A escola perdeu sua função social no Brasil forum
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A escola perdeu sua função social no Brasil forum


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do projeto educativo e a 
prática cotidiana da escola. 
A educação libertadora é um estímulo a critica que vai além 
das cercas da escola. Assim, em análise, ao procurar entender e criticar as escolas 
e seus métodos, necessitamos compreender e criticar o modo de produção que visa 
a mercantilização que modelou o sistema de ensino no Brasil. É necessário entender 
os mecanismos sistemáticos da educação e do ensino para atuar enquanto mestres 
libertadores dentro do espaço da escola, conquistando instrumentos que sejam 
importantes na luta pela transformação do todo social. 
Freire fala, no último vídeo seu, produzido pela PUC/SP, dias 
antes de sua morte em 1997, que \u201cfalar à palavra que transforma já é começar a 
transformar\u201d. 
Tenho presente que o discurso não faz a mudança sem estar 
aliada a uma prática, mas acredito, como Freire, que palavras ousadas são capazes 
de começar a revolucionar a mentalidade das pessoas que povoam o campo 
educativo. Ter a coragem de manifestar pontos de vista diferentes, que se 
contraponham ao conjunto de idéias dominantes é significativo para que, através do 
confronto de idéias e choques de pensamentos vá se provocando o movimento que 
instigue um outro pensar, abrindo caminhos para a construção de uma visão de 
mundo crítica, que reconheça na realidade as causas que produzem as 
desigualdades, não como fatalidade do destino, mas como criação humana, fruto de 
um sistema injusto que, ao longo dos séculos, só fez acentuar a pobreza entre os 
povos. 
 
Vivendo o meu sonho sobre a sociedade, volto a citar Freire, 
porque, enquanto educadora, persigo o que esse educar expressa com clareza: 
 
\u201cNa medida em que tenho mais e mais clareza a 
respeito de minha opção, de meus sonhos, que são 
substantivamente políticos e adjetivamente pedagógicos, na 
medida em que reconheço que, enquanto educador, sou um 
político, também entendo melhor as razões pelas quais tenho 
medo, porque começo a antever as conseqüências desse tipo 
de ensino. Pôr em prática um tipo de educação que provoca 
criticamente a consciência do estudante necessariamente 
trabalha contra alguns mitos, que nos deformam. Esses mitos 
deformadores vêm da ideologia dominante na sociedade. Ao 
contestar esses mitos, também contestamos o poder 
dominante\u201d(Freire, 2003, p. 69). 
 
 
Penso que, mais do que aprender saberes, as crianças e os 
jovens precisam aprender valores que sejam a expressão da solidariedade, onde 
haja uma rede de relações de ajuda mútua, e que como pessoas se reconheçam 
como alguém que tem um lugar importante na vida, no mundo e, por isso, são seres 
portadores de direitos e deveres. 
Rubem Alves afirma que: 
 
\u201cA sabedoria precisa de esquecimento. Esquecer é 
livrar-se dos jeitos de ser que se sedimentaram em nós, e que 
nos levam a crer que as coisas têm de ser do jeito como são. 
Não. Não é preciso que as coisas continuem a ser do jeito 
como sempre foram\u201d (Alves, 2003, p. 51). 
 
 
Romper, ter ousadia para perseguir uma outra educação que 
reconheça o potencial transformador da escola como momentos históricos de vida 
que são educadores, percebo que é essencial para sabermos lidar com as 
contradições inerentes ao viver humano. A opção por um projeto político-pedagógico 
centrado na educação libertadora/transformadora é um desafio ao educador que 
sonha e que faz do seu sonho um projeto de vida junto aos seus alunos. Tentando 
 
decifrar os códigos, imagens, linguagens, simbologias e expressões nos diferentes 
âmbitos que compõem a sociedade; tentando entender os mecanismos 
formadores/humanizadores e deformadores/desumanizadores que se apresentam 
no mundo social, o educador vai abrindo espaço no cotidiano da escola, com 
momentos para pensar, analisar e refletir a respeito da sociedade. 
 Vencer os obstáculos, ou seja, superar as dificuldades que 
emperram um outro fazer, torna a caminhada árdua, frente aos empecilhos 
construídos pelo poder que domina a sociedade, mas ao mesmo tempo propicia a 
perseguição de uma educação que seja formadora de sujeitos históricos atuantes e 
conscientes das problemáticas que envolvem o viver do povo. Assim, os educandos 
vão se constituindo em protagonistas sociais que também se assumem como 
importantes na luta pela transformação da sociedade real, minando os valores 
capitalistas que nela imperam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 4.2 Importância do conhecer como instrumento 
 para ler criticamente o mundo 
 
 
 
Vivemos hoje no auge da era do conhecimento, com um 
progresso que promete inúmeras possibilidades de alterações na qualidade de vida. 
Grandes mudanças1, que foram produzidas nas últimas décadas, afetam 
diretamente a vida das pessoas, modificando costumes e comportamentos, o que 
propicia transformações na esfera do conhecimento. 
São muitos os dilemas dos professores e das instituições de 
ensino diante da sociedade tecnológica que se apresenta, impondo paradigmas 
condicionantes a escola. 
Ao pensar a educação e conseqüentemente o conhecimento, 
surge uma série de questionamentos, incertezas e dúvidas a respeito da validade do 
que se está vivenciando neste período de transição e de alterações de valores. 
 
1 Mudança: Utilizo o termo mudança, ao longo da dissertação, partindo de um enfoque histórico crítico, ou seja, quando 
ocorrem transformações nas relações básicas que definem uma sociedade. 
 
 
 
Diante desta realidade o trabalho do professor em sala de aula 
depende muito da concepção que se tenha da tarefa social da escola e o que se 
espera dela. A questão do agir, como agir e o que fazer, antes de qualquer coisa, 
passa pela maneira com o educador entende seu papel e a importância do 
conhecimento significativo. 
Esta compreensão exige do professor uma responsabilidade 
ética e o desafia a uma tomada de posição política na qual são de extrema 
importância sua preparação, sua capacitação e sua formação constante e 
permanente na busca do conhecer. 
Não se pode falar em metodologia separada de uma 
concepção de educação, de sociedade e da finalidade do conhecimento, tendo em 
vista a formação do educando na sua globalidade. É preciso ter presente que a 
estrutura dos planos de ensino estão penetradas de interesses que representam a 
vontade do modelo socioeconômico que dirige a sociedade capitalista 
Segundo Shor: 
 \u201cA estrutura do conhecimento oficial é também a 
estrutura da autoridade social. É por isso que predominam o 
programa, as bibliografias e as aulas expositivas como formas 
educacionais para conter os professores e os alunos nos 
limites do consenso oficial. O currículo passivo baseado em 
aulas expositivas, não é somente uma prática pedagógica 
pobre. É o modelo de ensino mais compatível com a promoção 
da autoridade dominante na sociedade e com a desativação da 
potencialidade criativa dos alunos\u201d (Shor, 2003, p. 21). 
 
Acredito que o conhecimento só tem valor quando possibilita 
compreender, usufruir ou modificar a realidade. Para isso, ele tem que transformar o 
sujeito e que, com isso, seja capaz de intervir em seu meio social. Esta é a 
educação que interessa para formar novos mestres, novos dirigentes, colocando o 
 
conhecer como instrumento de conquista dos direitos, bem como a preparação para 
o trabalho. Para que isto ocorra, é preciso vencer a alienação pedagógica, 
superando o ensino livresco e conteudista, por um ensino vivamente preocupado 
com o estudo dos fenômenos sociais e na forma como interferir nos mesmos, 
buscando a transformação da realidade. 
Freire (2000), ao salientar a importância da criticidade em face 
da vocação