A escola perdeu sua função social no Brasil forum
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A escola perdeu sua função social no Brasil forum


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transformação de todas as estruturas 
injustas\u201d que sustentam e mantém a sociedade. 
Esta escola apresenta diversas características que possibilitam 
a obtenção de respostas importantes para clarear alguns aspectos ligados aos 
objetivos deste trabalho, pois possui um espaço físico-material aberto para as 
indagações da pesquisa, onde os protagonistas das rotinas da escola contribuem 
enormemente para a análise e interpretação dos obstáculos e desafios do fazer 
escolar2. Considero um cenário propício para ajudar a entender as relações que 
perpassam entre os sujeitos da escola e que muitas vezes não são visíveis (ocultas) 
e nem fáceis de serem percebidas e compreendidas em suas intenções. 
É um estabelecimento de Ensino Fundamental e Médio com 
aproximadamente 1.200 alunos; os educandos que atende são provenientes da 
classe média e, portanto, oriundos de famílias que vêm sofrendo com constantes 
crises econômicas que assolam o país, levando-as a perda do poder aquisitivo e, 
conseqüentemente, ocasionando uma diminuição do número de discentes nas 
escolas privadas3. 
Contudo, tendo presente a realidade em que trabalho, não fico 
atrelada apenas a esse contexto de estudo, mas busco investigar educadores e 
educandos envolvidos em outros cenários educacionais, que também são foco de 
minhas observações. 
 
 
 
 
2 No texto utilizo o termo \u2018fazer escolar\u2019 como sinônimo de prática pedagógica, usando os dois, indistintamente. 
3 Fonte consultada para tal afirmação: documento AEC/RS-2004 \u2013 Análise de Conjuntura \u2013 Relação escolas/congregações/ 
SINEPE 
 
 
Ao participar de seminários e congressos, muitos realizados 
pela AEC-RS, não posso deixar de fazer minhas indagações frente às diferentes 
situações problematizadoras, que se descortinam ao longo do tempo de 
minha pesquisa. Reconheço, nestes espaços, cenários significativos para ajudar a 
entender meu tema de pesquisa. 
Um encontro importante foi o XXVII Seminário Estadual de 
Educação da AEC-RS, que aconteceu nos dias 16/17 de outubro de 2003, onde foi 
abordado o tema \u201cO Saber e o Conviver na Prática Educativa\u201d. Neste encontro, 
discussões em grupos foram realizadas com o intuito de pensar a educação. Como 
faço parte da equipe pedagógica desta associação, que planeja as dinâmicas de 
trabalho, tive a oportunidade de sugerir a pergunta que foi o centro dos debates: 
\u201cQuais os desafios do saber e do conviver4 na prática educativa?\u201d As 
considerações dos grupos, formados por professores, de escolas católicas e 
públicas, presentes no final deste trabalho, fornecem elementos essenciais para a 
redação da dissertação. As mesmas contribuem enormemente com dados 
significantes que ajudam a pensar a problemática da educação. As discussões em 
torno da educação na AEC-RS são enriquecedoras nas análises conclusivas que 
aqui apresento. Porém, os dados obtidos estão inclusos e expressos em minha fala 
na medida em que, ao me apropriar dos mesmos, escrevo o presente trabalho, 
expondo as reflexões analíticas. 
Educadores e educandos de outros espaços escolares 
contribuem para o entendimento do problema de pesquisa. Entrevisto professores 
de escolas estaduais, como Instituto de Educação Flores da Cunha do Estado do 
 
 
 
4 Entendo por conviver o contato constante entre pessoas e/ou grupos que vão estabelecendo relações através do convívio. 
 
 
 RS, Escola Estadual Paulo da Gama e professores de colégios particulares 
católicos tais como Nossa Senhora do Rosário, São José e Bom Conselho. 
São foco de meu estudo os protagonistas da prática escolar, ou 
seja, sujeitos envolvidos no ensino-aprendizagem, tais como equipes diretivas, 
professores, alunos, pais e mães, pois considero que, apesar da dificuldade de lidar 
com tantos dados, todos fornecem elementos significativos que contribuem para a 
interpretação e a busca de respostas para o problema de pesquisa. 
As entrevistas e observações são os recursos metodológicos 
que melhor se adequam à minha proposta de trabalho. Redijo minha dissertação 
apresentando conclusões resultantes da análise e da compreensão que tive dos 
resultados obtidos. As interpretações que faço são decorrentes do que percebo 
neste momento da pesquisa. Contudo, não pretendo absolutizar minha opinião 
expressa. A mesma está aberta ao diálogo que possa contribuir para um melhor 
entendimento e problematização do papel da escola e da pesquisa nela possível. 
Procurando captar a dinâmica do fenômeno educacional e a 
realidade do dia-a-dia escolar, utilizei a técnica da observação como auxílio para 
entender o papel desempenhado pela escola na educação brasileira. Ludke e André 
fazem a seguinte afirmação em seu livro sobre pesquisa qualitativa em educação: 
 
\u201cUsada como o principal método de investigação ou 
associada a outras técnicas de coleta, a observação possibilita 
um contato pessoal e estreito entre pesquisador e fenômeno 
pesquisado, o que apresenta uma série de vantagens. A 
experiência direta é, sem dúvida, o melhor teste de verificação 
da ocorrência de um determinado fenômeno\u201d (Ludke, André, 
2001, p. 26). 
 
 
Conforme estas autoras, a técnica da observação permite que 
o pesquisador cheque, mais de perto, a \u201cperspectiva dos sujeitos\u201d na medida em que 
o observador acompanha, in loco, as experiências diárias dos sujeitos, e, com isso, 
 
se pode apreender a sua visão de mundo, isto é, o sentido que eles atribuem à 
realidade que cerca a si e às suas ações. 
Assim, a observação é minha principal técnica para a coleta de 
dados, onde, em diferentes momentos da vida escolar, observo o seu cotidiano. Meu 
olhar é direcionado para a sala de aula (espaço físico tradicional), para as relações 
que se estabelecem no pátio, nas reuniões pedagógicas e administrativas, na sala 
dos professores, nos corredores e nas reuniões com os pais, mães e/ou 
responsáveis pelos discentes. Enfim, em diferentes situações que oportunizam o 
olhar da observadora para responder os questionamentos de pesquisa. 
Para superar obstáculos, procuro trabalhar através de uma 
perspectiva crítica e de um permanente repensar, buscando, em minha prática, a 
valorização do diálogo. Não pretendo com isso a neutralidade, mas sim exprimir o 
respeito às diferenças de idéias e posições, mantendo um olhar crítico sobre meu 
próprio percurso de pesquisa. 
Busco manter viva a curiosidade e a procura por respostas 
para entender a razão de ser dos sujeitos em estudo. Para tanto, mantenho presente 
o contexto histórico no qual a escola está inserida e os instrumentos ideológicos que 
permeiam não apenas a escola, mas também a sociedade em que o sistema 
educacional do Brasil está submerso, dificultando um outro fazer. 
Faço minhas observações buscando fundamentação teórica 
pertinente ao tema da pesquisa, considerando a totalidade do contexto educacional, 
levando em conta fatores históricos, políticos e sociais para o entendimento e a 
compreensão do problema. 
Pretendo, também, ficar atenta às expressões e sinais não 
verbais para a compreensão e a validação do que é efetivamente dito. Busco a 
analise e a interpretação dos discursos à luz de uma linguagem que permite 
 
confrontar com outras informações da pesquisa, identificando a ideologia que 
permeia as falas dos sujeitos. 
Considero certas informações, aparentemente isoladas e 
discrepantes, importantes elementos na elucidação das questões estudadas. 
Detalhes, muitos deles subjetivos, tais como gestos, ações, expressões e reações, 
contribuem para ajudar na análise das categorias. São elementos ricos na medida 
em que se convertem em aspectos pertinentes aos propósitos de estudo.