tese leila benitez
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tese leila benitez


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superfície espessos solos vermelhos argilosos. 
A região de Jequitaí está inserida no domínio interno do Cráton do São Francisco 
(Figura 10), o qual, na definição original de Almeida (1977) constitui uma área plataformal 
cujo embasamento se consolidou em tempos pré-brasilianos, servindo assim de antepaís para 
os dobramentos ocorridos no Brasiliano. Alkmim et al. (1993) aperfeiçoaram esse conceito, 
considerando então o cráton \u201centendido como uma feição do Proterozóico Superior, ou seja, 
moldada pelo Evento Brasiliano, embora tenha se consolidado como segmento da litosfera 
continental no Arqueano\u201d. 
 
 
 
 
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Figura 9: Mapa geológico abrangendo a área do Distrito Diamantífero de Diamantina. 
Modificado de Chaves (1997). 
 
 
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Figura 10: Mapa geológico da região de Jequitaí. Fonte: Chaves & Benitez (2007a). 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Supergrupo Espinhaço 
 
As sequências predominantemente quartzíticas que suportam o relevo da Serra do 
Espinhaço nos estados de Minas Gerais e Bahia foram designadas como Supergrupo 
Espinhaço por Bruni et al. (1974). No Espinhaço Meridional, a introdução do termo veio a 
substituir a designação \u201cSérie Minas\u201d, estendida à região por Pflug (1965). A espessura total 
do Supergrupo Espinhaço varia entre 2.500-3.000 m (Marshak & Alkmim 1989, Dossin et al. 
1990, Uhlein, 1991) e a seqüência está metamorfizada no fácies xisto verde baixo. Rochas 
metamagmáticas situadas na base do pacote foram datadas por Machado et al. (1989) e 
Dussin (1994) no intervalo de 1,70-1,71 Ga. 
Pflug (1968) subdividiu a sequência metassedimentar que aflora no paralelo de 
Diamantina em oito formações: São João da Chapada, Sopa-Brumadinho, Galho do Miguel, 
Santa Rita, Córrego dos Borges, Córrego da Bandeira, Córrego Pereira e Rio Pardo Grande, 
da base para o topo. Posteriormente, Dossin et al. (1984, 1990) reuniram as três formações 
inferiores no \u201cGrupo Diamantina\u201d, assim como as cinco formações superiores no \u201cGrupo 
Conselheiro Mata\u201d. Almeida-Abreu (1993) sugere a substituição do termo \u201cGrupo 
Diamantina\u201d por \u201cGrupo Guinda\u201d, com intuito de evitar possíveis equívocos em relação ao 
Grupo Chapada Diamantina, que aflora no Espinhaço Baiano. No entanto tal proposta não 
teve ampla aceitação, e a designação de Grupo Diamantina é aqui mantida. 
Na região de Jequitaí, o Supergrupo Espinhaço aparece em dois domínios 
geográficos distintos, porém em situações estruturais análogas, compondo os núcleos das 
estruturas anticlinais da Serra do Cabral e da Serra da Água Fria. Na Serra do Cabral são 
encontradas as formações Galho do Miguel, Santa Rita e Córrego dos Borges, enquanto na 
Serra da Água Fria ocorre somente a última formação. 
A sedimentação do Grupo Diamantina teria ocorrido principalmente em ambientes 
continentais de vários tipos, como fluviais, desérticos, lacustres e de leques aluviais (Chaves 
1987, Garcia & Uhlein 1987, Martins Neto 1989, 1993, Almeida-Abreu 1993, Silva 1995). 
No Conglomerado Sopa, ocorrem abundantes clastos de conglomerado, o que indica que a 
unidade inferior já estava diagenizada quando seu topo foi retrabalhado. A espessura total do 
Grupo Diamantina varia entre 800 e 1.000 m, mascarada por sucessões de dobras e 
falhamentos de vários tipos (Chaves 1997). Neste grupo se reconhecem as formações 
Bandeirinha, São João da Chapada, Sopa-Brumadinho e Galho do Miguel. Antes considerada 
a parte superior do Supergrupo Rio Paraúna, a Formação Bandeirinha foi integrada à base do 
Supergrupo Espinhaço por Almeida-Abreu (1993). 
 
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A Formação Bandeirinha aflora em porção restrita ao sul do vilarejo de Guinda, 
onde é caracterizada por quartzitos róseos a avermelhados, de grão fino e apresentando 
generalizadamente estratos cruzados de médio porte e alto ângulo. A Formação São João da 
Chapada, definida por Pflug (1965) na região homônima, recobre em discordância angular e 
erosiva esses estratos, caracterizando-se principalmente pela presença de quartzitos finos e 
médios que afloram nas partes centrais da área atingindo 100 m de espessura. Intercalam-se 
na sequência níveis decimétricos de filitos cinza-esverdeados, que se tornam mais frequentes 
em direção ao topo, associadamente a uma diminuição no tamanho do grão dos quartzitos. 
A Formação Sopa-Brumadinho, com cerca de 140 m de espessura, é constituída 
por uma grande variedade de tipos litológicos. Na base, predominam descontinuamente 
sericita filitos, grafitosos, os quais são recobertos erosivamente por quartzitos médios a 
grossos, localmente ferruginosos, com intercalações do Conglomerado Sopa típico, sempre 
diamantífero (Chaves 1997). Localmente tal conglomerado ocorre em discordância erosiva 
sobre quartzitos da mesma sequência sendo uma característica desta área a presença de 
intraclastos de conglomerado. No topo da sequência ocorrem metassiltitos e quartzitos finos, 
além de metabrechas com matriz pelítica branca; tais rochas também possuem diamantes, mas 
acredita-se que os teores sejam muito baixos para compensarem sua lavra. 
A Formação Galho do Miguel ocorre em contato erosivo com os litotipos pelíticos 
ou com as metabrechas da Formação Sopa-Brumadinho. Apresenta em geral quartzitos finos e 
muito bem selecionados, localmente micáceos, com estratificações cruzadas. As 
estratificações cruzadas na maioria das vezes apresentam grande porte, em geral com alguns 
metros de largura, e alto ângulo entre o acamadamento normal e o set cruzado. Um ambiente 
de sedimentação eólico tem sido atribuído para essas rochas (Garcia & Uhlein 1987, Martins-
Neto 1993). A formação recobre várias das unidades anteriormente descritas e indica uma 
discordância erosiva que é observada regionalmente, podendo atingir mais de 200 m de 
espessura (Garcia & Uhlein 1987). 
O Grupo Conselheiro Mata, reúne as cinco formações superiores do Supergrupo 
Espinhaço e está representado exclusivamente na borda ocidental da Serra do Espinhaço. As 
litologias presentes nesta sequência evidenciam alternâncias cíclicas de sedimentos arenosos 
finos com siltitos e argilitos, que sugerem megaciclos transgressivos e regressivos em 
ambiente marinho raso a plataformal (Marshak & Alkmin 1989, Dossin et al. 1990). A 
espessura total do Grupo Conselheiro Mata oscila em torno de 900 m (Uhlein 1991), e inclui 
as formações Santa Rita, Córrego dos Borges, Córrego Bandeira, Córrego Pereira e Rio Pardo 
 
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Grande. Essa unidade tem importância menor com respeito a geologia do diamante na região, 
tanto em Diamantina como na Serra do Cabral. 
Rochas de natureza básica, incipientemente metamorfizadas, cortam de modo 
exclusivo as litologias pertencentes ao Supergrupo Espinhaço nas serras do Espinhaço e do 
Cabral, aparentemente como diques e possíveis sills. Apresentam coloração verde-escura, 
aspecto maciço e textura fanerítica média, equigranular. Análises petrográficas revelam a 
presença de anfibólio e plagioclásio (predominantes), tendo como acessórios epídoto, 
carbonato e minerais opacos (Chaves & Benitez 2007a). Na Serra do Espinhaço, tais rochas 
foram datadas \u2013 método U/Pb em baddeleyita e zircão \u2013 em cerca de 900 Ma por Machado et 
al. (1989). 
 
Supergrupo São Francisco 
 
Sob a designação de Supergrupo São Francisco são agrupadas todas as sequências 
deposicionais do Proterozóico Superior da região (Pflug & Renger 1973). No centro-norte de 
Minas Gerais estas sequências são representadas pelos grupos Macaúbas e Bambuí. O Grupo 
Macaúbas (Moraes & Guimarães 1930) aflora a leste da Serra do Espinhaço a partir da 
localidade de Mendanha. A oeste da mesma, ele ocorre em uma faixa delgada e descontínua. 
As principais litologias desta sequência são metassedimentos de origem