etc., serão concebidas desde o início do projeto por profissionais de diferentes áreas, colaborando simultaneamente para a criação de um protótipo virtual da obra que guiará as decisões dos técnicos e empreendedores e trarão mais segurança, qualidade e economia às obras civis.
REFERÊNCIAS
ALVES, Cristiano Clay Guiot da Costa. Plataforma BIM na construção civil: vantagens e desvantagens na implantação. 2014.
AZEVEDO, Orlando José Maravilha de. Metodologia BIM: building information modeling na direcção técnica de obras. 2009. Tese de Doutorado.
BRASIL. Decreto de 5 de junho de 2017. Institui o Comitê Estratégico de Implementação de Building Information Modeling. Diário Oficial União, Brasília, D.F., 6 de junho de 2017. Seção 1, pt. 19.
BRENDER, Murilo Dias; LIMA, Natália Baêta Vieira; RIBEIRO, Sidnea Eliane Campos. CONHECIMENTO E ESTIMATIVA DO USO DO BIM PELOS PROFISSIONAIS ATUANTES DAS INDÚSTRIAS AEC NO BRASIL. CONSTRUINDO, v. 8, n. 2, 2016.
COELHO, Sérgio Salles; NOVAES, Celso Carlos. Modelagem de Informações para Construção (BIM) e ambientes colaborativos para gestão de projetos na construção civil. In: Anais do VIII Workshop Nacional de Gestão do Processo de Projeto na Construção de Edifícios, São Paulo. 2008.
CRESPO, Cláudia Campos; RUSCHEL, Regina Coeli. FERRAMENTAS BIM: UM DESAFIO PARA A MELHORIA NO CICLO DE VIDA DO PROJETO. Encontro de Tecnologia de Informação e Comunicação na Construção Civil, v. 3, 2007.
DANTAS FILHO, João Bosco Pinheiro et al. Estado