A escola perdeu sua função social no Brasil forum
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A escola perdeu sua função social no Brasil forum


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da natureza humana afirma que ao \u201cato de constatar, implica no de 
conhecer, a tarefa de intervir. Constato não para simplesmente me adaptar mas para 
mudar ou melhorar as condições objetivas através de minha intervenção no mundo.\u201d 
O conhecer constitui um processo decorrente do embate de 
diferentes alternativas de compreensão do mundo. Aí reside a importância do 
diálogo e do confronto de opiniões. Este fazer não é negativo embora provoque 
situações que desacomodam a rotina escolar. Um trabalho docente, partindo de uma 
perspectiva de transformação social, fazendo com que os alunos agucem a postura 
crítica frente ao atual modelo socioeconômico, exige do educador uma prática de 
construção do conhecimento que estimule a problematização do presente e do 
futuro, oportunizando um espaço para que o aluno possa refletir e contestar os 
acontecimentos que ora se apresentam fora dos limites restritos da escola. 
A escola necessita oportunizar situações em que os alunos 
estabeleçam relações entre o conhecimento construído ao longo dos anos com os 
novos conhecimentos, a fim de possibilitar a resolução de problemas que surgirão 
em suas vivências diárias no convívio social. 
Neste sentido, o conhecimento tem que ser: significativo, 
correspondendo às reais necessidades do educando; crítico, não se conformando 
com o que está dado na aparência; criativo, para que possa ser aplicado, transferido 
para outras situações e também como ferramenta de transformação; duradouro, de 
 
tal forma que em qualquer situação de sua vida o sujeito esteja apto a interferir na 
realidade. 
Ler os acontecimentos de forma crítica traz à tona as causas 
que os produziram, fazendo emergir questões sociais, culturais, políticas e 
econômicas que fizeram e fazem a história. Neste contexto, o conhecer e o 
compreender precisam estar imbuídos na prática educativa como instrumentos que 
ajudem o aluno a entender a realidade e seu contexto social, como também auxiliá-
lo a agir nesta realidade, buscando sua superação. 
A colocação da prática social como perspectiva para o 
processo de conhecimento é importante, para que o professor tenha consciência 
do papel que lhe cabe, ajudando, assim, a mediação aluno - conhecimento \u2013 
realidade. 
Diante do compromisso social da prática educativa, o aluno e o 
educador vão crescendo em consciência, delineando possibilidades e limitações, 
desenvolvendo suas capacidades físicas, intelectuais e emocionais, amadurecendo 
como seres atuantes, permitindo com isso conhecer, refletir e compreender o mundo 
como também interagir nele. 
Para Freire (1970) tomar consciência refere-se ao processo de 
\u201caprender a perceber as contradições sociais, políticas e econômicas e empreender 
ações contra os elementos opressivos da realidade\u201d. 
A tarefa de mediação do educador é de extrema importância, 
pois, na medida em que o educador cria situações que oportunizem o processo 
ensino-aprendizagem, vai fornecendo ao educando instrumentos capazes de ampliar 
a capacidade de compreensão do objeto de estudo. 
Torres (1990) salienta a importância da especificidade da 
conscientização e afirma que esta \u201creside no desenvolvimento da consciência crítica 
 
com conhecimento e prática de classe. Ou seja, aparece como parte das \u2018condições 
subjetivas\u2019 do processo de transformação social\u201d (Torres apud Maya, 2004, p. 63). 
No momento em que o professor ensina, ele também é um 
aprendente diante das diferentes situações reais de vida como fonte de saber. São 
momentos privilegiados de criar e recriar o conhecimento e que muitas vezes não 
são explorados em sala de aula. 
As professoras Silvia e Gislaine fazem os seguintes 
comentários, respectivamente, ao abordarem a categoria conhecimento: 
\u201cA busca do conhecimento é árdua e solitária pois 
não envolve apenas o racional mas também o social, o político, 
emocional e espiritual. E, aí o aluno, em fase de crescimento 
físico e o educador em constante busca, necessitam ser 
desafiados em todo o seu ser para formar-se. Entra aí a relação 
de interação professor \u2013 aluno onde ambos aprendem. Toda 
proposta de ensino \u2013 aprendizagem deve estar calcada dentro 
destes princípios porque acredito que estamos aprendendo 
continuamente com o outro. Com clareza, garra e ciente dos 
princípios, teremos condições de aceitar os desafios do 
trabalho, do mercado cada vez mais competitivo\u201d (Profª Sílvia); 
 
\u201cA produção do conhecimento é um dos papéis da 
escola, não só construídos através de situações de 
aprendizagem para tal, mas também na construção e na 
transmissão dos saberes do cotidiano, no currículo oculto, nas 
relações que se estabelecem no seu espaço\u201d (Profª Gislaine). 
 
A construção do conhecimento envolve um leque de aspectos 
em redes que precisam ser relacionados para a análise do objeto em estudo. Penso 
que as colocações das professoras são pertinentes quando afirmam que o 
conhecimento envolve o político, o social e o emocional, levando em conta os 
saberes e as relações de interação que ocorrem na comunidade escolar. Estes 
aspectos constituem-se num campo fértil para a prática do estudar. 
Para Freire, o estudar é uma preparação para conhecer. Este 
educador afirma que é um exercício paciente e impaciente de quem não pretende 
 
tudo de uma vez, mas luta para fazer a vez do conhecer. A busca do conhecimento 
é um exercício que envolve professor e aluno na dinâmica do aprender. 
O ensino é um processo global no qual a aprendizagem 
abrange a totalidade do viver humana. Segundo a professora Lúcia a escola precisa 
levar em conta o contexto social do aluno e a professora Gina fala da importância 
das ferramentas no processo do conhecimento e argumentam: 
 
\u201cA escola deve considerar a cultura e o 
conhecimento trazidos pelo educando em primeiro lugar, para 
então aprofundar, consolidar e também promover 
conhecimentos\u201d (Profª Lúcia); 
 
 \u201cO conhecimento dá ferramentas para o homem 
facilitar a sua ação, ou seja, ir em busca do novo que o leva ao 
desejo do saber\u201d(Profª Gina) 
 
 
Acredito que são relevantes as colocações de Lúcia no sentido 
de afirmar que o sistema de ensino precisa considerar o conhecimento que a criança 
traz em sua bagagem de vida. Penso que o ensino-aprendizagem não se constrói 
apenas no espaço restrito da escola desprezando o cotidiano da vida do aluno. A 
educação e a construção do conhecimento só se realiza, de forma emancipatória, 
quando a prática pedagógica trabalha com as questões da realidade não se isolando 
em um pedagogismo mantenedor da escola, em uma redoma desvinculada do real. 
Assim, concordando com Gina, toda proposta de formação 
precisa perseguir objetivos que possibilitem aos educandos a apropriação de 
ferramentas, que os ajude a ler criticamente o mundo, capacitando os sujeitos 
sociais a conhecer a realidade e a \u201cintervir no mundo para retificá-lo e não apenas 
para mantê-lo mais ou menos como está\u201d (Freire, 2000, p. 60). 
Considero de extrema importância perseguir uma pedagogia 
social ligada ao desenvolvimento dos fenômenos sociais, negando sua naturalidade, 
 
apontando os mesmos como criações humanas e possibilitando meios para que os 
educandos efetivamente se assumam como protagonistas do seu processo 
educativo. 
Para Gadotti (1998), a escola \u2018é um espaço e não o centro de 
transmissão do conhecimento\u2019. Ela pode ser um campo de debates, discussões e 
conflitos a respeito das lutas dos setores populares, reconhecendo o universo 
chamado história\u201d. 
O ser humano é um ser ativo e de relações, e seu 
conhecimento é construído na relação consigo mesmo e com o mundo. Assim, a 
prática educativa transformadora instiga o aluno a fazer uma leitura dos 
acontecimentos