protocolos exames laboratoriais
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frutose, hidantoína, ácido ascórbico, uréia, cafalosporinas 
(cefoxitina), cetonemia, lipemia, hemólise e hiperbilirrubinemia presentes na amostra 
podem causar resultados falsamente aumentados quando se utiliza a reação com picrato 
alcalino (reação de Jaffé). 
 
8.4 Exames relacionados 
 
\ufffd Depuração de creatinina 
\ufffd Dosagem de uréia 
\ufffd Estimativa da taxa de filtração glomerular 
\ufffd Exame de urina de rotina 
 
9. COMENTÁRIOS DO PATOLOGISTA CLÍNICO 
 
\ufffd A dosagem de creatinina é um marcador bastante específico de lesão renal, 
entretanto representa marcador pouco sensível para estimar a filtração 
glomerular, especialmente nas fases iniciais da insuficiência renal. Reduções 
moderadas da taxa de filtração glomerular podem não se refletir em aumento da 
concentração de creatinina no soro ou plasma. Em geral, esta somente se 
encontra elevada na insuficiência renal crônica quando 50% ou mais dos nefrons 
estão comprometidos. A fração de creatinina que é secretada pelos túbulos 
 
 
renais aumenta com a redução da filtração glomerular em até 40%. 
\ufffd O resultado de apenas uma dosagem de creatinina deve ser interpretado com 
cautela, não devendo ser utilizado como único parâmetro para avaliação da 
função renal. Por exemplo, em um indivíduo adulto, hígido, com massa muscular 
relativamente pequena, que tipicamente apresentaria concentração sérica de 
creatinina de 0,5 mg/dL (44 µmol/L), e que se apresenta à primeira consulta 
clínica com um resultado da dosagem de creatinina de 1,0 mg/dL (88 µmol/L), 
considerando os valores de referência de creatinina, a impressão inicial é que 
este resultado seja compatível com função renal normal. Entretanto, para este 
indivíduo, concentração sérica de creatinina igual a 1,0 mg/dL (88 µmol/L) pode 
corresponder a taxa de filtração glomerular cerca de 50% menor do que o valor 
de referência, caracterizando quadro de insuficiência renal. 
\ufffd Devido ao aumento da filtração glomerular na gestação, a concentração sérica de 
creatinina é, em geral, menor em mulheres grávidas. 
\ufffd Em indivíduos idosos, é importante considerar que o processo de envelhecimento 
leva a perda de massa muscular com redução da produção diária de creatinina e, 
por outro lado, ocorre perda de nefrons com redução da taxa de filtração 
glomerular. 
 
10. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
LAMB E, Newman DJ. Kidney Function Tests. In: Burtis CA, Ashwood ER, Bruns DE eds. 
Tietz Textbook of Clinical Chemistry and Molecular Diagnostic. 4a. Ed. St. Louis: Elsevier 
& Saunders, 2006:797-835. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Assistência Hospitalar ao Neonato. 
Belo Horizonte, 2005. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção ao Pré-natal, Parto e 
Puerpério. Belo Horizonte, 2006. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção à Saúde do Adolescente. Belo 
Horizonte, 2006. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção à Saúde do Adulto: 
Hipertensão e Diabetes. Belo Horizonte, 2006. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção à Saúde do Adulto: HIV/AIDS. 
Belo Horizonte, 2006. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção à Saúde do Adulto: 
Tuberculose. Belo Horizonte, 2006. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção à Saúde do Idoso. Belo 
Horizonte, 2006. 
NATIONAL KIDNEY FOUNDATION. K/DOQI Clinical Practice Guidelines for Chronic 
Kidney Disease: Evaluation, Classification, and Stratification. Am J. Kidney Dis, 2002; 39: 
(suppl): 1:S1-S266. Disponível em: 
<http://www.kidney.org/professionals/kdoqi/guidelines_ckd/p1_exec.htm>. 
ZHANG DJ, Elswick RK, Miller WG, Bailey, JL. Effect of serum-clot contact time on clinical 
chemistry laboratory results. Clinical Chemistry 1998, 44(6):1325\u20131333. 
 
 
 
 
DOSAGEM DE URÉIA 
 
1. NOME DO EXAME 
 
\ufffd Dosagem de Uréia (sangue) 
 
1.1 Sinonímia 
 
\ufffd Não aplicável 
 
2. INDICAÇÃO CLÍNICA 
 
\ufffd Avaliação e monitoramento da função excretora renal 
 
3. PREPARO DO PACIENTE 
 
\ufffd Jejum mínimo de 4 horas - desejável 
 
4. AMOSTRA 
 
\ufffd Soro 
 
5. CUIDADOS PARA COLETA 
 
\ufffd Nenhum cuidado especial 
\ufffd Ver Anexo 1 \u2013 Orientações para Coleta de Sangue Venoso 
 
6. ORIENTAÇÃO PARA TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO 
 
\ufffd Recomenda-se separar o soro ou plasma até 3 horas após a coleta. Caso isso 
não seja possível manter a amostra de sangue entre 20 \u2013 25 °C por até 24 horas, 
em recipiente fechado. 
\ufffd Após a obtenção do soro ou plasma, caso o exame não possa ser prontamente 
realizado, recomenda-se manter a amostra refrigerada entre 4 \u2013 8° C por até 3 
dias, em recipiente fechado. 
 
7. MÉTODOS MAIS UTILIZADOS NO LABORATÓRIO CLÍNICO 
 
\ufffd Enzimático colorimétrico 
 
8. INTERPRETAÇÃO 
8.1 Valores de referência 
 
Observação: Os valores de referência variam em função do método e do reagente 
utilizado, portanto, estes valores devem estar claramente citados nos laudos de 
resultados dos exames laboratoriais. 
 
A tabela que segue apresenta os valores de referência para dosagem de uréia por faixa 
 
 
etária. 
 
Faixa Etária mg/dL 
(Unidades 
Convencionais) 
mmol/L 
(Unidades Internacionais) 
Neonato 8,5 \u2013 26 1,4 \u2013 4,3 
Criança 11 \u2013 39 1,8 \u2013 6,4 
Adultos 15 \u2013 39 2,5 \u2013 6,4 
>60 anos 17 \u2013 45 2,9 \u2013 7,5 
 
 
8.2 Valores críticos 
 
\ufffd 200 mg/dL (33,4 mmol/L) 
 
8.3 Principais influências pré-analíticas e fatores interferentes 
 
AUMENTO DIMINUIÇÃO 
Lipemia 
Hemólise 
Hiperbilirrubinemia 
Ingestão de grande quantidade de 
proteína 
Desidratação 
Jejum prolongado 
Cetoacidose 
Corticosteróides 
Tetraciclina 
Diuréticos 
Aumento do catabolismo protéico 
Hemorragia digestiva 
Redução da perfusão renal: 
Insuficiência cardíaca congestiva 
Choque 
Desnutrição proteíca 
Insuficiência hepática 
Síndrome da secreção inapropriada 
do hormônio anti-diurético 
 
 
Amostras de plasma colhidas em fluoreto ou citrato de sódio interferem em dosagens 
com métodos colrimétricos enzimáticos que utilizam urease. 
 
8.4 Exames relacionados 
 
\ufffd Dosagem de creatinina 
\ufffd Exame de urina de rotina 
 
9. COMENTÁRIOS DO PATOLOGISTA CLÍNICO 
 
\ufffd A elevação da uréia no plasma ou soro decorrente de alterações renais é mais 
precoce do que a creatinina, especialmente na insuficiência renal de origem pré- 
e pós-renal. Entretanto, como vários fatores de origem não-renal podem causar 
variabilidade da concentração de uréia sérica ou plasmática sua utilidade como 
marcador de função renal é limitada. 
\ufffd Entre indivíduos sadios, a variação biológica intra-individual da concentração 
sérica de uréia é de até 12,3%, enquanto que a variação entre indivíduos pode 
 
 
chegar a 18,3%, demonstrando a grande variabilidade biológica da concentração 
sérica ou plasmática da uréia decorrente, em grande parte de fatores extra-
renais. Assim, a interpretação de resultado de dosagem de uréia acima do valor 
de referência deve ser sempre realizada com cautela, considerando o quadro 
clínico apresentado pelo paciente e resultados de outros exames (dosagem de 
creatinina e exame de urina de rotina, p.ex.). 
 
10. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
LAMB E, Newman DJ. Kidney Function Tests. In: Burtis CA, Ashwood ER, Bruns DE eds. 
Tietz Textbook of Clinical Chemistry and Molecular Diagnostic. 4a. Ed. St. Louis: Elsevier 
& Saunders, 2006:797-835. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Assistência Hospitalar ao Neonato. 
Belo Horizonte, 2005. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção ao Pré-natal, Parto e 
Puerpério. Belo Horizonte, 2006. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção à Saúde do Adolescente. Belo 
Horizonte, 2006. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção à Saúde do Adulto: 
Hipertensão e Diabetes. Belo Horizonte, 2006. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção à Saúde do Adulto: HIV/AIDS.