A escola perdeu sua função social no Brasil forum
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A escola perdeu sua função social no Brasil forum


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ideais centrados em novos homens e novas mulheres. 
A prática diária libertadora necessita estar em sintonia com 
objetivos centrados em uma proposta político-social que seja emancipatória. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 4.4 Desafios de novos fazeres na busca de uma 
 educação libertadora 
 
 
A escola, enquanto um dos locais de socialização do 
educando, necessita encontrar caminhos que possam ser trilhados com ousadia, 
assumido o desafio de construir práticas pedagógicas abertas aos dilemas inerentes 
à sociedade. 
Percebe-se, no entanto, que ao longo dos anos, utiliza-se o 
espaço escolar para atividades diversificadas, deixando muitas vezes de se efetivar 
a prática pedagógica na sua essência política, isto é, problematizando e 
democratizando o saber escolar, pois, algumas vezes, este se deforma, alienando o 
educando dentro da própria escola, cujo objetivo é formativo. 
A escola é uma instância vinculada ao todo social e penso que 
é preciso transformá-la em um espaço onde a intenção seja proporcionar condições 
de ensino-aprendizagem que possibilitem ao educando a apropriação do saber e a 
democratização dos meios necessários para se chegar a esse saber sob a luz do 
pensamento crítico. 
 
A instituição de ensino que possui um compromisso político-
pedagógico com a libertação incentiva a recriação de sua prática cotidiana escolar, 
buscando vencer preconceitos, criando meios capazes de trabalhar com a 
pluralidade e respeitando a singularidade dos sujeitos que a compõe. 
A escola e seu projeto educativo não ficam alheios aos 
problemas fechando os olhos diante da violência do sexismo, da discriminação e do 
empobrecimento que conduz a desumanização do \u2018ser\u2019. É necessária uma 
pedagogia que respeite a subjetividade e as peculiaridades de cada um, rompendo 
com os padrões arraigados ao longo da história do ensino, fazendo emergir uma 
teoria e uma prática onde o processo docente esteja aberto ao movimento do 
repensar articulado ao mundo vivido, trabalhando nos indivíduos a consciência de 
materialidade das relações, problematizando convicções sectárias. 
Nesse contexto, torna-se vital a escola estabelecer conexão 
com a vida, vendo a diversidade presente nos educandos e valorizando os 
conhecimentos que suas histórias oferecem. Isso exige um esforço para reinventar a 
escola partindo de um projeto educativo antiautoritário, essencialmente aberto e 
criativo, que se desprenda do exclusivismo da teoria, movimentando a prática 
escolar. 
A busca por respostas às constantes indagações frente às 
situações inquietantes, o pensar e o repensar, leva-nos a uma reflexão que fornece 
instrumentos que propiciam uma visão da forma como a escola está cumprindo seu 
compromisso político-pedagógico, possibilitando construir metodologias alternativas 
que partam da criatividade e da superação dos saberes já sistematizados em 
descompasso com a realidade. 
Mediante essas perspectivas, as práticas coletivas carecem 
atender aos anseios e aspirações que brotam da necessidade de uma sociedade 
 
nova, contaminando o grupo com o ideário da participação e da autonomia decisória. 
Para isso a escola necessita criar situações que favoreçam a criticidade e o diálogo, 
criando condições para que os sujeitos possam opinar, aceitar ou rejeitar mesmo 
que instigue o conflito. 
A construção de um espaço propício para o debate de idéias é 
um dos compromissos da educação que liberta, na qual todos os protagonistas do 
processo educativo engajem-se, no esforço comum, no sentido de uma visão de 
mundo que supere a alienação, que turva o entendimento do concreto. 
Reconhecer o espaço escolar como um dos cenários 
potencializadores de alterações sociais é significativo no câmbio histórico, para o 
enfrentamento das condições vigentes, superando as distâncias que aprofundam as 
desigualdades e que criam bolsões de miséria, marginalizando gerações. 
Um cenário onde a prática coletiva seja articulada aos anseios 
que emergem como reflexo das exigências de um projeto político libertador, fazendo 
com que a escola resignifique seu compromisso, inclinando-se às idéias de 
construção de uma sociedade que trilhe caminhos cujas propostas respeitem os 
ensinamentos do povo, descortinando novas possibilidades de vida alternativa ao 
modelo vigente. 
A autonomia da escola não significa a rejeição da hierarquia 
escolar, com a presença dos diversos setores e direção, essenciais para manter a 
unidade educacional. Mas os laços que se estabelecem necessitam ser 
democratizados, onde as relações horizontais de troca prevaleçam sobre as 
medidas impositivas ditadas de cima para baixo, tornando-as distante do corpo 
escolar. A participação do grupo é essencial no sentido de que todos estejam 
envolvidos num compromisso pedagógico que privilegie a liberdade responsável, 
mantendo um posicionamento crítico em relação ao mundo, não aceitando 
 
passivamente a ideologia imposta pelo grupo gestor, que penetra e assombra o 
sistema de ensino. 
Lutar com responsabilidade e convicção, que se baseiam na 
compreensão do problema que permeia o pensamento reacionário e conservador, é 
fundamental no papel exercido pela escola, que tanto apregoa em seu discurso a 
transformação e opta pela educação fundamentada na libertação. 
Entendo que a educação libertadora propõe-se a contribuir 
para a edificação de uma sociedade que represente os interesses da grande maioria 
dos sujeitos que a compõe, canalizando esforços para o fortalecimento de um 
modelo que valorize o ser humano enquanto ser social. 
 O projeto libertador desafia o educador a agir nas 
mentalidades, vencendo o senso comum que permeia o espaço da escola, 
incentivando o desenvolvimento de uma consciência crítica indagadora num 
processo infinito pela busca de respostas, num compromisso que parta de dentro 
dos sujeitos no sentido de avançar para um pensamento que, valorizando o saber, a 
memória e a cultura popular, possam decodificar o ideário da elite. O educador 
social1 estimula a participação dos educandos, num processo constante de 
interpretação da história, como fruto de múltiplas determinações, buscando a 
compreensão da temporalidade dos acontecimentos, partindo do pressuposto da 
mudança e da transformação. 
 
 
 
 
 
1 Conheci essa expressão em um congresso de educação que participei em Cuba, no ano de 2001. Essa expressão é usada 
pelos educadores cubanos. Ao me apropriar do termo, utilizo-o na dissertação referindo-me aos professores comprometidos 
com uma prática educativa que leva em conta os problemas que emergem em nossas vivências, como construções históricas, 
gerando a desigualdade entre os seres humanos. São educadores que fazem da prática escolar um espaço de conscientização 
dos sujeitos, analisando criticamente, no processo educativo, as raízes dos fenômenos que ocorrem na relação entre os 
diferentes países do mundo. 
 
 
 
Segundo Freire (1979) \u201ca educação libertadora questiona 
concretamente a realidade do homem com a natureza e com os outros homens, 
visando uma transformação \u2013 daí ser uma educação crítica\u201d. 
O objetivo principal que o aluno procura atingir na escola é não 
somente estudar a realidade, mas também deixar se impregnar por ela. É necessário 
estudar os fenômenos em suas relações, suas ações e dinâmicas recíprocas. É 
fundamental entender que os mesmos estão acontecendo na realidade atual e são 
partes de um processo inerente ao desenvolvimento histórico geral. Quanto mais 
instrumentos os discentes se apossarem para ler criticamente os