tese leila benitez
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tese leila benitez


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emissão do certificado, vinculando-o a uma vistoria a cada seis meses, o pré-lacre e o pré-
requerimento eletrônico. 
Ainda, em decorrência desses fatos, a Portaria Nº 192, de 25 de maio de 2007 
(Brasil 2007), resolve conforme o Art. 1º instituir o Cadastro Nacional do Comércio de 
Diamantes Brutos (CNCD), o Relatório de Transações sobre a Produção e Comercialização de 
Diamantes Brutos (RTC) e regula a emissão do CPK para exportação e anuência para 
importação de diamantes brutos, no âmbito do DNPM. Deste modo, de acordo com a Art. 6º 
todo produtor ou comerciante de diamantes brutos no território nacional deverá 
obrigatoriamente inscrever-se no CNCD. No preenchimento deste formulário, deverá ser 
informado em campo próprio, as vendas efetuadas pelo requerente a partir de 1º de outubro de 
2005 no mercado interno. Conforme o Art. 10 o RTC fica instituído como instrumento de 
monitoramento da produção e comercialização de diamantes, sendo a apresentação da 
declaração ao DNPM obrigatória para todo produtor ou comerciante de diamantes brutos no 
território nacional. 
Contudo, Porto Filho (2007), critica tais procedimentos, alegando que o sistema 
induz ao erro. Mesmo aquele irregular poderá cadastrar-se perante o CNCD e um produtor 
que extraia diamante de maneira ilícita poderá lançá-lo no RTC. Assim, quando é 
concretizada uma transação e o vendedor o declara perante o RTC, há o aceite do sistema, 
levando o comprador de boa fé ao erro, concluindo que aquele irregular está finalmente em 
dia com o CNCD, já que o RTC não acusa seu impedimento. 
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Alterações recentes também envolveram a atividade garimpeira. A Lei nº 11.685, 
de 02 de junho de 2008, institui o Estatuto do Garimpeiro destinado a disciplinar os direitos e 
deveres assegurados aos garimpeiros (Brasil 2008). 
No Art. 3º consta que o exercício da atividade de garimpagem só poderá ocorrer 
após a outorga do competente título minerário expedido nos termos do decreto Lei nº 227 de 
28 de fevereiro de 1967 e da Lei nº 7.805 de 18 de junho de 1989, sendo o referido título 
indispensável para a lavra e a primeira comercialização dos minerais garimpáveis extraídos. 
Quanto às modalidades de trabalho são permitidas: autônomo; regime de economia familiar; 
individual com formação de relação de emprego; mediante contrato de parceira, por 
instrumento particular registrado em cartório e em cooperativa ou outra forma de 
associativismo. 
No Art. 9º fica assegurado ao garimpeiro o direito de comercialização da sua 
produção diretamente com o consumidor final, desde que se comprove a titularidade da área 
de origem do minério extraído. Entre os deveres, consta no Art.12, recuperar as áreas 
degradadas nas atividades mineradoras. 
A partir da instituição deste estatuto, passa-se a permitir ao garimpeiro o direito de 
requerer a CPK e comercializar seus diamantes de forma legalizada. Entretanto, Porto Filho 
(2007) alerta para as condições econômicas/culturais em que se encontra um trabalhador 
garimpeiro braçal, que não o credencia a esperar muito tempo pelos trâmites legais. Deve-se 
considerar ainda a falta de conhecimentos técnicos e econômicos que satisfaçam os 
pressupostos critérios exigidos pelo DNPM para a emissão do título minerário. 
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4 \u2013 GEOLOGIA E MINERALOGIA DO DIAMANTE 
 
4.1 - DEPÓSITOS DIAMANTÍFEROS PRIMÁRIOS 
 
Os principais depósitos primários de diamantes conhecidos têm natureza 
kimberlítica ou lamproítica. Ambos os tipos de rocha são raros e correspondem a erupções de 
material originado no manto terrestre. Kimberlitos e lamproítos seriam formados pela 
cristalização de magmas híbridos (ou secundários), em parte diferenciados a partir de magmas 
primários, peridotítico ou eclogítico (e.g. Mitchel 1986, Mitchel & Bergman 1991). 
Os kimberlitos são rochas híbridas ricas em voláteis, os megacristais \u201cprimários\u201d 
reagem com a matriz de relativa baixa temperatura e, durante e após a intrusão, com água 
subterrânea e contribuições variáveis de material das rochas encaixantes, podem apresentar 
variadas composições modais. Kirkley et al. (1991) definiram kimberlito como rochas 
híbridas, ultrabásicas, potássicas (0,6-2% K2O) e ricas em voláteis (CO2 e H2O), compostas 
por fragmentos de eclogitos e/ou peridotitos, em uma matriz formada essencialmente de 
olivina (predominante), flogopita, calcita, serpentina, diopsídio, granada, ilmenita e enstatita. 
Os kimberlitos aparecem normalmente na forma de chaminés intrusivas na crosta (os pipes), e 
podem apresentar variáveis xenólitos, de acordo com as rochas por onde passou a intrusão. 
No final da década de 1970, na Austrália, quando foram encontrados pela primeira 
vez diamantes associados a um lamproíto, tal rocha foi inicialmente definida como um 
\u201ckimberlito ultrapotássico\u201d. A dificuldade em estabelecer sua identidade era muito grande. Os 
lamproítos são rochas ígneas ultrapotássicas, ricas em magnésio e, logo, em minerais 
magnesianos. Os elementos-traço significativos incluem zircônio, nióbio, estrôncio, bário e 
rubídio (Mitchel & Bergman 1991). 
Considera-se o lamproíto um tipo específico de rocha, que integra um \u201cclã\u201d de 
rochas de composição química semelhante e, da mesma forma que os kimberlitos, são rochas 
híbridas que têm como produtos de cristalização primária principalmente olivinas, que 
ocorrem tanto na matriz como em fenocristais (Mitchel & Bergman 1991). Em termos 
químicos, constituem rochas ultrapotássicas (6-8% K2O) ricas em magnésio, porém, ao 
contrário dos kimberlitos, são pobres (<1%) em CO2, ainda que enriquecidas em flúor. Em 
função de seus conteúdos mineralógicos predominantes, os lamproítos têm sido designados 
como olivina lamproítos e leucita lamproítos. Além dos minerais predominantes também em 
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kimberlitos, os lamproítos em geral se caracterizam por uma assembléia mineralógica 
caracterísitica, formada por sanidina, leucita, priderita e wadeíta. 
As teorias recentes de formação dos depósitos primários afirmam que os 
diamantes se formaram entre 150 e 200 km, em temperaturas na faixa dos 1.100-1.500ºC, no 
manto superior, em períodos iniciados desde 3.300 Ma. Tal formação deu-se em zonas mais 
frias (e sólidas) do manto, do que nas quentes e fluídas. Permanecendo aquelas rochas frias e 
essencialmente inalteradas por longos períodos de tempo, poderiam ter sido penetradas por 
magmas de origem profunda que transportariam os diamantes como \u201cxenocristais\u201d (no 
interior dos xenólitos \u2013 a maioria dos quais dissolvidos no processo de erupção) até a 
superfície terrestre (Mitchel 1986). 
O mecanismo de transporte dos diamantes até a superfície terrestre é a erupção 
dos kimberlitos ou lamproítos. Esses dois tipos de rocha trouxeram xenólitos e xenocristais de 
onde passaram, incluindo os diamantes, para a superfície. Entretanto, nem todos os 
kimberlitos e lamproítos contêm diamantes, por não terem alcançado zonas férteis no manto 
(os diamantes estão geneticamente associados a peridotitos e eclogitos). O peridotito é a rocha 
mais abundante do manto. Tal denominação deriva de \u201cperidoto\u201d, uma variedade verde da 
olivina. Em função de suas constituições químicas, duas variedades dessa rocha destacam-se 
como fontes genéticas do diamante: o lherzolito e o harzbugito. 
O eclogito é um tipo bastante invulgar de rocha, constituído predominantemente 
por granada e clinopiroxênio (onfacita), e mais rico em SiO2, Al2O3 e CaO do que os 
peridotitos. Eclogitos são indicadores de ambientes de alta pressão e alta temperatura, 
consistentes com aqueles em que o diamante se forma. Tais rochas ocorrem em regiões 
metamórficas crustais profundas, abaixo dos continentes, formando-se através da 
transformação (metamórfica) no estado sólido de rochas previamente existentes,