tese leila benitez
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tese leila benitez


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numa 
intervenção direta do governo português no mercado de diamantes. 
Em 1753 foi assinado em Lisboa um contrato com a firma inglesa Bristows 
Warde & Cia, para a venda de uma quantidade fixa de diamantes, com preços fixos, por um 
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determinado período. Posteriormente foram assinados contratos com outras empresas. Esses 
compradores eram quase sempre manobrados pelos judeus de Londres ou Amsterdam. O 
regime de contratos para a extração de diamantes no Brasil continuou até 31 de dezembro de 
1771, quando foi declarado extinto o sexto e último contrato, que vigorava desde 1 de abril de 
1762. 
 
2. 2 - A REAL EXTRAÇÃO 
 
A Real Extração, fundada em 1772 conforme decreto de 12 de julho de 1771, foi o 
terceiro sistema a ser implantado e define-se como a extração por conta da fazenda real, 
regulamentada pelo Regimento Diamantino, orientada pelo célebre \u201clivro da capa verde\u201d. O 
nome deste livro justifica-se, segundo Furtado (2008), no fato de que o único exemplar 
enviado ao Arraial do Tejuco era encadernado em marroquim verde e ficava exposto na 
entrada do prédio da intendência. 
Ainda sobre o \u201clivro da capa verde\u201d, Prado Júnior (1986) assinala que, esse era a 
apuração de uma tirania máxima e de terror sobre os mineradores de diamantes durante meio 
século. Esse regimento só era aplicado em Minas Gerais, especificamente no Distrito ou 
Demarcação de Diamantina, porque apenas nessa área foi autorizada a exploração legal das 
jazidas diamantíferas. Em outros lugares, a extração era severamente proibida, medida 
adotada para reduzir a produção e manter os preços. 
 De acordo com relatos de Souza (1942), bem como Prado Júnior (1986), no novo 
regime instituído, o intendente das minas era senhor absoluto no Tijuco. A violência, o 
arbítrio, o julgamento sem forma de processo eram permitidos pelo regimento. E tais eram 
seus dispositivos que quanto mais exato fosse o intendente no cumprimento da lei, tanto mais 
execrada ficava sendo sua administração. Os poderes do intendente iam desde o confisco de 
todos os bens até decretação de pena de morte civil, que significava para o indivíduo a perda 
de todos os direitos, como se não existisse, diferente da morte natural. 
O regime da Real Extração durou até 1832. Antes, a lei de 13 de maio de 1803, 
havia abolido a Real Extração. Mas essa lei não foi aplicada e foi suspensa pelo alvará de 1º 
de setembro de 1808. O primeiro ato do governo português ditou a convicção de que não valia 
mais a pena o erário real custear a extração de diamantes, bastando reservar-se à coroa o 
monopólio do comércio. O segundo, por ter a coroa chegado à conclusão oposta em face de 
um relatório da Junta do Tijuco. 
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Em 27 de julho de 1821, o Príncipe Regente declarou não ser mais aplicável o 
artigo 7º de Regimento, que permitia os despejos dos habitantes da demarcação, causando o 
desprestígio dos intendentes. A extração foi decaindo, com a pobreza das lavras e a escassez 
nos adiantamentos enviados pelo Tesouro, cuja importância anual foi reduzida, em 1824 a 
60:000$000, tendo sido, inicialmente, de 200:000$000 e passado, em 1725, a 120:000$000. 
O contrabando ocorria em grande escala, apesar das medidas tomadas e o 
intendente deixava de ser senhor absoluto do Tijuco. A obtenção de concessões de lavra foi se 
tornando mais fácil e trabalhava-se por toda parte, exceto em poucos pontos reservados à 
Extração, que operava muito pouco com seus parcos recursos. Segundo Souza (1942), 
somente com o decreto de 25 de outubro de 1832 extinguiu-se a Real Extração, porém não foi 
executado devido a muitos protestos, visto que fazia caducar sumariamente concessões em 
vigor e estabelecia uma taxa de 4$500 por cada data, importância considerada muito onerosa. 
Em 1841 a Extração tinha apenas 11 homens trabalhando na lavagem de cascalhos na 
localidade de Curralinho (atual Extração), ainda reservado à exploração do governo. A região 
foi então invadida por inúmeros mineiros que tomaram conta desta definitivamente, 
dispersando os últimos remanescentes da empresa real. 
 
2.3 - NOVAS LEIS DO IMPÉRIO PARA REGULAMENTAÇÃO DAS 
EXPLORAÇÕES DIAMANTÍFERAS 
 
Em 24 de setembro de 1845, novo decreto foi baixado regulando a exploração de 
diamantes, regulamentado em 17 de agosto de 1846. No entanto, nova lei de 6 de setembro de 
1852, regulada pelo decreto de 18 de dezembro do mesmo ano, corrigiu os defeitos apontados 
na anterior e foi posta em execução a partir de 1853. De acordo com Souza (1942) podem ser 
citados: 
- A garantia às ocupações sem atenção à legitimidade de suas origens, concedendo 
ao mineiro a faculdade de arrendar o terreno que estivesse efetivamente ocupando, pelo preço 
de 1 real por braça quadrada, sem dependência de hasta pública. Para a prova da efetiva 
ocupação seria suficiente a existência de qualquer estabelecimento, bem feitoria ou casa de 
vivenda pertencente à pessoa que pretendesse o arrendamento, ou o fato de estar continuando 
os serviços abertos anteriormente. 
- Aos concessionários em primeiro lugar, e em segundo aos proprietários do solo 
foi dada a preferência para, pela mesma forma, arrendarem o terreno de sua concessão ou 
propriedade, nunca, porém ficando o simples ocupante, embora sem título, privado de 
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arrendar um lote até seis mil braços quadrados que compreendesse o lugar em que estivesse 
assentado o serviço. 
- Aos terrenos já explorados, mas não efetivamente ocupados, se determinou que 
fossem arrendados em hasta pública; e o preço mínimo de cada braça quadrada, que pela lei 
de 1854 era de trezentos réis, reduzido a cinco réis pela lei de 26 de outubro de 1848, ainda 
foi reduzido a um real. 
Foi corrigido o defeito da lei, que estabelecia o prazo de quatro a dez anos para o 
contrato do arrendamento, facultando-se ao arrendatário o direito de continuá-lo por qualquer 
tempo enquanto lhe conviesse; não podendo, porém lote algum conter mais de cem mil braços 
quadrados e ninguém obter mais de dois lotes. Com a lei de 25 de setembro de 1867 revogou-
se a proibição aos estrangeiros de minerarem, o que fez a exploração de diamantes no Brasil 
desenvolver-se bastante até a descoberta dos diamantes da África do Sul. 
A última lei do Império que tratou dos diamantes foi a de 23 de agosto de 1873, 
sobre a qual se baseou o regulamento dos terrenos diamantinos aprovado por decreto de 23 de 
junho de 1875. Por este último código de disposições regeram-se todos os negócios da 
administração daqueles terrenos, até a Proclamação da República, e pouco se afastaram do seu 
conteúdo as modificações posteriores a essa data. 
O regulamento começa com a afirmação: \u201cOs terrenos diamantinos\u201d de que trata o 
art.3.º pertencem ao domínio do Estado. Entre outros atributos: 
- Reorganiza o pessoal, que constituiria daí por diante uma administração geral em 
cada província onde houvesse diamantes, subordinadas todas ao ministério da fazenda. 
- Estabelece que a exploração desses terrenos só poderá ser feita por arrendamento 
ou com licença para faiscar, para os serviços menos importantes. O proprietário ou ocupante 
dos terrenos tem preferência para o arrendamento direto pelo preço mínimo de tabela e até o 
limite máximo da área concessível, com a garantia de dois fiadores idôneos ou pela caução 
das apólices gerais no valor do preço a pagar durante um ano. 
- Os terrenos não arrendados por essa forma são licitados em hasta pública, e para 
esta são instituídas novas regras. Para as sociedades ou companhias mineradoras alargam-se 
prazos e áreas de concessão. 
- O processo de divisão dos terrenos diamantinos em lotes e da avaliação de suas 
áreas ocupa outro capítulo do regulamento constitui um conjunto de normas relativas à 
duração, transferência