protocolos exames laboratoriais
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sífilis secundária não ocorre a reatividade do teste como consequência dos altos 
títulos de anticorpos séricos observados nessa fase da infecção (fenômeno de 
prozona). Deve-se realizar o teste quantitativo (soro em diluições sucessivas) para 
afastar essa possibilidade 
\ufffd Resultados não-reativos no soro podem ser observados na fase primária precoce 
(até 15 dias após o aparecimento do cancro duro), na sífilis latente, e na sífilis tardia 
(aproximadamente 25% dos casos). 
\ufffd No acompanhamento de tratamento de pacientes com sífilis primária e secundária os 
títulos caem cerca de 4 vezes em 3 meses e 8 vezes em 6 meses,ficando negativo 
em 2 anos 
\ufffd A persistência de títulos elevados ou a não redução após 1 ano de tratamento pode 
indicar uma reinfecção ou novo tratamento 
\ufffd Na ausência de tratamento adequado, persistem os títulos positivos na maioria dos 
indivíduos até a fase terciária. Um teste positivo pode, com o passar dos anos, 
reverter-se em resultados negativos em aproximadamente 25% dos pacientes sem 
tratamento. 
 
 
\ufffd Diagnóstico de sífilis congênita: 
\ufffd O protocolo de rastreio da infecção materna durante o pré-natal é uma das estratégias 
mais importantes na prevenção dessa situação. Como a infecção pode ocorrer 
precocemente na gestação, preconiza-se a realização da triagem sorológica com 
VDRL no 1º e no 3º trimestre de gravidez. Caso seja positiva, a gestante e seu 
parceiro devem ser tratados. Se isso não for feito, a infecção pode passar para o feto 
e o bebê ter conseqüências dessa infecção. Ao nascimento, o bebê pode apresentar 
sintomas sugestivos da doença, o que facilita o diagnóstico da infecção, porém muitos 
nascem aparentemente saudáveis. Mesmo que a gestante tenha sido 
adequadamente tratada e o bebê tenha nascido bem, é recomendado o seguimento 
sorológico ambulatorial com a realização VDRL quantitativo após 1, 3, 6, 12, 18 e 24 
meses, visando diferenciação entre a sífilis congênita e a transferência passiva de 
anticorpos maternos pela placenta. Aumento dos títulos de anticorpos no soro do 
bebê sugere a aquisição intra-uterina da infecção. Diante da elevação dos títulos 
sorológicos ou da persistência da reativação dos testes até os 18 meses, é imperativa 
a nova investigação do bebê. Na presença de sífilis congênita está indicada a 
investigação da presença de neurossífilis 
10. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção a saúde do adulto: HIV/AIDS. 
Belo Horizonte: SAS/MG, 2006. 
Minas Gerais. Secretaria de Estado da Saúde. Assistência Hospitalar ao Neonato. Belo 
Horizonte, 2005. 
Minas Gerais.Secretaria de Estado da Saúde. Atenção à Saúde da Criança. Belo 
Horizonte: SAS/DNAS, 2004. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção ao pré-natal, parto e 
puerpério: protocolo Viva Vida. 2 ed. Belo Horizonte: SAS/SES, 2006. 
Henry JB, Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods. 21th edition, 2007. 
Jacques Wallach, MD. Interpretation of Diagnostic tests. 7o Ed. Lippincott Williams and 
Wilkins. 2000. 
Mandell, Bennett e Dolin Principles and Practice of infectious diseases.. 6th Ed. Churchil 
Livingstone, Elsevier. 2005. 
Harrison\u2019s Principles of Internal Medicine. 17º Ed \u2013 Fauci et al. The McGraw-Hill 
Companies, Inc. 2008 
Zhang, DJ, Elswick RK, Miller WG, Bailey, JL. Effect of serum-clot contact time on clinical 
chemistry laboratory results. Clinical Chemistry 1998, 44(6):1325\u20131333. 
 
 
 
 
FTA-abs (FLUORESCENT TREPONEMAL ANTIBODY ABSORPTION) 
1. NOME DO EXAME 
 
\ufffd FTA-abs (fluorescent treponemal antibody absorption) (sangue) 
1.1 Sinonímia 
\ufffd Imunofluorescência indireta IgG (FTA-abs) 
\ufffd Imunofluorescência indireta IgM 
\ufffd Ensaio com anticorpo treponêmico fluorescente absorvido 
2. INDICAÇÃO CLÍNICA 
\ufffd É um teste específico na detecção de anticorpos IgG anti-Treponema pallidum. Este 
exame é utilizado para confirmar um teste de triagem (VDRL, por exemplo) positivo 
para a sífilis. 
 
3. PREPARO DO PACIENTE 
\ufffd Jejum mínimo de 4 horas - recomendável. 
 
4. AMOSTRA 
\ufffd Soro 
 
5.CUIDADOS PARA COLETA 
\ufffd Nenhum cuidado especial. 
\ufffd Ver anexo 01-Orientações para coleta de sangue venoso 
 
6. ORIENTAÇÃO PARA TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO 
\ufffd Recomenda-se separar o soro até 3 horas após a coleta. Caso isso não seja possível, 
manter a amostra de sangue entre 20 \u2013 25 °C por até 24 horas, em recipiente 
fechado. 
\ufffd Após a obtenção do plasma, caso o exame não possa ser prontamente realizado, 
recomenda-se manter a amostra refrigerada entre 4 \u2013 8° C por até 5 dias, em 
recipiente fechado. 
 
7. MÉTODOS MAIS UTILIZADOS NO LABORATÓRIO CLÍNICO 
\ufffd Imunofluorescência indireta 
 
8. INTERPRETAÇÃO 
 8.1 Valores de referência 
\ufffd Não-reativo: ausência de anticorpos específicos. 
\ufffd Reativo: presença de anticorpos específicos. 
\ufffd \u201cBorderline\u201d (ou indeterminado): inconclusivo 
 
 
8.2 Valores críticos 
Não se aplica 
8.3 Principais influências pré-analíticas e fatores interferentes 
\ufffd Hemólise 
\ufffd Lipemia 
\ufffd Contaminação bacteriana 
 
 
 
8.4 Exames relacionados. 
\ufffd V.D.R.L. 
\ufffd Ensaio de microhemaglutinação para T. pallidum (MHA-TP) 
\ufffd Imunoensaio enzimático para T. pallidum 
 
9. COMENTÁRIOS DO MÉDICO PATOLOGISTA CLÍNICO 
 
\ufffd A interpretação do teste é subjetiva, havendo dificuldade de padronização da leitura 
da fluorescência de um laboratório para outro bem como de quantificação do grau de 
fluorescência da reação. 
\ufffd A sensibilidade do teste depende da fase da doença: 
Fases da sífilis Sensibilidade (%) Variação da 
sensibilidade 
Primária 84 70 - 100 
Secundária 100 - 
Latente 100 - 
Tardia 96 - 
\ufffd O teste FTA-abs-IgG é muito específico para a detecção de anticorpos contra o 
Treponema pallidum (entre 96% e 99%).No entanto, aproximadamente 1% da 
população em geral pode apresentar a reação com resultados positivos falsos. 
\ufffd Os resultados considerados \u201cborderline\u201d são inconclusivos e podem se dever à 
presença de anticorpos contra outras treponematoses, doença autoimune ou a baixos 
títulos de anticorpos específicos anti-T. pallidum. 
\ufffd Causas de resultados falsos positivos: anticorpos contra Micoplasma, infecções pelo 
vírus Herpes simples, elevação de reagentes de fase aguda, presença de anticorpos 
anti-nucleares observados em doenças auto-imunes (LES), gravidez, pessoas acima 
de 65 anos e usuários de drogas ilícitas. 
\ufffd Os resultados não-reativos afastam o contato prévio com o T. pallidum, mas a 
reatividade presente indica que o paciente já foi exposto ao antígeno em algum 
momento da sua vida. 
\ufffd Anticorpos específicos para T. pallidum desenvolvem-se na sífilis primária, 
previamente ao surgimento dos anticorpos não-treponêmicos, e são detectados por 
toda a vida na grande maioria dos indivíduos (>95%), independente do tratamento 
prévio para a sífilis. 
\ufffd A detecção dos anticorpos anti-T. pallidum não pode ser utilizada para o seguimento 
da atividade da doença ou para avaliação da resposta terapêutica. 
\ufffd Principais aplicações do teste: 
\ufffd Teste mais sensível em todas as fases da sífilis e o melhor teste confirmatório de 
reações de triagem positivas para a doença. 
\ufffd Na suspeita de sífilis terciária é o teste de escolha, principalmente na ausência de 
positividade dos testes de triagem (VDRL, por exemplo). 
\ufffd Em casos suspeitos de sífilis congênita indica, apenas, a passagem 
transplacentária de anticorpos maternos. O teste FTA-abs-IgM não apresenta bom 
desempenho na confirmação da infecção congênita em recém natos, uma vez que 
o método resulta em 30% de resultados falsos negativos e 10% de resultados 
falsos positivos. 
\ufffd Sífilis versus infecção pelo vírus HIV-1: Não há evidência de que a sensibilidade do 
teste seja diferente entre pacientes com e sem a infecção pelo vírus HIV. 
\ufffd O método não deve ser aplicado no líquor cefalorraquidiano (LCR) por