tese leila benitez
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tese leila benitez


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complexos de dissolução 
e/ou geminação que agem sobre os diamantes durante a sua cristalização no manto, conforme 
sugerem Svisero & Haralyi (1985). 
Hábitos cristalinos como rombododecaedro, não representam formas primárias de 
crescimento, sendo produzidos por processos naturais de dissolução a partir de outras formas. 
O octaedro vem a ser a principal forma de crescimento do diamante e a partir da dissolução 
desta forma podem resultar diversas outras cujas principais características são os graus 
variáveis de curvatura das faces e das arestas (Moore & Lang 1974). Existe uma progressão 
contínua do octaedro de faces planas e arestas retilíneas até o rombododecaedro de faces 
abauladas e arestas curvas. Assim, o rombododecaedro é em geral a forma mais abundante 
presente nos diamantes naturais justamente pelo fato desta ser remanescente das faces de 
dissolução que modificaram as formas octaédricas primárias. 
São comuns cristais de faces encurvadas, denominadas por Orlov (1973) de 
dodecaedróides, octaedróides e cubóides, conforme a semelhança com o hábito original. As 
geminações mais comuns são observadas principalmente segundo o plano (111), estes são 
tabulares e exibem contorno triangular, originando diamantes conhecidos no Brasil como 
\u201cchapéu-de-frade\u201d. Geminados de Mohs são mais raros, tratando-se de cristais com vértices 
salientes e faces reentrantes, que resultam de crescimentos complexos, talvez produto da 
interpenetração de quatro octaedros distintos. 
Muitos diamantes não apresentam hábito definido; são cristais achatados ou 
irregularmente desenvolvidos. Nesses casos, as faces planas são pouco proeminentes e, por 
vezes, os planos são tão recurvados, o que torna impossível notar as arestas formadas por 
estes. De acordo com Svisero (1971), as formas irregulares ocorrem em consequência de 
desproporções ocorridas durante o desenvolvimento do cristal (diferentes velocidades de 
crescimento segundo seus três eixos), bem como pela dissolução posterior mais acentuada em 
determinados setores do cristal. 
Os diamantes dos tipos agregados cristalinos podem ser encontrados com dois e 
até dezenas de indivíduos. Os tipos policristalinos podem ser classificados em três variedades, 
designadas de bort, ballas e carbonado. Os borts são agregados cristalinos complexos, que 
possuem aspecto irregular, de cor cinza-escura ou preta, onde os cristalitos não podem ser 
individualizáveis. Os ballas podem ser definidos como agregados policristalinos de 
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desenvolvimento orientado globular, com os cristalitos em direções (110) radiais que resultam 
em uma forma esférica. Os carbonados são agregados pretos e porosos, de aspecto irregular, 
apresentando cristalitos muito reduzidos, da ordem de 0,001 mm. 
 
A 2 - Distribuição de Peso e Granulometria: 
Para determinação da distribuição de peso e granulometria do diamante nas 
diversas áreas pesquisadas, considerou-se não só os lotes estudados em detalhe, como também 
outros lotes observados, só para este fim, de posse com comerciantes de diamantes das 
localidades envolvidas. As pedras devem ser pesadas em balanças gemológicas portáteis, com 
peso em quilates e divisão por pontos (1 ct = 100 pontos = 0,2 g). Em algumas circunstâncias, 
pode-se ainda fazer estimativas de peso, que agilizam as descrições de lotes com muitos 
indivíduos, e que tornaria inviável a pesagem das pedras uma a uma. As classes adotadas são: 
de 0,01 a 0,25 ct; de 0,26 a 0,60 ct; de 0,61 a 1,20 ct; de 1,21 a 2,00 ct e maiores do que 2,01 
ct. Estas foram propostas como consequência dos exames preliminares, visando tanto atender 
regiões onde as médias de peso são muito baixas (como na Serra do Espinhaço) como onde as 
médias são muito altas (como no Alto Paranaíba). 
 
A 3 - Cor: 
A cor do mineral resulta de uma série de condicionantes físicas e químicas que 
dependem da absorção seletiva da luz por ele transmitida ou refletida. No diamante, esta 
característica é ainda mais evidente: o mineral é incolor em seu estado ideal, porém, além das 
várias tonalidades de amarelado (extremamente comuns), são reportadas espécies de todas as 
colorações, tais como: branco-leitoso, amarelo-canário, laranja, rosa, violeta, verde, azul, 
marrom e preto. As sutilezas de tons provenientes dos diamantes incolores é um aspecto 
fundamental para sua comercialização. 
Os diamantes coloridos (fancy diamonds), como rosa, vermelho, azul ou verde, 
são raríssimos e podem alcançar preços até centenas de vezes superiores em relação aos 
cristais puros e incolores dentro de uma mesma faixa de peso. As chamadas cores industriais 
são aquelas cuja tendência não favorecem o brilho das pedras quando lapidadas, e possuem 
pouco valor no mercado, em geral aquelas de tonalidades mais escuras. Atualmente ocorre 
todo um marketing como tentativa de se incluir entre as cores gemológicas, pedras de 
coloração amarelo-champagne e marrom-conhaque; tal fato se deve à grande ocorrência de 
diamantes com tais características na mina de Argyle, na Austrália. 
Para a classificação de cor dos diamantes, na Figura 1, foram utilizados os 
parâmetros: incolor, incolor-amarelado, amarelado, fancy e cor industrial. 
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A 4 - Grau de Pureza: 
As inclusões minerais presentes nos diamantes é um dos principais meios para o 
conhecimento da própria gênese deste, e permite ainda uma pressuposição das fases minerais 
sob as condições termodinâmicas presentes no manto superior do planeta. Em termos práticos, 
a identificação das inclusões possibilita também a separação de diamantes naturais de 
diamantes sintéticos, além de outros materiais utilizados como imitação desta gema, como a 
zircônia cúbica. 
Em termos de grau de pureza, de modo a simplificar tal classificação, são 
representados na ficha (Figura 2). 
Pureza 1- cristal totalmente livre de inclusões, ou com inclusão muito pequena, 
difícil de se observar com a lupa de 10 aumentos. 
Pureza 2 - pedra com inclusões pequenas, mas que possam ser encontradas com a 
lupa. 
Pureza 3 - possui inclusões e/ou jaças evidentes com a lupa, porém difíceis de 
serem vistas a olho nu, e são conhecidas também como Piqué I. Diamantes com inclusões 
grandes e/ou frequentes, facilmente visíveis a olho nu, sendo chamadas de Piqué II. 
Pureza 4 \u2013 inclusões grandes e/ou frequentes, muito fáceis de serem vistas a olho 
nu, e que reduzem o brilho da pedra. São denominadas de Piqué III. 
Pureza 5 \u2013 cristais de qualidade não gemológica (tipo industriais). Nessa categoria 
se enquadram cubos, borts, ballas e cristais com muitos defeitos, tais como inclusões grandes, 
jaças, etc. 
 
A 5 - Estágio de Dissolução: 
Segundo Patel & Agarwal (1965), a velocidade de dissolução na superfície do 
diamante não é homogênea, ocorrendo seletivamente na seguinte ordem dos planos 
cristalográficos: (110)>(100)>(111), o que significa uma diferença relativa na velocidade de 
dissolução entre esses planos que facilita a corrosão segundo (110), correspondente às faces 
do rombododecaedro. Esse fato explica porque os cristais, inicialmente octaédricos, tornam-se 
progressivamente trioctaédricos, hexaoctaédricos e por fim rombododecaédricos. 
Embora esse parâmetro exija um estudo detalhado mais complexo, para uma 
rápida descrição de campo, a ficha utilizada propõe cinco estágios: 
Imperceptível \u2013 quando as faces do cristal apresentam-se perfeitas, sem indício 
algum de dissolução. 
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Médio/visível \u2013 após uma observação bastante detalhada com a lupa, percebe-se 
um pequeno grau de dissolução, às vezes, em apenas uma das faces. 
Dissolvido \u2013 pode-se observar indícios de dissolução no cristal a olho nu. 
Corrosão \u2013 esse estágio de dissolução é tão elevado, que provoca pequenos 
orifícios na superfície