protocolos exames laboratoriais
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Anexo I \u2013 Orientações para Coleta de Sangue Venoso. 
 
6. ORIENTAÇÃO PARA TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO 
 
\ufffd Recomenda-se separar o soro ou plasma até 3 horas após a coleta. Caso isso 
não seja possível manter a amostra de sangue entre 20 \u2013 25 °C por até 24 horas, 
em recipiente fechado. 
\ufffd Após a obtenção do soro ou plasma, caso o exame não possa ser prontamente 
realizado, recomenda-se manter a amostra refrigerada entre 4 \u2013 8° C por até 7 
dias, em recipiente fechado. 
 
7. MÉTODOS MAIS UTILIZADOS NO LABORATÓRIO CLÍNICO 
 
\ufffd Imunofluorescência indireta utilizando célula Hep-2 como substrato em lâmina 
 
 
 
8. INTERPRETAÇÃO 
8.1 Valores de referência 
 
\ufffd Título < 80 (ver COMENTÁRIOS DO PATOLOGISTA CLÍNICO) 
 
8.2 Valores críticos 
 
\ufffd Ver COMENTÁRIOS DO PATOLOGISTA CLÍNICO 
 
8.3 Principais influências pré-analíticas e fatores interferentes 
 
\ufffd Alguns medicamentos, (procainamida, hidralazina, quinidina, interferon alfa, 
hidantoína, contraceptivos orais) podem induzir síndrome semelhante ao lúpus 
eritematoso sistêmico (lúpus induzido por fármacos) que cursa com FAN positivo, 
padrão homogêneo, devido à presença de anticorpos anti-histona. 
\ufffd Uso de corticosteróides e outros imunossupressores podem influenciar resultado. 
\ufffd Variáveis relativas ao armazenamento da amostra, como processos repetidos de 
congelamento e descongelamento podem influenciar nos resultados. 
\ufffd Resultados de amostras hemolisadas, lipêmicas ou com alta concentração de 
albumina devem ser interpretados com cuidado. 
 
8.4 Exames relacionados 
 
\ufffd Fator reumatóide 
\ufffd Dosagem de proteína C reativa 
\ufffd Velocidade de hemossedimentação 
 
9. COMENTÁRIOS DO PATOLOGISTA CLÍNICO 
 
\ufffd Anticorpos antiantígenos intracelulares, nucleares ou não, são freqüentemente 
encontrados no soro de portadores de várias doenças autoimunes. Entretanto, a 
auto-imunidade não é exclusiva de estados patológicos, estando presente 
durante todos os estágios da vida, especialmente na senilidade. A utilização de 
métodos muito sensíveis, como a IFI com células Hep-2, favoreceu o encontro 
de autoanticorpos na ausência de estados patológicos. Na literatura há relatos 
de resultados falso-positivos variando de 10 a 22% em diferentes populações 
de indivíduos saudáveis. Deve-se considerar ainda, que os autoanticorpos 
podem estar aumentados diante de situações que induzem estimulação 
antigênica crônica, como estados infecciosos, vacinações, neoplasias, não 
estando assim relacionados a processos autoimunes patológicos. 
\ufffd Algumas vezes o surgimento de autoanticorpos pode preceder a doença clínica 
manifesta, por até anos. Mas o contrário também ocorre e há casos em que o 
paciente permanece com autoanticorpos, inclusive com altos títulos, e nunca 
desenvolve qualquer doença manifesta. Esta situação não é rara em familiares 
de pacientes com doença autoimune, demonstrando o caráter genético do 
distúrbio. Estas breves considerações ressaltam a complexidade do contexto da 
autoimunidade e do diagnóstico das doenças autoimunes. 
\ufffd Considerando o exame laboratorial propriamente dito, a metodologia de IFI com 
células Hep-2, na qual o soro do paciente é incubado com cultura de células 
humanas neoplásicas em lâmina, possibilita a detecção de qualquer anticorpo 
que reconheça qualquer constituinte celular que por ventura estiver presente na 
 
 
amostra. Trata-se assim de um teste sensível de rastreamento para pesquisa de 
autoanticorpos antiestruturas celulares que geralmente dá início à investigação 
laboratorial especializada e deve ser complementado pela pesquisa e 
identificação de auto-anticorpos específicos, selecionados a partir do padrão de 
fluorescência observado na reação. 
\ufffd O padrão de fluorescência observado na reação é dependente do repertório de 
anticorpos que o paciente apresenta. O FAN com células Hep-2 permite que 
mais de 20 padrões fluorescentes sejam observados. Esses padrões de 
fluorescência decorrem da localização dos antígenos alvo nos diferentes 
compartimentos celulares (núcleo, nucléolo, citoplasma, placa cromossômica 
metafásica e aparelho mitótico). A cada padrão, diferentes autoanticorpos estão 
associados. Alguns padrões apresentam alta especificidade para doenças 
distintas, incluídos o LES (padrão nuclear homogêneo) e a síndrome de CREST 
(padrão centromérico). Outros ocorrem com freqüência em indivíduos sadios ou 
em pacientes com outras enfermidades não auto-imunes (especialmente o 
padrão citoplasmático de pontos isolados e os padrões nucleares pontilhados 
fino denso e grosso reticulado) (ver Anexo CORRELAÇÕES ENTRE PADRÕES 
DE FAN, ANTICORPOS E DOENÇAS). 
\ufffd Além do padrão de fluorescência observado na reação, o título da reação 
também deve ser valorizado. A diluição inicial testada do soro é 1/80. A partir de 
sua positividade, diluições seriadas são testadas até sua negativação (1/160, 
1/320...). Reações falso-positivas são mais freqüentes nos testes com baixos 
títulos (80). A presença de títulos moderados (160 e 320) ou altos (acima de 640) 
de anticorpos antinucleares está geralmente associada à presença de doenças 
autoimunes, mas exceções ocorrem não raramente, e a presença de altos títulos 
de autoanticorpos não é suficiente para diagnosticar agravos autoimunes. 
\ufffd A interpretação do FAN deve ser judiciosa, sustentada por sólido embasamento 
teórico por parte do solicitante, uma vez que a sensibilidade, a especificidade e 
os valores preditivos são variáveis de acordo com a hipótese diagnóstica. Por 
exemplo, para o diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico, o teste apresenta 
alta sensibilidade (em torno de 99%) e especificidade moderada (em torno de 
50-60%) o que resulta em elevado valor preditivo negativo (VPN) (próximo de 
100%) e baixo valor preditivo positivo (VPP) (12%). Para outras doenças, como a 
síndrome de Sjögren, a esclerodermia e polimiosite, a sensibilidade é menor, 
levando a VPP e VPN menores (ver anexo SENSIBILIDADE E 
ESPECIFICIDADE DO FAN NAS DIVERSAS DOENÇAS REUMATOLÓGICAS). 
Para o diagnóstico de doença mista do tecido conjuntivo e lúpus induzido por 
fármacos, a sensibilidade e conseqüente VPN são virtualmente 100%. 
\ufffd O FAN é um teste de rastreamento inicial para a pesquisa de anticorpos 
antinucleares que pode ser positivo em diversas doenças e em indivíduos 
normais. Só deve ser solicitado diante de uma suspeita clínica consistente de um 
grupo determinado de doenças autoimunes. 
\ufffd Nunca deve ser utilizado para rastreamento de dores articulares ou 
osteomusculares inespecíficas. 
\ufffd Um teste de FAN positivo, isoladamente, não permite o diagnóstico de doenças 
autoimunes. Todo o contexto clínico e laboratorial deve ser considerado para 
evitar diagnósticos errôneos e o estigma de um resultado positivo de FAN. 
 
10. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
DELLAVANCE A. & ANDRADE LEC. Como interpretar e valorizar adequadamente o teste 
de anticorpos antinúcleo. J Bras Patol Med Lab, v. 43, n. 3, p. 157-168, 2007. 
DELLAVANCE A. et al. II Consenso Brasileiro de Fator Antinuclear em Células HEp-2. 
Definições para padronização da pesquisa contra constituintes do núcleo, nucléolo, 
 
 
citoplasma e aparelho mitótico e suas associações clínicas. Rev Bras Reum, v. 43, p. 
129-40, 2003. 
HENRY JB. Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods, Philadelphia: 
W.B. Saunders Company, 1996. 
NEVES SPF & FURLAN RL. Investigação laboratorial do paciente com lúpus eritematoso 
sistêmico. In Medicina laboratorial para o Clínico. Editora Coopmed. In press. 
ZHANG DJ, Elswick RK, Miller WG, Bailey, JL. Effect of serum-clot contact time on clinical 
chemistry laboratory results. Clinical Chemistry 1998, 44(6):1325\u20131333. 
 
 
 
 
ANEXO - Correlações entre Padrões de FAN, Anticorpos e Doenças 
 
Padrão Nuclear Anticorpo Específico Doença Associada 
Nuclear