protocolos exames laboratoriais
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protocolos exames laboratoriais


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ao pré-natal, parto e 
puerpério: protocolo Viva Vida. 2 ed. Belo Horizonte: SAS/SES, 2006. 84 p. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção em Saúde Bucal. Belo 
Horizonte: SAS/MG, 2006. 290 p. 
Zhang, DJ, Elswick RK, Miller WG, Bailey, JL. Effect of serum-clot contact time on clinical 
 
 
 
chemistry laboratory results. Clinical Chemistry 44(6):1325\u20131333, 1998. 
 
 
 
TESTE ORAL DE TOLERÂNCIA A GLICOSE (TOTG 
1. NOME DO EXAME 
\ufffd Teste oral de tolerância a glicose (TOTG) 
1.1 Sinonímia 
\ufffd Teste ou curva de tolerância oral a glicose (TTOG) 
\ufffd Teste ou curva de tolerância a glicose (TTG) 
\ufffd Teste de sobrecarga oral de glicose 
\ufffd Glicemia após sobrecarga oral de glicose 
2. INDICAÇÃO CLÍNICA 
\ufffd Diagnóstico do diabetes gestacional 
\ufffd Diagnóstico de distúrbio do metabolismo glicídico em pacientes que apresentem 
glicemia em jejum superior a 110 mg/dL* e inferior a 126 mg/dL. 
*Atualmente, a Associação Americana de Diabetes (ADA) preconiza valor superior a 100 
mg/dL e inferior a 126 mg/dL. 
3. PREPARO DO PACIENTE 
\ufffd Jejum obrigatório: 
o Adulto: 8 a 12 horas 
o Crianças de 1 a 5 anos: 6 horas 
o Criança menores que 1 ano: 3 horas 
\ufffd A ingestão de água é permitida. Evitar ingestão de café antes da realização do 
teste. 
4. AMOSTRA 
\ufffd Plasma (Fluoreto) 
5. CUIDADOS PARA COLETA 
\ufffd O teste deve ser realizado pela manhã, após 3 dias de dieta sem restrição de 
carboidratos (\u2265 150g/dia). 
\ufffd Colher amostra de sangue em jejum. 
\ufffd Em seguida, o paciente deverá ingerir lentamente, em período de 5 minutos, 250 
a 300 mL de solução de glicose, conforme se segue: 
o Adultos (incluindo gestantes): solução de 75g de glicose anidro. 
o Crianças: solução com 1,75g de glicose anidro por Kg de peso (até o 
máximo de 75g). 
\ufffd Colher amostra de sangue 2 horas após a ingestão da solução de glicose. 
\ufffd O paciente não deve fazer esforço físico, caminhar ou fumar durante o teste. 
6. ORIENTAÇÃO PARA TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO 
\ufffd Recomenda-se separar o plasma até 3 horas após a coleta. 
\ufffd Após a obtenção do plasma, caso o exame não possa ser prontamente realizado, 
recomenda-se manter a amostra refrigerada entre 4 \u2013 8° C por até 3 dias, em 
recipiente fechado. 
7. MÉTODOS MAIS UTILIZADOS NO LABORATÓRIO CLÍNICO 
\ufffd Enzimáticos colorimétricos (glicose oxidase; hexoquinase) 
8. INTERPRETAÇÃO 
8.1 Valores de referência 
\ufffd Critérios para o diagnóstico do diabetes mellitus e outras categorias de distúrbios 
na homeostase glicêmica aplicáveis a adultos, crianças e adolescentes, 
excetuando-se gestantes: 
 
Teste Oral de Tolerância a Glicose Categoria1 
 
 
Glicemia de jejum 
mg/dL (mmol/L) 
Glicemia após 2 horas 
mg/dL (mmol/L) 
<110 (6,1) <140 (7,8) Normal2 
110 \u2013 125 (6,1 \u2013 6,9) <140 (7,8) Glicose de jejum alterada2 
\u2264125 (6,9) 140 \u2013 199 (7,8 \u2013 11,0) Tolerância a glicose 
diminuída 
\u2265126 (7,0) \u2265200 (11,1) Provável diabetes 
1
 Para o estabelecimento da categoria de distúrbio glicêmico, qualquer valor alterado 
deve ser confirmado através de repetição do teste em outro dia. 
2
 Atualmente, a Associação Americana de Diabetes (ADA) preconiza valor \u2264100 mg/dL 
(5,5 mmol/L) como limite de normalidade e o intervalo entre 100 e 125 mg/dL (5,5 \u2013 6,9 
mmol/L) para classificar como \u201cglicose de jejum alterada\u201d 
 
Diabetes Gestacional 
Valores \u2265110 mg/dL (6,1 mmol/L) para a glicemia de jejum ou \u2265140 mg/dL (7,8 mmol/L) 
para o valor de glicemia duas horas após sobrecarga com 75 g de glicose em gestantes 
que apresentaram rastreamento positivo, com resultado de glicemia de jejum entre 86 e 
109 mg/dL (4,8 e 6,0 mmol/L), confirmam o diagnóstico de diabetes gestacional. 
8.2 Valores críticos 
Não aplicável 
8.3 Principais influências pré-analíticas e fatores interferentes 
 
AUMENTO DIMINUIÇÃO 
Uso de corticosteróides Até 24 h após a ingestão aguda de álcool 
Uso de diuréticos tiazídicos Jejum prolongado (ver item 3. Preparo do 
paciente) 
Estresse agudo Dieta com restrição de carboidrato 
 
\ufffd Hemólise, hiperbilirrubinemia e lipemia podem levar a resultados de glicemia 
falsamente elevados quando se utiliza métodos enzimáticos. 
\ufffd A determinação da glicemia através do método da glicose oxidase sofre 
interferência de ácido ascórbico (vitamina C) e de hiperuricemia levando a 
resultados falsamente diminuídos. 
8.4 Exames relacionados 
\ufffd Dosagem de glicose 
\ufffd Dosagem de hemoglobina glicada 
\ufffd Dosagem de frutosamina 
\ufffd Microalbuminúria 
\ufffd Dosagem de creatinina 
9. COMENTÁRIOS DO PATOLOGISTA CLÍNICO 
\ufffd O teste oral de tolerância a glicose é útil para avaliar a presença de distúrbios do 
metabolismo glicêmico especialmente naqueles pacientes que apresentam 
glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL. 
\ufffd No diagnóstico do diabetes gestacional, o teste deve ser realizado em gestantes 
que apresentam glicemia entre 86 e 109 mg/dL. 
\ufffd Valores inferiores a 110 mg/dL de glicemia de jejum e 140 mg/dL, 2 horas após 
sobrecarga de glicose, afastam a possibilidade de diabetes mellitus. 
\ufffd A utilização rotineira do teste oral de tolerância a glicose não é recomendada 
para o diagnóstico do diabetes mellitus. Alguns estudos têm indicado que a 
glicemia de jejum é capaz de identificar a mesma prevalência de alterações do 
metabolismo de glicose na população que o teste de tolerância a glicose. Além 
disso, este teste apresenta procedimento complexo, limitando seu uso na prática 
clínica. 
 
 
 
\ufffd Por outro lado, o teste de tolerância a glicose é o método diagnóstico para o DM 
gestacional, já que essa parece ser mais sensível do que a glicemia de jejum em 
gestantes, nas quais o consumo fetal de glicose, durante o período de jejum 
noturno, reduz o nível plasmático da glicemia. 
\ufffd O teste de tolerância a glicose deve ser realizado conforme as recomendações 
da OMS apresentada neste protocolo. Atualmente, não se recomenda a extensão 
do teste com dosagens de glicose em amostras colhidas em intervalos superiores 
à 120 minutos. 
\ufffd Com relação à determinação da glicemia pós-prandial, esta só deve ser utilizada 
para acompanhamento do tratamento do paciente já diagnosticado, já que a 
sobrecarga de glicose é variada, tanto na quantidade quanto na velocidade de 
absorção, diferentemente do teste de tolerância a glicose que usa sobrecarga 
padronizada. 
\ufffd Tem sido demonstrado que a reprodutibilidade do teste de tolerância a glicose 
para classificar os pacientes quanto ao distúrbio do metabolismo da glicose varia 
entre 50 e 66%. Fatores que parecem estar implicados nesta baixa 
reprodutibilidade incluem variação biológica intra-individual da concentração 
plasmática de glicose, efeitos diversos relacionados ao esvaziamento gástrico 
após administração da solução de glicose hiperosmolar e temperatura do 
ambiente. O desempenho dos ensaios para dosagem de glicose não está 
implicado nesse contexto, desde que sejam consideradas as especificações da 
qualidade analítica desejadas. 
10. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção a saúde do adulto: hipertensão 
e diabetes. Belo Horizonte: SAS/MG, 2006. 198 p. 
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção ao pré-natal, parto e 
puerpério: protocolo Viva Vida. 2 ed. Belo Horizonte: SAS/SES, 2006. 84 p. 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Consenso brasileiro sobre diabetes - 
diagnóstico e classificação do Diabetes Meliltus e tratamento do Diabetes Meliltus tipo 2. 
2002. Disponível em: http://www.sbd.org.br. 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Atualização Brasileira sobre Diabetes Rio de 
Janeiro \u2013 2006. Disponível em: http://www.sbd.org.br. 
SACKS DB, Bruns DE, Goldstein DE. Guidelines and Recommendations for Laboratory 
Analysis in the Diagnosis and Management of Diabetes Mellitus. Clinical Chemistry 48 
(3):436\u201372, 2002. 
THE EXPERT COMMITTEE ON THE DIAGNOSIS AND CLASSIFICATION OF 
DIABETES