tese leila benitez
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tese leila benitez


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e tempo de pagamento dos arrendamentos. Multas, recursos e 
disposições gerais são objetos de outras partes deste código. 
 
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2.4 - A CONSTITUIÇÃO DE 1891 
 
A constituição de 1891 modificou o regime mineiro no Brasil, conferindo aos 
Estados a competência para legislar sobre as minas em seus respectivos territórios. 
A primeira lei para regular a exploração de jazidas minerais em Minas Gerais foi a 
lei nº 285, de 18 de setembro de 1899. No que se refere aos diamantes, foi estabelecido: 
\u201cContinuam em vigor as disposições sobre o arrendamento dos terrenos 
diamantinos, com as alterações seguintes: ficam extintos os arrendamentos de terrenos do 
domínio particular findo o respectivo prazo, se o governo não puder rescindi-los antes, sem 
ônus para o Estado; fica pertencendo ao proprietário a renda proveniente do arrendamento; 
continuam em vigor os arrendamentos já realizados em terrenos do domínio do Estado, que 
poderá renová-los, se achar conveniente; fica elevado a quatro o número de lotes de que trata 
o art. 37 do regulamento de 1875; as companhias ou sociedades, além do terreno que podem 
arrendar, podem adquirir outros lotes por cessão ou sub-arrendamento de terceiros; à hasta 
pública precederão editais chamando quem se julgar no direito à propriedade do solo a 
apresentar sua reclamação no prazo de cinco dias depois de concluída a praça, com recurso 
voluntário para o Governo; feito o arrendamento de acordo com a regra precedente, só o 
Poder Judiciário tem competência para conhecer das questões que se suscitem sobre domínio 
do solo (art. 22)\u201d. 
Em 15 de setembro de 1902, foi expedida a lei nº 344, onde ressaltam-se as regras 
referente aos terrenos diamantinos, com as modificações desta e da lei nº 285 (art. 6): 
- Os terrenos diamantinos serão administrados por uma repartição imediatamente 
subordinado à diretoria da Agricultura, Viação e Indústria, composta de um delegado 
(engenheiro) e um secretário desenhista, repartição que terá por sede Diamantina (art. 7). 
- Nos outros municípios, o coletor das rendas estaduais será agente do delegado da 
Diretoria (art. 8). 
- Nos rios objeto de privilégio, nos termos da Lei nº 344, não serão concedidos 
novos lotes, esta regra não compreende os rios que não forem caudais, nem os córregos que 
banharem terras do domínio do Estado (art. 9). 
- Os pedidos de arrendamento de lotes por sociedade ou companhia serão 
dirigidos ao delegado da Diretoria, diretamente ou por seus agentes; o delegado fará ou 
mandará proceder à medição por conta dos pretendentes e expedirá o edital de praça para ser 
publicado no jornal oficial e enviará ao diretor; a medição só se fará depois de depositada a 
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quantia, em que ela importar... Se seis meses após a praça não for exibida a medição, o 
pretendente incorrerá na multa de 100$000 e será julgada sem efeito a arrematação (art. 10). 
- Os pequenos lotes continuarão a ser arrematados de acordo com o decreto de 
1875 (art. 11). 
- As transferências dos lotes por sociedade ou companhia serão feitas por 
despacho do delegado, sujeito à aprovação do governo, que mandará retirar a medição, se 
julgar conveniente, correndo as despesas por parte dos concessionários ou cessionários (art. 
12). 
- O imposto a pagar pelos arrendamentos é de 1$0 por km2 e de 5$0 pelos 
pequenos lotes (art. 13). 
- O prazo para pagamento do imposto é de noventa dias, contados a partir de 1º de 
janeiro de cada ano (art. 14). 
 
2.5 \u2013 O REGIME INSTAURADO PELA REVOLUÇÃO DE 1930 
 
Com o novo regime, o governo Provisório baixou primeiro um decreto proibindo 
a alienação de jazidas minerais sem autorização do governo e depois, o decreto nº 24193 de 3 
de maio de 1934 e em seguida o Código das Minas, decreto nº 24642, de 10 de julho de 1934. 
A Constituição de 1934 estabeleceu o regime de \u201cseparação\u201d que prevaleceu até 
os dias de hoje (Souza 2005). Dessa forma, adotado o princípio da separação, se o solo 
pertence ao particular, o recurso mineral, ao contrário, pertence à União. O antigo sistema de 
Acessão (a jazida era concebida como parte integrante do solo e sua exploração só poderia ser 
feita pelo proprietário superficiário) foi substituído pelo sistema de Concessão. 
O decreto nº 24193 regulou a garimpagem e a faiscação em todo o território 
nacional. Foi criada nas coletorias federais, a matrícula gratuita, mas obrigatória, 
intransferível e exclusivamente válida para a zona a que fosse expedida. Tais atividades foram 
declaradas livres nos rios públicos e terras devolutas e, em terras particulares, sujeitas a 
licença dos proprietários. O ouro aluvionar e as pedras preciosas só poderiam ser adquiridos 
por compradores autorizados por decreto do Governo Federal, obtido mediante prova de 
idoneidade e caução depositada no Tesouro nacional, sendo a autorização dada para zonas 
determinadas. Poderiam também comprar ouro e pedras preciosas, as cooperativas de 
garimpeiros, que, entretanto, nunca se estabeleceram. 
O decreto regulou também as relações comerciais entre compradores e 
vendedores, instituindo livros e certificados para esse fim e penalidades para os infratores. 
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Declarou isentas de impostos federais as operações de compra e venda dessas mercadorias. A 
exportação de pedras preciosas só poderia ser feita por exportadores autorizados e mediante 
certificado de avaliação, que era feito por um serviço criado na Casa da Moeda. 
Em 4 de julho de 1938, o decreto lei nº 466, que dispõe sobre a garimpagem e o 
comércio e pedras preciosas, estendeu seu contexto aos carbonados e pedras semi-preciosas. 
Entretanto, não trouxe grandes inovações ao regulamento, já referido do decreto nº 24.193 e 
manteve sua atribuição rigidamente fiscal. Contudo, o decreto-lei 466 melhorou a situação a 
respeito da compra e exportação de pedras preciosas só poderem ser realizadas por pessoas 
físicas ou jurídicas autorizadas. Tal condição era muito criticada por criar monopólio para a 
exportação da mercadoria, restringindo-se a uns poucos estrangeiros. 
Os dispositivos que tratam deste assunto são: 
Art. 8 - Podem comprar pedras preciosas em bruto: 
a) as cooperativas de garimpeiros, quando autorizadas especialmente por 
decreto do Presidente da República; 
b) as pessoas físicas ou jurídicas, de reconhecida idoneidade moral, com 
documentos julgados aptos pelo Ministério da Fazenda e desde que tenham depositado no 
tesouro nacional ou nas delegacias fiscais, para garantia da fiel execução das obrigações do 
ofício, a caução de cinco contos de réis (5:000$0). 
c) independentemente de decreto de autorização, os lapidadores, 
fabricantes de jóias e obras de ourives. 
Art. 12 \u2013 É vedado ao garimpeiro comprar pedras preciosas, sob pena de confisco 
da mercadoria comprada. 
Art. 13 \u2013 As pedras preciosas garimpadas só poderão ser vendidas pelos 
garimpeiros a compradores autorizados, a lapidários, a fabricantes e comerciantes de jóias e 
obras de ourives, mediante inscrição na Fiscalização Bancária do Banco do Brasil. 
§ único \u2013 O documento necessário à inscrição referida neste artigo é o registro de 
que trata o art. 21. 
 
2.6 - O CÓDIGO DE MINERAÇÃO DE 1967 
 
O modelo emancipado de aproveitamento mineral contido na Carta de 1937 e 
ratificado no Código de Minas de 1940 foi praticamente extinto na Assembléia Constituinte 
de 1946. Essa Constituição autorizava a internacionalização das jazidas brasileiras e mantinha 
o direito de preferência mediante a qual a exploração mineral por não-proprietários só poderia 
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vir a ser efetivada após o superficiário haver desistido de exercer tal faculdade legal. Uma vez 
exercitado tal direito, o aproveitamento de uma jazida poderia vir a ser retardada por no 
mínimo quatro